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SÃO PAULO – Com as atenções direcionadas para a maior calma no cenário político e as perspectivas favoráveis para a economia, o mercado brasileiro como um todo apresentou bom desempenho nesta semana, de forma que tanto o dólar quanto os juros futuros encerraram em forte queda no período, enquanto a bolsa fechou em alta. O bom desempenho do cenário externo também contribuiu para o maior fôlego do mercado doméstico.
BC continua projetando inflação abaixo da meta em 2004
Mesmo com a recente aceleração da inflação no atacado, os investidores seguem apostando que não deverá haver um repasse integral para o varejo, de modo que crescem as apostas de que o Copom (Comitê de Política Monetária) dê continuidade à flexibilização da política monetária nos próximos meses. Vale destacar, neste sentido, que nem a maior alta do IGP-M (Índice Geral de Preços – Mercado) abateu o ânimo do mercado nesta semana.
Em março, o índice da Fundação Getúlio Vargas registrou uma elevação de 1,13%, acima da alta de 1,0% projetada pelo relatório Focus, do Banco Central, e também da inflação de 0,69% registrada no mês anterior. Ainda no cenário econômico, o Banco Central divulgou o seu Relatório Trimestral da Inflação, projetando um crescimento de 3,5% do PIB (Produto Interno Bruto) e uma inflação de 5,2% para 2004, abaixo da meta de avanço dos preços de 5,5%.
Superávit comercial recorde também trouxe ânimo
Outro destaque nesta semana ficou para o saldo recorde da balança comercial em março, segundo dados divulgados pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. No período, o superávit atingiu US$ 2,602 bilhões, como resultado de exportações da ordem de US$ 7,927 bilhões e importações de US$ 5,325 bilhões. Em março do ano passado, o superávit comercial brasileiro foi de apenas US$ 1,537 bilhão.
Após este saldo de março, a balança comercial já é superavitária em US$ 6,170 bilhões em 2004, refletindo exportações de US$ 19,448 bilhões e importações da ordem de US$ 13,278 bilhões. Para efeitos de comparação, o saldo registrado no primeiro trimestre deste ano é 62,1% superior àquele apurado em igual período do ano anterior, quando o superávit era de US$ 3,806 bilhões. Para o acumulado de 2004, o Focus projeta superávit de US$ 24 bilhões.
Relatório do Emprego ampliou fôlego do mercado
Vale ainda acrescentar que o cenário externo também foi muito importante para o bom desempenho do mercado brasileiro nesta semana, especialmente após a divulgação do Relatório do Emprego, um relatório que traça um verdadeiro raio-X do mercado de trabalho norte-americano, na sexta-feira. O mais importante de seus indicadores – o nonfarm payrolls – mostrou que foram criados 308 mil novos postos de trabalho no mês de março.
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Para se ter uma idéia, esperava-se a criação de apenas 123 mil novos empregos no período. Assim, ao superar as expectativas dos analistas, o indicador mostrou que a recuperação da economia norte-americana está ganhando maior força e seus sinais já podem ser sentidos inclusive no mercado de trabalho. Além disso, até pouco tempo atrás o mercado de trabalho dos Estados Unidos não dava sinais consistentes de melhora.
No mercado de petróleo, o preço do barril encerrou cotado a US$ 30,21 por barril, acumulando forte queda de 5,56% no período, em uma semana marcada pelo corte da cota de produção da OPEP (Organização dos Países Exportadores de Petróleo). Vale destacar que, apesar do corte, a oferta continua superior à demanda por petróleo, especialmente com a recente trajetória de elevação dos estoques norte-americanos da commodity.
Dólar e juros futuros apresentaram queda
Refletindo este cenário de maior otimismo, o dólar acumulou queda de 1,50% na semana, fechando cotado a R$ 2,8950. Vale destacar que o bom desempenho da balança comercial e as perspectivas de novas captações externas por empresas privadas pressionaram a moeda norte-americana nesta semana.
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No mercado de juros futuros, por sua vez, a tendência também foi de queda. Assim, o contrato futuro com vencimento em janeiro de 2005, que apresenta maior liquidez, projetou taxa de 15,17% nesta sexta-feira, frente a uma taxa de 15,36% na semana passada. Já a taxa anual do CDB pré-fixado de 30 dias fechou a 15,89%, configurando uma queda frente à taxa registrada na semana anterior.
O Ibovespa, por sua vez, teve uma semana marcada por um bom desempenho, com investidores mais otimistas após as perspectivas de novos cortes da Selic e também com os ganhos do mercado externo. Dessa maneira, o principal índice da bolsa paulista acumulou forte alta de 6,54% no período.
Inflação será destaque na semana da Páscoa
A próxima semana, mais curta em função das festividades da Páscoa, deverá ser marcada pela divulgação de importantes índices de preços no mercado brasileiro. Dessa maneira, destaque para a divulgação do IPC (Índice de Preços ao Consumidor) da Fipe referente ao mês fechado de março, além da primeira prévia de abril do IGP-M, da Fundação Getúlio Vargas.
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Neste mesmo sentido, o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgará o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor – Amplo) e o INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor), ambos referentes à março. O mesmo IBGE divulgará sua Pesquisa Industrial Mensal – Produção Física, referente a fevereiro.
Nos Estados Unidos, serão divulgados importantes indicadores: o ISM Services, que mede a atividade no setor de serviços, além do Consumer Credit, sobre o volume de créditos disponibilizados ao consumidor. Destaque também para o Wholesale Inventories, que mede os estoques no atacado.