Comentário da Semana: governo reage às denúncias e impulsiona mercado

Após as acusações de Jefferson, governo monta estratégia para melhorar sua imagem; petróleo segue preocupando

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SÃO PAULO – A terceira semana de junho foi bastante positiva para o mercado
brasileiro, com os investidores reagindo bem aos esforços do governo em
melhorar sua imagem após as denúncias de corrupção. No cenário externo, os
indicadores mostraram tendência de expansão controlada da economia
norte-americana, reforçando as apostas na manutenção da política gradualista
de aumento dos juros.

Neste contexto, a bolsa brasileira encerrou a semana em alta de 4,58%,
recuperando-se das fortes perdas registradas na semana passada. O dólar
comercial, por sua vez, apresentou queda de 3,44%, enquanto os juros futuros
fecharam a semana em alta.

Cenário interno: governo reage às acusações

A semana foi marcada pelo desenrolar da crise política em Brasília, com o
governo reagindo às acusações do deputado Roberto Jefferson. Em seu
depoimento na Comissão de Ética da Câmara, o presidente do PTB não poupou
críticas ao ministro da Casa Civil, José Dirceu, apesar de não ter
apresentado nenhuma prova de suas denúncias.

Mesmo sem provas, o depoimento de Jefferson tornou a situação de Dirceu
insustentável, o que resultou no seu pedido de demissão na quinta-feira. O
ex-ministro, no entanto, justificou sua saída dizendo que reassumindo seu
posto no Congresso Nacional teria melhores condições de se defender das
acusações.

O mercado também recebeu positivamente a escolha de dois deputados da base
aliada para presidente e relator da CPI dos Correios, que pode
minimizar os impactos das investigações sobre o governo, além da edição da
“MP do Bem”, que reitera os esforços para levar adiante a votação de outras
importantes reformas.

No cenário econômico, a reunião do Copom (Comitê de Política Monetária) não
surpreendeu e manteve a taxa Selic em 19,75% ao ano, encerrando um ciclo de
nove aumentos na taxa básica de juros brasileira. Os investidores agora
aguardam a ata da reunião, que pode conter pistas em relação ao início das
quedas no juro.

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Cenário externo: petróleo segue preocupando

No cenário externo, o petróleo continuou preocupando, mesmo com a decisão da
Opep (Organização dos Paises Exportadores de Petróleo) de aumentar em 500
mil barris sua produção diária da commodity. Os analistas acreditam
que a maior preocupação do mercado é em relação à capacidade das
refinarias.

No entanto, a divulgação de indicadores positivos da economia
norte-americana trouxe certa tranqüilidade aos investidores. Com a inflação
e a demanda doméstica aparentemente sob controle, o mercado acredita que a
política gradualista de aumento dos juros no país deve ser mantida.

Ibovespa reage bem à melhora do cenário político

O dólar comercial encerrou a semana em queda de 3,44%, sendo cotado a R$ 2,3870 no
fechamento de sexta-feira, quando acabou encerrando a sessão com
desvalorização de 0,83%. A melhora do cenário político e o bom desempenho da
balança comercial pressionaram a moeda.

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No mercado de juros futuros, o contrato futuro com
vencimento em janeiro de 2007, que apresenta maior liquidez, projetou taxa
de 19,44% na sexta-feira, frente a uma taxa de 18,03% no encerramento da semana
anterior. Já a taxa anual do CDB pré-fixado de 30 dias fechou a 19,79%, pouco
abaixo da taxa de 19,84% da semana anterior.

Finalmente, o Ibovespa, principal índice da bolsa paulista, encerrou a
semana em alta de 4,58%, sendo cotado a 26,093 pontos. As noticias positivas do
cenário político também serviram para elevar o volume financeiro médio das
sessões, que ficou bem acima das sessões anteriores.

Investidores aguardam a ata do Copom

Na quarta semana de junho, além do desenrolar da crise política, os
investidores devem focar a divulgação da ata do Copom. O IPCA-15 (Índice de
Preços ao Consumidor – 15) também será anunciado.

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No cenário externo, a semana trará poucos indicadores, com destaque para o
Durable Good Orders, que mede o volume de pedidos e entregas de bens
duráveis na economia norte-americana e pode ser considerado como uma medida
de atividade econômica.