Comentário da semana – economia e política foram destaques

Em semana marcada por queda da inflação e cenário político mais calmo, tanto os juros futuros quanto o dólar caíram

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SÃO PAULO – Com a maior tranqüilidade no campo político em torno das questões que envolvem o caso Waldomiro e a inflação abaixo do esperado em fevereiro, no âmbito econômico, o mercado brasileiro como um todo apresentou um bom desempenho na primeira semana de março. Dessa maneira, tanto o dólar quanto os juros futuros acumularam queda no período, enquanto a bolsa fechou em forte alta.

No campo corporativo, vale salientar ainda a transferência de controle da AmBev para a cervejaria belga Interbrew, criando a maior cervejaria do mundo em termos de produção, movimentando bastante o mercado de ações brasileiro, ao reacender a polêmica referente ao tratamento aos acionistas minoritários.

Cenário político foi mais tranqüilo

A esfera política, apesar de mais tranqüila, seguiu tomando a atenção dos investidores durante toda a semana. Após ter adiado algumas vezes a apresentação do requerimento da instalação da CPI (Comissão Parlamentar de Inquéritos) dos bingos, o líder do PL no Senado, Magno Malta (ES), finalmente encaminhou o pedido de abertura das investigações na quinta-feira.

Apesar disso, as frustradas tentativas do senador Almeida Lima (PDT-SE) de apresentação de provas que comprometessem José Dirceu, na terça-feira, aumentaram a margem de manobra do governo para bloquear a instalação de qualquer CPI para apurar o episódio.

De fato, a CPI dos bingos está praticamente inviabilizada no Senado, tendo em vista que a base aliada do governo anunciou que não indicará os integrantes de seus partidos para a composição da comissão. Segundo os governistas, a abertura de CPIs em um ano eleitoral tornaria o Senado um palanque de embates políticos entre governo e oposição.

Inflação e AmBev foram destaque

No cenário econômico, o destaque fica para a surpresa positiva que o IPC da Fipe trouxe ao mercado, ao apurar que a inflação para o mês fechado de fevereiro foi de apenas 0,19%, frente a uma expectativa do mercado de 0,35%. Esse resultado também ficou bem abaixo do registrado em janeiro e dezembro, 0,65% e 0,42%, respectivamente, revelando uma menor alta nos preços dos alimentos, transporte e educação.

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O campo corporativo chamou grande atenção nesta semana, após a confirmação da negociação entre a AmBev e a belga Interbrew, o que cria a maior cervejaria do mundo, responsável por 15% do volume total de cerveja produzido no mundo. De acordo com o negociado, a Interbrew assumirá controle de 52,8% das ações com direito a voto da AmBev, já no primeiro momento.

Ainda como parte da negociação, a AmBev irá incorporar a subsidiária canadense da Interbrew, a Labatt, que controla 30% das ações da mexicana Femsa e 70% da Labatt USA. Para tanto, a AmBev irá emitir 9,5 bilhões de ações ordinárias mais 13,8 bilhões de ações preferenciais, além de assumir uma dívida de US$ 1,5 bilhão.

Mercado norte-americano apresenta bom desempenho

O mercado norte-americano, como um todo, também apresentou um bom desempenho durante a semana, apesar do fraco indicador sobre o mercado de trabalho da sexta-feira ter limitado os ganhos dos principais índices acionários do país.

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O destaque ficou, portanto, com o Employment Report, ao registrar a criação de apenas 21 mil novos postos de trabalho nos EUA em fevereiro, tendo em vista que os analistas esperavam a criação de 125 mil novos postos. Tal fato levantou novamente a questão sobre a consistência da recuperação da maior economia do mundo.

No mercado de petróleo, por sua vez, a commodity apresentou alta de 3,48% na semana, de forma que o barril do tipo Brent, negociado no mercado de Londres, encerrou o período cotado a US$ 33,35. Tal movimento decorreu basicamente das preocupações de que a agitação política na Venezuela possa limitar o envio do produto aos Estados Unidos.

Dólar e juros futuros caíram

Assim, o dólar acumulou queda na semana, com ingressos de recursos em meio ao ambiente político mais tranqüilo, uma vez que investidores acreditam que a CPI dos Bingos e também do caso Waldomiro Diniz não seja instalada. Além disso, ajudou na queda do dólar o fraco indicador nos EUA.
Dessa maneira, a moeda norte-americana acumulou queda de 1,27% na semana, fechando cotada a R$ 2,8690.

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No mercado de juros futuros a tendência também foi de queda, refletindo a desaceleração inflacionária refletida no indicador IPC da Fipe. Assim, o contrato com vencimento em janeiro de 2005, que apresentou maior liquidez, projetou taxa de 15,49% nesta sexta-feira, frente a uma taxa de 15,71%. Já a taxa anual do CDB pré-fixado de 30 dias fechou a 16,12%, configurando uma queda frente à taxa registrada na semana anterior.

O Ibovespa, por sua vez, teve uma semana marcada por um bom desempenho, com os investidores analisando a queda da inflação e também a operação entre a AmBev e a Interbrew. Vale destacar que o cenário político também influenciou o desempenho da Bovespa no período. Dessa maneira, o principal índice da bolsa paulista acumulou alta de 5,14% no período, com destaque especial para a forte alta de ações ordinárias, impulsionadas pela transação entre a AmBev e Interbrew.

Índices de preços serão destaque na 2ª semana de março

A segunda semana de março, por sua vez, será marcada por diversos índices de preços e a divulgação da Pesquisa Industrial Mensal – Produção Física Brasil, pelo IBGE.

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Os índices de preços que serão divulgados são o IGP-DI referente a fevereiro e a primeira prévia de março do IGP-M, da Fundação Getúlio Vargas, além do INPC e o IPCA do IBGE, ambos referentes a fevereiro.
Nos Estados Unidos, serão divulgados: o Trade Balance, o Whole Sales, Initial Clamis, Retail Sales, Treasury Budget, Business Inventories, Current Account, PPI and Core PPI e Michigan Sentiment Index.