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SÃO PAULO – Apesar do bom desempenho na última sessão da semana, a quarta semana de março foi bastante negativa para o mercado brasileiro, respondendo à deterioração do cenário econômico externo, que alterou as percepções em relação aos mercados emergentes. No âmbito internacional, a elevação do juro pelo Fed pressionou os mercados mundo afora.
Neste contexto, a bolsa brasileira encerrou a semana acumulando forte queda, enquanto o dólar comercial disparou e atingiu a maior cotação do ano. Reagindo ao cenário de juros mais altos e à aceleração da inflação, o risco-país acumulou forte alta durante a semana.
Cenário interno: emergentes sob pressão
A semana foi marcada pela elevação do juro norte-americano, para 2,75% ao ano. Embora a elevação da taxa já fosse esperada, o comentário que sucedeu a reunião foi mal recebido pelos mercados, que passaram a projetar um maior aperto da política monetária no país, alterando as condições favoráveis de liquidez no mercado internacional que vinham beneficiando os países emergentes. Vale destacar que o rebaixamento da recomendação da Merrill Lynch para os mercados emergentes também contribuiu para o pessimismo do mercado.
Outro fator que concentrou as atenções do mercado foi a evolução dos preços no mercado interno. Já na segunda-feira, a projeção para o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) contida no relatório Focus subiu de 5,77% para 5,80%. Também aceleraram o IGP-M (Índice Geral de Preços – Mercado) e o IPC-S (Índice de Preços ao Consumidor – Semanal). O IPCA-15, no entanto, veio em direção contrária nesta quinta-feira, reduzindo os temores em relação às pressões inflacionárias.
Também trouxe tranqüilidade ao mercado a divulgação da ata da reunião do Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central, realizada na semana passada, que, na visão de alguns economistas, sinalizou para o fim do ciclo de aperto monetário. Os economistas, no entanto, temem que a deterioração do cenário externo frustre os planos da autoridade monetária, obrigando-a a mais uma elevação do juro em abril.
Cenário externo:
No cenário externo, a sétima elevação consecutiva do juro pelo Fed também foi o foco, preocupando os investidores em relação ao desempenho da economia norte-americana em um cenário de juros mais altos.
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Assim, a evolução dos preços foi acompanhada de perto, uma vez que o comunicado após a reunião do Fed revelou que o rigor da política monetária andaria de acordo com o comportamento dos preços. O CPI, que mede os preços ao consumidor, verificou inflação de 0,4%, diante das expectativas de 0,3%. O núcleo do indicador, menos sujeito às oscilações dos preços, também acelerou, medindo variação de 0,3%.
Já o PPI (Índice de Preços ao Produtor), apesar de também acima do esperado, foi mais bem recebido pelo mercado. Isso porque, não foram percebidas mudanças significativas na dinâmica global dos preços, em função da recente disparada do petróleo, sendo a elevação creditada a pontos isolados. O índice avançou 0,4%, enquanto seu núcleo apresentou variação de 0,1%, em linha com o esperado.
Dólar e Ibovespa caíram na semana
O dólar comercial encerrou a semana em alta de 0,81%, cotado a R$ 2,740 no fechamento de quinta-feira, quando acabou encerrando a sessão em baixa de 0,36%. A moeda registrou a maior alta percentual do ano na quarta-feira, reagindo à elevação do juro pelo Fed. Vale destacar que o BC parece mesmo ter reduzido o ritmo de suas intervenções, uma vez que ficou de fora de todas as sessões durante a semana.
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No mercado de juros futuros, a tendência foi de queda. O contrato futuro com vencimento em janeiro de 2006, que apresenta maior liquidez, projetou taxa de 19,29% na sexta-feira, frente a uma taxa de 19,34% no encerramento da semana anterior. Já a taxa anual do CDB pré-fixado de 30 dias fechou a 19,28%, leve alta de 0,03 ponto percentual em relação à taxa de 19,25% da semana anterior.
E o Ibovespa, principal índice da bolsa paulista, encerrou a semana em queda de 3,23%, sendo cotado a 26.702 pontos. A forte baixa decorreu principalmente da deterioração do cenário econômico internacional e da redução da participação dos investidores estrangeiros nas negociações.
Próxima semana: Brasil divulga o PIB do quarto trimestre
Na próxima semana, a divulgação do resultado consolidado do PIB (Produto Interno Bruto) de 2004 deve movimentar o mercado brasileiro. A dinâmica dos índices de preços também deve ser acompanhada, com o anúncio do IGP-M fechado de março. Também em destaque, o BC deve divulgar sua Nota de Política Fiscal.
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No cenário externo, a divulgação do Employment Report, que traça um panorama do mercado de trabalho norte-americano, deve ser o foco das atenções. O petróleo, que ficou quase estável esta semana, também pode voltar a preocupar.