Comentário da Semana: escândalo de corrupção pressionou o mercado

Denúncias de Roberto Jefferson aumentaram o clima de incerteza, mas indicadores da semana foram positivos

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SÃO PAULO – A segunda semana de junho foi bastante negativa para o mercado brasileiro, com o cenário conturbado pelas denúncias de corrupção no governo Lula. A inflação, no entanto, seguiu dando sinais de desaceleração. No cenário externo, Greenspan dividiu as atenções com a trajetória dos preços do petróleo.

Neste contexto, a bolsa brasileira encerrou a semana em forte queda de 5,37%, encerrando em queda quatro dos cinco pregões da semana. O dólar comercial, por sua vez, apresentou alta de 1,85%, com o aumento das incertezas em relação à economia brasileira. No mercado de renda fixa, os juros futuros fecharam em alta, assim como o risco país.

Cenário interno: escândalos afetam mercado

A semana foi marcada pela deterioração do cenário político, com o surgimento de acusações de corrupção contra membros do alto escalão do governo. Na segunda-feira, o deputado carioca Roberto Jefferson, presidente do PTB, denunciou um esquema que incluía o pagamento de “mesada” aos deputados que compunham a base aliada do governo. Segundo Jefferson, os ministros Dirceu e Palocci tinham conhecimento da prática, que foi eliminada somente após ordem do presidente Lula.

As acusações tiveram forte repercussão em Brasília, inclusive em vários setores da base aliada do governo, o que mudou a postura das lideranças em relação à investigação do escândalo. A oposição diz já possuir quase a totalidade das assinaturas para a instalação da CPI do “mensalão”, que investigará as denúncias de Jefferson, e os trabalhos da CPI dos Correios já foram iniciados durante a semana.

Em meio ao cenário conturbado, a inflação continua dando sinais de desaceleração no cenário doméstico. O IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) de maio apresentou sua menor variação desde outubro do ano passado, enquanto a deflação do IGP-DI (Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna) foi a maior desde junho de 2003.

Ainda que o aumento dos juros comece a impactar sobre a evolução dos preços, a imprensa revelou nesta sexta-feira que o presidente do BC, Henrique Meirelles, pode ser substituído pelo secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Murilo Portugal, em uma tentativa de melhorar a imagem do governo, já que Meirelles enfrenta investigação do Ministério Público. O governo, no entanto, negou a informação.

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Cenário externo: Greesnpan ataca pontos polêmicos

No cenário externo, dois pronunciamentos realizados pelo presidente do Fed, Alan Greenspan, concentraram as atenções do mercado. Na terça-feira, em uma tele-conferência com banqueiros chineses, Greenspan voltou a pedir que a China acelere o processo de flexibilização de sua moeda, o iuan, assunto que vem causando uma série de atritos entre os governos dos dois países.

Já na quinta-feira, em sabatina ao congresso norte-americano, o chairman da entidade afirmou que a economia do país segue em um ritmo razoavelmente sustentado e com a inflação sob controle. As palavras de Greenspan foram interpretadas como uma sinalização de que a política gradualista de aumento dos juros no país deve ser mantida.

Finalmente, com a aproximação da reunião da Opep (Organização de Países Exportadores de Petróleo), o petróleo voltou a preocupar os investidores. Apesar de o secretário de Energia dos Estados Unidos, Sam Bodman, ter aumentado o coro pelo aumento da produção da entidade na última segunda-feira, o cartel revelou que já é quase certa a manutenção dos atuais níveis durante os próximos meses.

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Ibovespa cai forte e dólar sobe

O dólar comercial encerrou a semana em alta de 1,85%, sendo cotado a R$ 2,4720 no fechamento de sexta-feira, quando acabou encerrando a sessão com desvalorização de 0,92%. Os investidores se mostraram bastante cautelosos em relação ao desenrolar das investigações de corrupção em Brasília.

No mercado de juros futuros, a tendência foi de alta. O contrato futuro com vencimento em janeiro de 2007, que apresenta maior liquidez, projetou taxa de 18,03% na sexta-feira, frente a uma taxa de 17,71% no encerramento da semana anterior. Já a taxa anual do CDB pré-fixado de 30 dias fechou a 19,84%, pouco acima da taxa de 19,82% da semana anterior.

Finalmente, o Ibovespa, principal índice da bolsa paulista, encerrou a semana em forte queda de 5,37%, sendo cotado a 24.951 pontos. O índice acionário recuou em quatro das cinco sessões realizadas durante a semana, também reagindo ao cenário político.

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Próxima semana: cenário político e Copom

Na terceira semana de junho, além do desenrolar da crise política, os investidores devem ficar atentos à reunião do Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central), que acontece na quarta-feira. A expectativa da maioria do mercado é de manutenção da taxa a 19,75% ao ano.

No cenário externo, o destaque fica com a divulgação dos índices de inflação norte-americanos. O PPI (Índice de Preços ao Produtor) sai na terça-feira, enquanto o CPI (Índice de Preços ao Consumidor) será anunciado na quarta-feira.