Comentário da semana: Greenspan e queda da inflação foram destaques

Em semana marcada pela reação do mercado à queda da inflação e discurso de Greenspan, tanto dólar quanto juros futuros caíram

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SÃO PAULO – O mercado brasileiro como um todo apresentou um bom desempenho na segunda semana de fevereiro, de forma que tanto os juros futuros quanto o dólar acumularam queda no período.

Tal movimento resultou de índices que mostraram queda da inflação em fevereiro, o que pode dar margem para novos cortes na Selic, e perspectivas de que a liquidez internacional será mantida, após declarações do chairman do Fed de que os juros não serão alterados, ao menos no curto prazo, nos Estados Unidos.

Denúncia de corrupção trouxe nervosismo

Somente na última sessão da semana, na sexta-feira, é que o mercado brasileiro registrou uma maior apreensão, fruto de denúncias envolvendo um assessor próximo do Ministro da Casa Civil, José Dirceu. De acordo com artigo publicado em uma revista de grande circulação, o assessor teria pedido dinheiro a um bicheiro para a campanha eleitoral de 2002 e também para si próprio. O escândalo repercutiu, naturalmente, de forma negativa ao Planalto, que tratou logo de demitir o assessor.

Ainda assim, a denúncia da revista foi suficiente para trazer um maior nervosismo a mercado, que vinha se recuperando desde o início da semana do pessimismo anterior. Dessa maneira, na sexta-feira os juros futuros registraram alta, bem como o dólar, enquanto a Bovespa encerrou em forte queda, minimizando, portanto, a boa performance que seria apresentada pelo mercado caso não houvesse esta denúncia contra o assessor do Ministro.

Inflação mostra recuo no início de fevereiro

No cenário econômico, em semana anterior à reunião do Copom, a divulgação das prévias de inflação referentes a fevereiro sinalizou que os preços vêm subindo em um ritmo menor no início do segundo mês do ano, com os efeitos do forte reajuste dos preços da educação sendo dissipados. Isto trouxe um maior ânimo ao mercado no começo da semana, visto que com os sinais de recuo da inflação, aumentam as chances da autoridade monetária voltar a flexibilizar a política monetária.

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Assim, na última terça-feira, o mercado ficou otimista após a divulgação da primeira prévia do IGP-M de fevereiro, que registrou uma variação positiva de 0,08%, frente à elevação de 0,33% apurada na primeira medição de janeiro e às expectativas de analistas, que apontavam para variação positiva de 0,20%. O destaque ficou para o índice de preços no atacado, que registrou deflação de 0,09%.

O IPC da Fipe, por sua vez, apurou inflação de 0,46% na primeira quadrissemana de fevereiro, inferior à variação positiva de 0,65% registrada no mês fechado de janeiro e no limite inferior das expectativas do mercado. Já o IPCA, divulgado na sexta-feira, referente ainda a janeiro, mostrou avanço de 0,76% no período, em linha com o esperado.

Pronunciamento de Greenspan favorece Brasil

Outro fato que favoreceu o bom desempenho do mercado brasileiro nesta semana foi o pronunciamento do chairman do Fed, Alan Greenspan, que afirmou que a economia norte-americana está se recuperando, mas a taxa de juro deve ser mantida no patamar atual ao menos no curto prazo.

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Com isso, o Brasil foi beneficiado em dois sentidos. O primeiro deles diz respeito às perspectivas de crescimento da economia dos EUA, tendo em vista que o mercado norte-americano absorve aproximadamente 23% das exportações brasileiras, sendo o primeiro destino. Nesse sentido, se as expectativas de Greenspan de que a economia dos EUA pode crescer até 5,0% em 2004 se concretizarem, o Brasil deve ser beneficiado.

Outro motivo de euforia refere-se à sinalização dada por Greenspan de que a taxa de juro nos Estados Unidos deve ser mantida no atual patamar, o que significa que a liquidez internacional continuará elevada, beneficiando, dessa maneira, os investimentos em países emergentes, dentre eles o Brasil.

Mercado norte-americano apresenta desempenho limitado

Já o mercado norte-americano apresentou um desempenho limitado, na medida em que apenas o índice Nasdaq encerrou a semana em queda. Os principais destaques, que limitaram o otimismo levado pelas declarações de Greenspan, ficaram com os indicadores conjunturais, especialmente o Initial Claims e o Michigan Sentiment.
No mercado de petróleo, por sua vez, a commodity apresentou forte alta de 5,02% na semana, de forma que o barril tipo Brent, negociado no mercao de Londres, encerrou o período cotado a US$ 30,57. Tal movimento decorreu, basicamente, da decisão da Opep de reduzir a produção de petróleo no segundo trimestre.

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Dólar e juros futuros caíram

Por conta do otimismo trazido pelos sinais de manutenção da taxa de juro nos Estados Unidos e das quedas nos indicadores de inflação de fevereiro, o dólar acumulou baixa de 0,94% na semana, fechando cotado a R$ 2,9060. Vale destacar que o Banco Central não realizou nenhum leilão de compra de dólares no período, mesmo com a queda da moeda norte-americana em quatro das cinco sessões.

No mercado de juros, o reajuste de expectativas de investidores em relação à reunião do Copom, na próxima semana, fez com que o contrato futuro com vencimento em janeiro de 2005, que apresenta maior liquidez, projetar taxa de 15,42%, abaixo da taxa de 15,59% registrada na semana anterior. Já a taxa anual do CDB pré-fixado de 30 dias fechou a 16,16%, configurando uma levemente abaixo daquela registrada na semana anterior.

O Ibovespa, por sua vez, teve uma semana marcada por um bom desempenho, com investidores atentos aos diversos resultados corporativos, dentre eles o do Unibanco, Braskem, Brasil Telecom e Tele Celular Sul, além do mais esperado, o da gigante Petrobras. Dessa maneira, o principal índice da bolsa paulista acumulou alta de 2,55% no período, também refletindo expectativas da reunião do Copom.

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Reunião do Copom é foco na terceira semana de fevereiro

O principal destaque para a próxima semana, no Brasil, ficará para a reunião do Copom, na terça e quarta-feira. Além disso, índices de preços, como o IPC da Fipe referente à segunda quadrissemana do mês e a segunda prévia de fevereiro do IGP-M, também ocuparão a atenção dos investidores. Vale destacar também o resultado da Pesquisa Industrial Mensal de Emprego e Salário do IBGE referente a dezembro.

O mercado de ações deve mostrar maior volatilidade, com o vencimento de opções e do mercado futuro de ações na segunda feira, além do vencimento do contrato futuro do índice Bovespa na quarta-feira.

Já nos Estados Unidos, vale ressaltar que as bolsas não operam na segunda-feira, por causa do feriado do Dia do Presidente. Os destaques no campo econômico ficam para os indicadores: NY Empire State, Housing Starts, Leading Indicators, Philadelphia Fed e PPI and Core PPI.