Comentário da Semana: maior Selic era esperada, mas pressionou o mercado

Copom já havia sinalizado para continuidade do processo de ajustes, porém, o mercado não havia precificado

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SÃO PAULO – A terceira semana de janeiro foi marcada pela reação negativa do mercado à elevação da taxa básica de juro brasileira, a Selic. Além disso, as expectativas de inflação no Brasil foram elevadas. No mercado internacional, o comportamento do petróleo apresentou forte volatilidade, com os investidores divididos entre a elevação dos estoques e temores relacionados tanto à produção quanto à demanda.

Com as perspectivas de continuidade nas elevações da Selic, a bolsa paulista apresentou queda e os juros futuros subiram. O dólar, apesar da alta no cenário internacional, apresentou queda.

No cenário doméstico, destaque para a Selic

A semana teve início com o relatório Focus do Banco Central, que compila as projeções das instituições financeiras para os principais indicadores da economia brasileira revelando uma elevação das expectativas de inflação. De acordo com a mediana das projeções para a variação do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor – Amplo) em 2005, as perspectivas passaram de 5,67% na semana anterior para 5,70%.

Na ata da reunião anterior do Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central), a autoridade monetária havia sinalizado para a continuidade do processo de ajustes, que poderia sofrer alterações, caso as expectativas de inflação interrompessem a trajetória de queda. Na quarta-feira, a autoridade monetária optou por seguir com o processo de elevações graduais da taxa básica de juro brasileira, a Selic. Assim, a taxa foi elevada para 18,25% ao ano.

No entanto, o mercado, especialmente a bolsa, ainda não havia precificado completamente as perspectivas para a continuidade do processo de ajustes, o que fez com que a Bovespa acumulasse forte queda na semana e os juros futuros subissem. As perspectivas para a próxima reunião do Copom deverão ser compostas com base na ata da reunião, que será divulgada na próxima quinta-feira.

Comportamento dos preços em foco

No que se refere ao comportamento dos preços, os índices apresentados sinalizaram, de uma maneira geral, para a continuidade da aceleração da inflação no varejo, ainda como conseqüência dos reajustes nos combustíveis no final de 2004.

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Porém, os índices apresentaram forte desaceleração no atacado, o que pode reduzir os temores relacionados ao futuro comportamento dos preços domésticos. Somente o IPC-Fipe (Índice de Preços ao Consumidor da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas) apresentou uma leve desaceleração no varejo.

Índices de preços e conta corrente

O IGP-10 (Índice Geral de Preços – 10) referente ao mês de janeiro apurou uma inflação de 0,42%, abaixo da variação positiva de 0,77% registrada pelo indicador de dezembro. No atacado, a inflação medida foi de 0,27%, menor alta em relação a dezembro, quando subiu 0,88%. No varejo, os preços subiram 0,74% em janeiro, em relação à variação positiva de 0,48% apresentada em dezembro.

A segunda prévia de janeiro do IGP-M (Índice Geral de Preços – Mercado registrou uma inflação de 0,28%, frente à variação positiva de 0,63% apurada na segunda medição de dezembro e a desaceleração no atacado foi ainda maior do que a apresentada na divulgação do IGP-10. Os preços no atacado subiram 0,09%, o que representa uma forte desaceleração na comparação com a variação positiva de 0,67% apresentada na segunda prévia do mês anterior.

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Outro destaque da semana foi a divulgação da Nota do Setor Externo. O balanço de pagamentos fechou o ano positivo em US$ 2,244 bilhões, já que o forte desempenho da balança comercial impulsionou a conta de transações correntes em 2004. A conta de transações correntes registrou um superávit de US$ 1,211 bilhão em dezembro acumulando no ano um superávit de US$ 11,669 bilhões.

No cenário externo, queda nos preços nos EUA

Em Nova York, o barril encerrou a semana cotado a US$ 48,45, o que representa uma leve alta de 0,14% frente à cotação de encerramento da sexta-feira anterior, de US$ 48,38. Por um lado, os estoques de petróleo apresentaram forte elevação, porém, por outro lado, há temores com a aproximação da reunião da Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) que definirá o rumo da produção do cartel, além da possibilidade de que as baixas temperaturas no hemisfério norte elevem a demanda por óleo de calefação.

No que se refere aos estoques norte-americanos, de acordo com os números do Departamento de Energia dos EUA, os estoques de petróleo registraram forte alta de 3,4 milhões barris no período, atingindo 292,2 milhões de barris na semana terminada no dia 14 de janeiro, frente ao patamar de 288,8 milhões apresentado na semana anterior.

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Nos EUA, o destaque ficou por conta do comportamento dos preços no varejo em dezembro. No período, o índice de preços ao consumidor registrou variação negativa de 0,1%, enquanto que o mercado esperava pela estabilidade dos preços. Vale lembrar que no mês de novembro a inflação foi de 0,2%. A deflação não trouxe temores de desaquecimento da economia, pois se deu em função da queda dos preços de energia.

Dólar caiu e juros futuros subiram na semana

Retomando a trajetória de baixas, o dólar comercial encerrou a semana em leve queda de 0,48%, cotado a R$ 2,6880 no fechamento de sexta-feira, quando caiu 1,10%. Os movimentos de alta do dólar no mercado internacional impediram maiores quedas. A elevação da Selic trouxe a perspectiva de maiores entradas de divisas para o país e a forte desaceleração da inflação no atacado também contribuiu.

No mercado de juros futuros, por sua vez, a tendência foi de alta. Assim, o contrato futuro com vencimento em janeiro de 2006, que apresenta maior liquidez, projetou taxa de 18,67% na sexta-feira, frente a uma taxa de 18,21% na semana anterior. Já a taxa anual do CDB pré-fixado de 30 dias fechou a 18,32%, também configurando uma alta frente à taxa registrada na semana anterior, de 18,09%.

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O Ibovespa, por sua vez, refletiu as perspectivas de continuidade nas elevações da taxa básica de juro, que devem levar à maior atratividade dos ativos de renda fixa em relação aos de renda variável, além de poderem causar uma elevação na dívida das empresas e trazerem temores com relação ao rumo do crescimento da economia. Dessa maneira, o índice Bovespa acumulou queda de 4,44% na semana, encerrando a 23.818 pontos.

Próxima semana: espera pela ata do Copom

Na próxima semana, ocorrerá a divulgação da ata da reunião desta semana do Copom, que deve sinalizar para o rumo da política monetária no país e pode trazer forte cautela ao mercado. Também no cenário doméstico, as expectativas de inflação devem seguir em destaque e será divulgado o IGP-M de janeiro.

No cenário externo, os movimentos da cotação do dólar frente às principais moedas e a volatilidade no mercado de petróleo serão acompanhados. Além disso, haverá a divulgação dos dados do PIB (Produto Interno Bruto) norte-americanos no quarto trimestre.