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SÃO PAULO – Apesar das boas notícias de cunho econômico, o nervosismo em relação ao cenário político limitou o desempenho do mercado brasileiro como um todo ao longo desta semana, levando tanto o dólar quanto os juros futuros a acumularem alta no período. Ainda assim, o Ibovespa, da bolsa paulista, acumulou ganhos na semana, recuperando-se de perdas anteriores.
Mercado continuou analisando queda dos preços
No aspecto econômico, os índices de preços divulgados foram o principal destaque. Neste sentido, a Fundação Getúlio Vargas divulgou a primeira prévia do IGP-M (Índice Geral de Preços – Mercado) de julho, apurando uma deflação de 0,17% no período. Também foi divulgado pela mesma instituição o IGP-DI (Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna), que apurou uma deflação de 0,70% no mês de junho.
Neste mesmo sentido, o IBGE divulgou dois importantes índices de preços: o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor – Amplo) e o INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor), ambos referentes a junho. Os dois indicadores surpreenderam o mercado ao mostrarem deflação no período, evidenciando que a queda dos preços já chegou ao varejo. Assim, o IPCA registrou variação negativa de 0,15% em junho, enquanto o INPC apurou uma deflação de 0,06% no mesmo mês.
Na sexta-feira, finalmente, a Fipe divulgou o IPC (Índice de Preços ao Consumidor) referente à primeira quadrissemana de julho. O índice apurou uma deflação de 0,25% no período, superior à queda de 0,16% registrada no mês fechado de junho. Com a queda consistente dos preços, ampliam-se as expectativas de que o Copom – Comitê de Política Monetária – promova cortes mais expressivos na taxa Selic durante suas próximas reuniões. Vale destacar que o mercado projeta um patamar de 21% para a Selic no final deste ano.
Turbulências marcaram cenário político na semana
As boas notícias relacionadas à queda dos preços, entretanto, não foram suficientes para impedir o nervosismo do mercado diante dos últimos fatos relacionados à tramitação das Reformas no Congresso Nacional. Neste sentido, o Planalto teve uma semana bastante agitada, com o crescimento das pressões para alteração dos projetos de reformas levando a base governista às suas primeiras concessões.
As turbulências começaram, dessa forma, com a greve dos servidores públicos federais, que reivindicavam, dentre outras coisas, a garantia do integralismo para aposentados do setor público. Após uma reunião com o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Maurício Corrêa, os Ministros da Previdência, Ricardo Berzoini, da Casa Civil, José Dirceu, e o presidente da Câmara dos Deputados, João Paulo Cunha, declararam que alterações no texto básico da Reforma da Previdência poderiam ser consideradas.
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Tal declaração, apesar de ser bem vista pelos servidores, foi mal avaliada pelo mercado em geral, visto que, embora não signifique uma grande diferença para os cofres da Previdência, esta atitude pode abrir espaço para que outros segmentos afetados pela Reforma reivindiquem alterações no texto, desconfigurando, dessa maneira, todo o projeto inicial. É importante que se diga que ainda não existe uma postura oficial do governo quanto ao assunto, de forma que esta deve ser definida ao longo da próxima semana.
Mercado norte-americano registrou bom desempenho
O início da safra de resultados corporativos referentes ao segundo trimestre colaborou para o bom desempenho do mercado acionário norte-americano, apesar de alguns indicadores econômicos desfavoráveis e também de fracos resultados de algumas empresas, como no caso do portal de internet Yahoo!. Dessa maneira, as boas perspectivas para o desempenho das companhias norte-americanas no trimestre possibilitaram ganhos dos principais índices acionários dos Estados Unidos.
Em relação ao mercado internacional de petróleo, as cotações da commodity acumularam forte alta de 5,11% na semana, encerrando o período com o barril tipo Brent cotado a US$ 29,00 no mercado de Londres. A elevação dos preços futuros do petróleo decorreu, basicamente, dos temores em relação à aproximação de uma tempestade tropical na região do Golfo do México, onde se localizam importantes refinarias e portos de importação da commodity dos Estados Unidos.
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Dólar e juros futuros acumularam alta na semana
Refletindo as tensões do mercado, frente à operação de rolagem de uma dívida cambial com vencimento em 17 de julho, o dólar acumulou alta de 1,94% na semana, fechando a última sexta-feira cotado a R$ 2,8940. Neste sentido, o Banco Central conseguiu rolar apenas 53% do principal de US$ 2,7 bilhões da referida dívida.
No mercado de juros futuros, por sua vez, a queda consistente dos preços não bastou para animar os investidores, que seguiram preocupados após as declarações do presidente do BC sobre um corte tímido da Selic em julho. Assim, o contrato futuro com vencimento em abril de 2004, que apresenta maior liquidez, projetou taxa de 21,72% nesta sexta-feira, frente a uma taxa de 21,40% na semana passada. Já a taxa anual do CDB pré-fixado de 30 dias fechou a 22,80%, frente a uma taxa de 25,10% registrada na semana anterior.
O Ibovespa, por sua vez, iniciou a semana apresentando um bom desempenho, dando continuidade, neste sentido, ao movimento de ganhos iniciado na semana anterior. Contudo, as incertezas no cenário político acabaram pressionando novas quedas no decorrer da semana, mas ainda assim, o índice acumulou leve alta de 0,44% no período.
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Mercado definirá apostas para Copom na próxima semana
Ao contrário desta semana, a terceira semana de julho deverá ser marcada pelo reduzido volume de eventos no Brasil, apesar do mesmo não ser aplicado ao mercado norte-americano, onde um grande número de indicadores será divulgado. No caso do Brasil, o destaque ficará com pesquisas divulgadas pelo IBGE: a Pesquisa Mensal do Comércio, a Pesquisa Industrial Mensal – Produção Física Regional e a Pesquisa Industrial Mensal do Emprego e Salário, todas relativas ao mês de maio.
No campo econômico, as apostas para o mercado em relação à decisão do Copom sobre a taxa Selic deverão encontrar maior definição na semana, de forma que os investidores continuarão atentos aos mínimos sinais fornecidos pelos membros do governo. O Planalto também deverá continuar como foco, destacando-se o processo de tramitação das Reformas e a decisão dos governadores no que diz respeito às alterações no projeto de Reforma da Previdência.
Nos Estados Unidos, por sua vez, serão divulgados indicadores como o NY Empire State, o Retail Sales, o CPI, o Core CPI, o Business Inventories, o Industrial Production, o Capacity Utilisation, o Housing Starts, o Philadelphia FED Index e o Michigan Sentiment Index.