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SÃO PAULO – Em uma semana na qual os investidores concentraram-se na análise dos índices de preços divulgados para fazerem suas apostas em relação à decisão do Copom (Comitê de Política Monetária) sobre a taxa básica de juro, o mercado brasileiro como um todo teve um bom desempenho, de forma que os juros futuros e o dólar acumularam queda do período.
Falta de consenso sobre decisão do Copom
Dessa maneira, no âmbito das notícias econômicas, a semana foi marcada por uma grande safra de índices de preços, que, em seu conjunto, servirão de referencial para o Copom tomar sua decisão durante a reunião mensal da autoridade monetária entre os dias 17 e 18 de junho. O comportamento divergente dos índices divulgados ao longo da semana, porém, criou um ambiente de indefinição dentre as projeções do mercado quanto à decisão do Copom.
Neste sentido, a primeira prévia de junho do IGP-M (Índice de Geral de Preços – Mercado), divulgada pela Fundação Getúlio Vargas, apurou uma deflação de 0,47% no período, superando positivamente as expectativas do mercado, que oscilavam entre uma deflação de 0,1% e uma inflação de 0,1%. O IGP-DI (Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna), por sua vez, apontou deflação de 0,67% em maio, contra as expectativas do mercado, que apontavam para deflação de 0,1%.
A variação negativa dos IGPs decorreu, basicamente, da forte queda dos preços no atacado. Contudo, os preços ao consumidor ainda mostram um certo grau de resistência, fato que preocupou bastante o mercado. Dessa maneira, o IPC (Índice de Preços ao Consumidor) da Fipe apurou uma inflação de 0,28% na primeira quadrissemana de junho, abaixo da inflação de 0,31% medida pelo índice em maio. Nota-se que, apesar do recuo, o índice permanece no intervalo entre 0,25% e 0,35%, denotando uma resistência a maiores quedas.
Palocci declarou que inflação recua menos que o esperado
Dando continuidade à safra de indicadores inflacionários, o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgou o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor – Amplo) referente a maio, apurando uma inflação de 0,61% no referido mês. Tal patamar corresponde à menor variação do índice desde junho de 2002 e também configura uma queda em relação à variação do índice em abril, que foi de 0,97%.
Apesar do recuo apresentado pelo IPCA, vale destacar que a inflação medida pelo índice ficou além das expectativas do mercado, que apontavam para uma variação positiva de 0,50% no mês. Dessa maneira, o Ministro da Fazenda, Antonio Palocci, declarou, ao longo da semana, que a inflação tem cedido, porém menos que o esperado pela equipe econômica, dando a entender que a autoridade monetária poderá, neste sentido, adotar novamente uma postura conservadora em relação à taxa Selic.
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Tesouro faz segunda emissão soberana no ano
Confirmando os rumores que rondavam o mercado desde a semana anterior, o Tesouro Nacional emitiu, na última terça-feira, US$ 1,25 bilhão em euronotes com vencimento em 10 anos e yield de 10,58% ao ano. O cupom, por sua vez, foi de 10,25% com spread de 738 pontos base em relação aos Treasuries norte-americanos.
A operação surpreendeu positivamente o mercado, que projetava uma emissão de US$ 1,0 bilhão em bônus soberanos. Vale destacar que se trata da segunda emissão soberana feita pelo Tesouro no ano, sendo que a primeira ocorreu no final de abril, quando foi emitido US$ 1,0 bilhão em bônus com vencimento de 4 anos. Rumores dão conta que o governo pretende emitir cerca de US$ 3,0 bilhões no total de 2003.
Mercado norte-americano teve desempenho limitado
Em uma semana marcada por dois profit warnings de importantes empresas do setor de telecomunicações – a Motorola e a Nokia, o mercado acionário norte-americano registrou um fraco desempenho no período. Também abalaram o ânimo dos investidores os fracos indicadores conjunturais divulgados na semana, com destaque para o relatório Beige Book, do Federal Reserve (Fed), e o índice preliminar da confiança do consumidor.
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Neste sentido, a atividade econômica dos Estados Unidos continua dando sinais de fraqueza, apresentando uma recuperação bastante tímida em alguns estados. Com isso, ampliam-se as incertezas do mercado em relação ao desempenho econômico dos EUA nos próximos meses, acarretando, dessa maneira, uma redução da confiança do consumidor.
No mercado de petróleo, por sua vez, a decisão da OPEP em manter as cotas de produção dos países-membros em 25,4 milhões de barris diários animou os investidores, levando a commodity a encerrar a semana cotada a US$ 26,39 por barril, o que representa uma baixa acumulada de 3,26% no período. Contribuiu também para a forte queda do petróleo o relatório da Agência Internacional de Energia, apontando maiores estoques mundiais da commodity.
Dólar e juros futuros registraram forte queda
Após uma semana de forte volatilidade, em função da apreensão do mercado por conta de leilões de cambiais do Banco Central, o dólar fechou o pregão da última sexta-feira cotado a R$ 2,8420, acumulando, assim, uma expressiva queda de 1,66% na semana. O principal fator que condicionou a queda do dólar foram as captações de empresas brasileiras no mercado externo, com destaque para o Banco Safra, o Unibanco, a Sabesp e a Usiminas. Dessa maneira, o dólar atingiu seu menor patamar desde o dia 12 de julho de 2002, quando fechou em R$ 2,813.
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Apesar da divergência das apostas dos investidores em relação à decisão do Copom sobre a Selic, o mercado de DI futuro apresentou um bom desempenho, de modo que os juros futuros encerraram a semana em baixa. Assim, o contrato futuro com vencimento em janeiro de 2004, que apresenta maior liquidez, projetou taxa de 23,16% nesta sexta-feira, frente a uma taxa de 23,75% na semana passada. Já a taxa anual do CDB pré-fixado de 30 dias fechou a 25,90%, frente a uma taxa de 26,00% registrada na semana anterior.
Entretanto, o bom desempenho do mercado cambial e do mercado de juros futuros não se estendeu à bolsa paulista, de forma que o Ibovespa fechou a semana com baixa acumulada de 1,36%, denotando um movimento de realização de lucros frente aos fortes ganhos registrados nos pregões da semana anterior.
Já o C-Bond fechou a semana cotado a 92,31 centavos de dólar, acumulando ligeira alta de 0,47% na semana. O risco país atingiu, assim, 726 pontos base, uma alta de dois pontos base frente à semana anterior.
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Reunião do Copom será destaque na próxima semana
Apesar de mais curta, em função do feriado religioso de Corpus Christi, a próxima semana será bastante agitada, tanto no mercado interno quanto no externo. Em relação ao mercado brasileiro, de forma específica, o ritmo do mercado deverá ser ditado pela reunião do Copom, entre terça-feira e quarta-feira, e também pela divulgação de novos índices de preços.
Dessa maneira, a Fipe divulgará o IPC referente à segunda quadrissemana de junho, enquanto a Fundação Getúlio Vargas também divulgará a segunda prévia de junho do IGP-M. Também será divulgado pela FGV o IGP-10, referente ao mês de junho. Além da reunião do Copom, terá destaque na agenda de eventos do BC a divulgação da Nota do Mercado Aberto.
No mercado norte-americano, por sua vez, importantes indicadores serão divulgados, dentre eles o New York Empire State, o CPI, o Core CPI, o Housing Starts, o Building Permits, o Industrial Production, o Capacity Utilization, o Treasury Budget e o Leading Indicators.