Publicidade
SÃO PAULO – Os destaques da primeira semana de outubro dividiram-se entre os cenários doméstico e externo. No Brasil a forte desaceleração da inflação trouxe otimismo, enquanto no cenário externo o destaque ficou por conta da nova escalada na cotação do petróleo, que encerrou a semana acima dos US$ 53,00 em Nova York, e para o fraco desempenho do mercado de trabalho norte-americano.
Inflação foi destaque no cenário doméstico
A Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas) divulgou na terça-feira o seu IPC (Índice de Preços ao Consumidor), referente ao mês fechado de setembro, quando o índice apurou inflação de 0,21%. Em relação ao mês fechado de agosto, a desaceleração é bastante forte, já que a alta nos preços em agosto havia sido de 0,99%.
O IGP-DI (Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna) referente ao mês de setembro revelou que a variação dos preços no atacado também está desacelerando. O índice apurou inflação de 0,48% no período, o que representa forte desaceleração em relação aos 1,31% apurados na medição de agosto. O destaque ficou por conta da forte desaceleração da alta nos preços ao consumidor, já que o IPC-DI (Índice de Preços ao Consumidor – Disponibilidade Interna) registrou inflação de somente 0,01%.
Confirmando a tendência apontada pelo IGP-DI, o IGP-M (Índice Geral de Preços – Mercado) registrou forte desaceleração na primeira medição de outubro, apontando inflação de somente 0,05%, frente à alta de 0,35% nos preços, apresentada na primeira prévia de setembro. No varejo, o índice apresentou uma leve deflação de 0,06% ao consumidor, medida pelo IPC-M (Índice de Preços ao Consumidor – Mercado).
IPCA também demonstra desaceleração
Na sexta-feira, o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor – Amplo) apontou inflação de 0,33% em setembro, frente à alta de 0,69% registrada no mês anterior, acumulando em 2004 elevação de 5,49%. O mercado, de acordo com as projeções do Focus, aguardava inflação de 0,50% no período. A notícia é bastante positiva, pois apesar de revelar que o IPCA já encostou na meta de 2004 (o que já era previsto), reduz os temores quanto ao rumo da política monetária em 2005, especialmente se considerarmos também a evolução dos outros indicadores divulgados na semana.
Aparentemente, a inércia inflacionária temida pelo Banco Central pode mostrar-se menor e o Copom (Comitê de Política Monetária) pode ter uma maior margem para evitar que o aperto monetário perdure um tempo maior do que o previsto. Resta saber quais serão os efeitos da recente escalada do petróleo, pois caso a cotação do barril se sustente em um elevado patamar, a questão do rumo da Selic em 2005 continuará sendo vista com pessimismo.
Continua depois da publicidade
Cenário externo: petróleo e nonfarm payrolls destacam-se
No cenário externo, o grande destaque da semana ficou por conta da nova escalada do petróleo, que fechou acima de US$ 53,00 em Nova York e trouxe o risco de maior inflação no mundo todo, além de temores relacionados a uma possível desaceleração da economia mundial. A cotação da commodity encerrou a semana em US$ 53,31, o que representa um aumento de 6,36% frente à cotação de encerramento da semana anterior, a US$ 50,12.
Apesar do aumento nos estoques norte-americanos da commodity, os temores relacionados à capacidade de extração norte-americana impulsionaram a cotação do barril, já que os prejuízos causados pela passagem do furacão Iván pelo país podem demorar um tempo maior do que o previsto para serem reparados. O temor de que conflitos na Nigéria pudessem afetar a produção do quinto maior exportador mundial também exerceu influência.
Nonfarm payrolls menor do que o esperado
Ainda no cenário externo, foi divulgado nos EUA o aguardado Relatório do Emprego, que contém um dos mais importantes indicadores do desempenho do mercado de trabalho norte-americano, o nonfarm payrolls, que mede o número de postos de trabalho criados fora do setor agropecuário no país. O número foi menor do que as expectativas do mercado, que aguardava a criação de 150 mil postos de trabalho. Entretanto, o indicador revelou a criação de somente 96 mil postos.
Continua depois da publicidade
A criação de postos de trabalho menor do que a esperada pelo mercado, combinada com as perspectivas de maior inflação futura geradas pelo comportamento do petróleo no mercado internacional, reiteram as perspectivas de que o Federal Reserve siga com a postura gradualista na condução da política monetária norte-americana.
Dólar e juros caíram
Deste modo, o dólar comercial encerrou a semana em leve queda de 0,28%, cotado a R$ 2,829, com o mercado analisando a desaceleração da inflação, por um lado, e a escalada do petróleo por outro.
No mercado de juros futuros, por sua vez, a menor alta dos preços prevaleceu sobre o avanço do petróleo. Assim, o contrato futuro com vencimento em abril de 2005, que apresenta maior liquidez, projetou taxa de 17,07% nesta sexta-feira, frente a uma taxa de 17,09% na última sexta-feira. Já a taxa anual do CDB pré-fixado de 30 dias fechou a 16,36%, configurando leve alta frente à taxa registrada na semana anterior (16,34%).
Continua depois da publicidade
O Ibovespa, por sua vez, acumulou leves ganhos durante a semana, chegando a romper a barreira dos 24 mil pontos e voltando aos patamares apresentados em janeiro. Dessa maneira, o índice Bovespa acumulou alta de 0,63% na semana, encerrando a 23.927 pontos.
PPI, Retail Sales e vencimento de derivativos
Na próxima semana, além de analisarem o comportamento do petróleo, os investidores estarão atentos ao comportamento dos preços no setor atacadista dos EUA, já que haverá a divulgação do PPI, Producer Price Index. Ainda no cenário externo, o mercado deve analisar o desempenho das vendas do setor varejista norte-americano, com a divulgação do Retail Sales. Ambos serão divulgados no dia 15 de outubro.
No cenário doméstico, haverá o vencimento de opções sobre contratos de Ibovespa e vencimento de contratos de Ibovespa futuro na BM&F, o que poderá trazer forte volatilidade ao mercado acionário brasileiro. No âmbito econômico, o destaque ficará por conta da divulgação do IPC-Fipe referente à primeira quadrissemana de outubro.