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SÃO PAULO – A segunda semana de janeiro foi marcada pela divulgação que a inflação medida pelo IPCA ficou acima do esperado, além da forte volatilidade no mercado de petróleo e também no mercado de câmbio internacional, com perspectivas divergentes com relação ao rumo da economia norte-americana.
Por outro lado, com o anúncio de melhora da perspectiva do rating em moeda estrangeira do Brasil, o mercado, de uma maneira geral, apresentou um desempenho estável. A bolsa registrou leve alta, os juros futuros e o risco país subiram e o dólar encerrou a semana em queda.
No cenário doméstico, destaque para inflação
Foi divulgada nesta semana a primeira prévia do IGP-M (Índice Geral de Preços – Mercado) para janeiro. Neste período, foi registrada uma inflação de 0,20%, frente à variação positiva de 0,62% apurada na primeira medição de dezembro. Também foi divulgado o IPC-Fipe, o Índice de Preços ao Consumidor da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas. No período, o indicador apurou uma inflação de 0,68%, levemente acima da variação de 0,67% registrada no mês fechado de dezembro.
O grande destaque, entretanto ficou por conta da divulgação do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor – Amplo), divulgado na manhã de sexta-feira, dia 14 de janeiro, pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), que apresentou forte aceleração em dezembro.
IPCA acelerou e subiu acima do esperado
No período, o IPCA apresentou uma variação positiva de 0,86%, acima da inflação medida em novembro, quando o indicador apontou alta de 0,69% nos preços. A variação foi maior do que a esperada pelo mercado, já que o Relatório Focus, do Banco Central, projetava alta de 0,75% no período.
Com este resultado, no ano de 2004, o IPCA acumulou alta de 7,60%, abaixo da variação de 9,30% relativa ao índice de 2003. De acordo com o Focus, para 2004 o mercado projetava uma alta de 7,48% nos preços. A aceleração acima do esperado do índice trouxe cautela, especialmente devido à aproximação da reunião do Copom, o Comitê de Política Monetária do Banco Central.
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De acordo com o Focus, o mercado aguarda uma elevação de 0,50 ponto percentual na Selic, já que projeta a taxa, segundo a mediana das projeções, em 18,25% ao ano no final de janeiro. A redução da mediana das projeções para o IPCA de 2005, revelada nesta semana, que passou de 5,70% para 5,67%, não foi suficiente para reduzir as perspectivas para a Selic.
Por outro lado, vale destacar que a produção industrial apresentou queda em relação a novembro, de 0,4% em relação a outubro, confirmando a tendência de desaceleração da economia brasileira apesar de ter apresentado crescimento de 8,1% em relação a novembro de 2003.
Também nesta semana, a agência da classificação de risco Moody´s elevou o rating da dívida em moeda estrangeira brasileira, de estável para positivo. De acordo com o comunicado da agência, a redução da proporção entre a dívida e o saldo de transações correntes, além da redução da parcela da dívida atrelada à moeda estrangeira e do forte desempenho da balança comercial, levaram à elevação da classificação, com o Brasil ficando a apenas quatro degraus do investment grade.
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No cenário externo, economia dos EUA em foco
No cenário externo, a economia norte-americana e o comportamento do dólar seguiram em foco, já que o resultado da balança comercial norte-americana decepcionou, apresentando um déficit de US$ 60,3 bilhões, bastante acima do esperado pelo mercado. Por outro lado, o déficit orçamentário diminuiu, tendo sido de US$ 3,4 bilhões em dezembro.
Além disso, na sexta-feira, o presidente George W. Bush manifestou preocupações com relação ao rumo do dólar e que deve implementar medidas para a redução dos déficits e um membro do banco central norte-americano sinalizou que caso necessário, o Federal Reserve, poderia abandonar o “ritmo gradual” na condução da taxa básica de juro do país.
Com isso, a semana foi marcada por forte volatilidade no mercado de câmbio internacional. Também foi marcada por volatilidade a semana no mercado de petróleo. A cotação do barril, subiu forte nesta semana, com o mercado atento às previsões de inverno mais rigoroso, o que deve levar a um maior consumo de óleo de aquecimento.
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Assim, em Nova York, o barril encerrou a semana cotado a US$ 48,38, o que representa uma alta de 6,49% frente à cotação de encerramento da sexta-feira anterior, de US$ 45,25. Se por um lado a alta do petróleo traz temor de maior inflação no futuro, por outro lado, justamente devido à queda recente dos preços do item energia, o índice de preços no atacado norte-americano (PPI) apresentou queda de 0,7%, enquanto o mercado aguardava uma queda de 0,2%.
Apreensão com rumo da taxa básica do país
O Core PPI, que exclui os itens energia e alimentos, apresentou uma inflação de 0,1%, abaixo da inflação esperada de 0,2%. Apesar da surpresa, o ritmo de elevações da taxa básica de juro dependerá bastante do comportamento do petróleo, cuja queda anterior foi uma das principais responsáveis para a deflação apontada pelo índice de preços no atacado.
O desempenho da economia também deve exercer forte influência. Neste sentido, foi divulgado o indicador que mede as vendas no varejo, que subiram 1,2%, enquanto o mercado esperava uma alta de 1,1% e o indicador anterior havia subido 0,1%. O indicador que exclui as vendas de automóveis, por outro lado, subiu 0,3%, enquanto o mercado esperava uma alta de 0,4%.
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Dólar e juros futuros subiram na semana
O dólar comercial, mesmo com novas intervenções do Banco Central, encerrou a semana em leve queda de 0,41%, cotado a R$ 2,701 no fechamento de sexta-feira.
No mercado de juros futuros, por sua vez, a tendência foi de alta. Assim, o contrato futuro com vencimento em janeiro de 2006, que apresenta maior liquidez, projetou taxa de 18,20% na sexta-feira, frente a uma taxa de 18,09% na semana anterior. Já a taxa anual do CDB pré-fixado de 30 dias fechou a 18,09%, também configurando uma alta frente à taxa registrada na semana anterior, de 18,02%.
O Ibovespa, por sua vez, refletiu a melhor perspectiva dos investidores, principalmente após a decisão da Moody´s. Dessa maneira, o índice Bovespa acumulou leve alta de 0,71% na semana, encerrando a 24.924 pontos.
Próxima semana: reunião do Copom em destaque
Na próxima semana, o grande destaque deve ficar por conta da reunião do Copom, que terá início na terça-feira. A decisão com relação ao rumo da taxa Selic será anunciada na próxima quarta-feira, após a segunda reunião. O mercado aguarda uma elevação da Selic em 50 pontos base, para 18,25% ao ano.