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SÃO PAULO – Em uma semana em que as atenções estiveram direcionadas para a divulgação de inúmeros índices de preço, além das perspectivas de elevação no juro dos Estados Unidos, o mercado brasileiro apresentou um desempenho limitado na segunda semana de abril, mais curta devido ao feriado de Páscoa. Dessa maneira, o dólar registrou queda na semana, enquanto os juros futuros subiram e a bolsa fechou com leve variação.
Índices de preços apuram desaceleração da inflação
Com relação aos índices de preços, o IPC (Índice de Preços ao Consumidor) da Fipe subiu 0,12% em março, e surpreendeu o mercado, que esperava alta de 0,29%. Vale ressaltar que a fraca renda do consumidor tem minimizado o repasse de preços do atacado para o varejo. Em fevereiro, o IPC da Fipe havia registrado inflação da ordem de 0,19%.
Já a primeira prévia de abril do IGP-M (Índice Geral de Preços – Mercado) registrou inflação de 0,52%, frente à variação positiva de 0,66% apurada na primeira medição de março. A variação positiva acumulada pelo índice de preços, desta maneira, foi 3,26% para o ano. Já no acumulado de 12 meses, o IGP-M aponta uma variação positiva de 4,66%.
O IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) registrou inflação de 0,47% em março, um pouco acima da esperada pelo mercado, porém a menor desde novembro de 2003. Embora tenha havido repasses do atacado para o varejo em março, causados por altas nas cotações internacionais de produtos como aço e matérias plásticas, não há parce haver descontrole de preço.
Juro no Brasil e nos EUA foram foco
Com a divulgação destes índices de preços, as apostas em relação à taxa básica de juro no Brasil e nos Estados Unidos continuaram sendo o destaque nesta semana. Neste sentido, após a desaceleração da inflação tanto no atacado quanto no varejo, conforme mostrado pelos índices de preços divulgados nesta semana, ampliaram-se as perspectivas de que o Copom (Comitê de Política Monetária) promova um novo corte na Selic na próxima semana.
De acordo com o relatório Focus, do BC, a taxa básica de juro deve cair para 16% ao ano na próxima semana, o que corresponde a um corte de 25 pontos base considerando-se o atual patamar, de 16,25% ao ano. Também segue em destaque o debate em torno da postura do Federal Reserve, nos Estados Unidos, frente aos recentes indicadores que apontaram para uma recuperação mais efetiva da economia norte-americana.
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Vale lembrar, assim, que os indicadores divulgados ao longo desta semana foram, no geral, bastante favoráveis, trazendo à tona as perspectivas de que o Fed poderá elevar em breve o juro no país, atualmente em seu patamar mais baixo em mais de quatro décadas – 1% ao ano. Uma possível elevação do juro nos Estados Unidos não é vista com bons olhos pelos analistas no que se refere ao fluxo de recursos para economias emergentes.
Isso se explica pelo fato de que maiores juros nos EUA diminuem a atratividade de ativos de economias emergentes, como o Brasil, afetando, assim, o fluxo de capitais para estas economias. Assim, o temor de que uma elevação do juro nos EUA possa reduzir a liquidez internacional seguiu limitando os ganhos da Bovespa na primeira parte desta sessão.
Mercado norte-americano teve bom desempenho
O mercado norte-americano, por sua vez, apresentou recuperação na semana, registrando um bom desempenho. De maneira geral, bons indicadores foram anunciados nesta semana nos Estados Unidos, com destaque para o ISM Services, índice que mede o desempenho do setor de serviços norte-americano. Em março, o índice registrou 65,8 pontos, muito acima do índice verificado em fevereiro de 60,8 pontos.
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Outro fato importante que surpreendeu positivamente o mercado foi a diminuição no número de pedidos de auxílio-desemprego, que alcançou o menor patamar em mais de três anos. Vale destacar que a semana também foi marcada nos Estados Unidos pelo início da safra de resultados corporativos, com destaque para os números do portal Yahoo!, que ficaram bem acima das expectativas.
No mercado de petróleo, o preço do barril encerrou cotado a US$ 33,37 por barril, acumulando forte alta de 10,46% no período, em uma semana marcada pela inesperada redução dos estoques norte-americanos de petróleo. Além disso, projeções de que o preço da gasolina deve subir forte nos próximos meses também impulsionaram os preços do petróleo nesta semana.
Dólar caiu e juros futuros subiram
Refletindo o fluxo favorável de recursos e os rumores de uma nova captação soberana, o dólar acumulou leve queda de 0,38% na semana, fechando cotado a R$ 2,8840. Vale destacar que o bom desempenho da balança comercial e as perspectivas de novas captações externas por empresas privadas continuaram pressionando a moeda norte-americana nesta semana.
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No mercado de juros futuros, por sua vez, a tendência foi de alta, em função de um movimento de ajuste. Assim, o contrato futuro com vencimento em janeiro de 2005, que apresenta maior liquidez, projetou taxa de 15,33% nesta sexta-feira, frente a uma taxa de 15,17% na semana passada. Já a taxa anual do CDB pré-fixado de 30 dias fechou a 15,87%, configurando uma leve queda frente à taxa registrada na semana anterior.
O Ibovespa, por sua vez, teve uma semana marcada por um fraco desempenho, com os investidores optando pela realização de lucros, após os fortes ganhos registrados na semana anterior. Dessa maneira, o principal índice da bolsa paulista acumulou queda de 0,98% no período.
Reunião do Copom será destaque na 2ª semana de abril
A segunda semana de abril, por sua vez, será marcada pela divulgação de muitos indicadores no Brasil e nos Estados Unidos. No Brasil, o destaque fica com a reunião do Copom (Comitê de Política Monetária), que anunciará na quarta-feira o novo patamar da taxa básica de juro da economia. Além disso, a Fipe divulga o IPC referente à primeira quadrissemana de abril e o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulga a Pesquisa da Produção Industrial Regional de fevereiro.
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Nos Estados Unidos, serão divulgados inúmeros indicadores: Business Inventories, Retail Sales, Treasury Budget, Trade Balance, Initial Claims, Housing Starts, Consumer Sentiment e Industrial Production.