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SÃO PAULO – Com o cenário internacional atraindo para si a atenção dos investidores, em uma semana marcada pela reunião do Federal Reserve e também pela divulgação do Relatório do Emprego dos Estados Unidos, o mercado brasileiro como um todo apresentou um bom desempenho no período. A elevação do juro norte-americano em linha com o esperado pelos analistas e a perspectiva de maior gradualismo nas futuras decisões do Fed justificaram o maior otimismo dos investidores.
No cenário doméstico, por sua vez, além da influência exercida pelas expectativas quanto ao futuro do juro norte-americano, os investidores analisaram dados referentes à economia brasileira como um todo, especialmente mercado de trabalho e inflação. Dessa maneira, o dólar e os juros futuros acumularam queda na semana, enquanto o Ibovespa registrou forte alta.
Sinais de gradualismo com juro dos EUA anima mercado
De uma maneira geral, o grande destaque da semana ficou mesmo com as expectativas em torno da reunião do Fed, ocorrida entre terça-feira e quarta-feira. Em linha com as expectativas do mercado, a autoridade monetária dos Estados Unidos elevou o juro em 25 pontos base, de 1,0% ao ano para 1,25% ao ano. Vale destacar que a elevação do juro levou em conta, basicamente, os sinais de maior reaquecimento da economia dos EUA e também o avanço dos preços dentro de um limite considerado aceitável pelo Fed.
Neste sentido, a percepção de que o juro dos Estados Unidos deve subir sim, mas de uma maneira gradual, agradou bastante ao mercado, que ganhou maior fôlego após a reunião da autoridade monetária. Reforçando a idéia de gradualismo na condução da política monetária norte-americana, foi divulgado na sexta-feira o Relatório do Emprego dos Estados Unidos, que mostrou, basicamente, que o mercado de trabalho norte-americano está crescendo em uma velocidade mais lenta que o esperado.
Neste contexto, o número de novos postos de trabalho criados na economia norte-americana cresceu menos que o esperado em junho, mostrando que a maior economia do globo realmente está se expandindo, mas não tanto quanto esperavam os analistas. Isto significa que a economia dos Estados Unidos ainda não comporta aumentos mais bruscos da taxa básica de juro local.
Em outras palavras, o Federal Reserve deverá seguir com sua política de gradualismo na condução da taxa básica de juro dos Estados Unidos ao longo dos próximos meses, o que é amplamente favorável para os países emergentes, dentre eles o Brasil. Vale lembrar, neste sentido, que um aumento brusco no juro dos EUA poderia ocasionar uma fuga de capitais da economia brasileira, reduzindo a demanda por ativos locais.
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No Brasil, desemprego surpreende e recua em maio
Mas não foi somente do cenário internacional que vieram as boas notícias, já que os indicadores divulgados sobre a economia brasileira também foram bastante satisfatórios. Neste sentido, vale destacar a Pesquisa do Emprego e Desemprego, feita em conjunto pela Fundação Seade e pelo Dieese (Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Sócio-Econômicos), que mostrou um recuo da taxa de desemprego na Região Metropolitana de São Paulo.
Dessa maneira, a taxa de desemprego na RMSP caiu para 19,7% da PEA (População Economicamente Ativa) em maio, com o total de desempregados passando, em termos absolutos, de 2,044 milhões em abril para 1,960 milhão em maio. Vale destacar que grande parte do mercado apostava em uma elevação da taxa de desemprego no período, de forma que o anúncio do Seade/Dieese também contribuiu para o maior ânimo dos investidores.
Mercado norte-americano teve fraco desempenho
Com relação ao mercado norte-americano, por sua vez, a semana foi marcada por um fraco desempenho das principais bolsas locais. Neste sentido, apesar do Fed ter sinalizado uma postura gradualista no que se refere à elevação do juro norte-americano, os efeitos do Relatório do Emprego foram sentidos de maneira distinta pelo mercado norte-americano. Além disso, o cenário geopolítico continuou trazendo preocupações aos investidores norte-americanos.
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Neste sentido, destaque para as declarações do ministro do Petróleo da Arábia Saudita, segundo as quais o preço do barril de petróleo se encontra em um nível justo. Além disso, a queda, ainda que ligeira, dos estoques norte-americanos da commodity também impulsionou o preço do barril. Dessa maneira, o preço do barril tipo Brent, negociado no mercado de Londres, encerrou cotado a US$ 35,92, o que representa uma alta de 2,72% na semana.
Dólar e juros futuros acumularam queda
No mercado de câmbio, o comportamento do dólar também refletiu as perspectivas de gradualismo na condução da política monetária norte-americana, levando a moeda a atingir o seu menor patamar em quase dois meses. Com isso, a divisa fechou em queda de 2,28% na semana, cotada a R$ 3,04.
No mercado de juros futuros, por sua vez, a tendência também foi de queda. Assim, o contrato futuro com vencimento em janeiro de 2005, que apresenta maior liquidez, projetou taxa de 16,27% nesta sexta-feira, frente a uma taxa de 16,69% no início da semana. Já a taxa anual do CDB pré-fixado de 30 dias fechou a 16,31%, configurando uma leve alta frente à taxa registrada na semana anterior.
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O Ibovespa, por sua vez, registrou expressivos ganhos ao longo da semana, com os investidores mais otimistas diante da perspectiva de elevação gradual do juro dos Estados Unidos e também pelo cenário doméstico. Além disso, os papéis de teles fixas impulsionaram o principal índice da bolsa paulista, após o STJ (Supremo Tribunal de Justiça) estabelecer o IGP-DI (Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna) como índice de reajuste tarifário. Assim, o Ibovespa acumulou ganhos de 3,94%.
Inflação será destaque na próxima semana
Após uma semana marcada pelo grande destaque do cenário internacional, a segunda semana de julho será marcada pela maior atenção para indicadores domésticos, já que importantes índices de preços serão divulgados no período. Neste sentido, a Fipe divulgará o seu IPC (Índice de Preços ao Consumidor) referente ao mês de junho, enquanto o Dieese divulga o ICV (Índice do Custo de Vida) referente a igual período.
Ainda no âmbito dos índices de preços, a Fundação Getúlio Vargas divulgará a primeira prévia de julho do IGP-M (Índice Geral de Preços – Mercado) e também o IGP-DI de junho. Já o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgará o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor – Amplo) e também o INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor), ambos referentes a junho.
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Nos Estados Unidos, por sua vez, a semana será mais curta, em função do feriado do Independence Day, na segunda-feira. No restante da semana, destaque para a divulgação do ISM Services, do Consumer Credit e também do Wholesale Inventories.