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SÃO PAULO – Com as atenções do mercado direcionadas para a reunião do Copom (Comitê de Política Monetária) e também para a Reforma Tributária, o mercado brasileiro como um todo teve um bom desempenho na terceira semana de dezembro, de forma que o dólar caiu, enquanto os juros futuros acumularam alta no período.
Copom reduziu Selic para 16,5% ao ano
Na pauta econômica, o principal destaque da semana certamente ficou com a reunião do Copom, que anunciou, na quarta-feira, o corte da taxa básica de juro da economia brasileira em 100 pontos base, de forma que esta passou de 17,5% ao ano para 16,5% ao ano, em linha com as expectativas do mercado.
O principal motivo que conduziu o Copom a decidir por uma nova redução da Selic diz respeito aos fracos sinais dados pela atividade interna da economia, sobretudo no que se refere à produção industrial e às vendas no varejo. Com relação à produção industrial brasileira, os dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) mostram que houve um recuo de 0,5% em outubro, tomando-se como base de comparação o mês anterior, na série livre de influências sazonais.
Além disso, é necessário destacar que a inflação segue sob controle, pelo menos de acordo com os índices de preços recentemente divulgados. Neste sentido, a segunda prévia de dezembro do IGP-M (Índice Geral de Preços – Mercado) apurou uma inflação de 0,46% no período, enquanto o IGP-10 (Índice Geral de Preços – 10) avançou 0,59% em dezembro. O IPCA-15 (Índice de Preços ao Consumidor – Amplo), por sua vez, registrou uma variação positiva de 0,46% em dezembro.
Outro índice divulgado na semana foi o IPC (Índice de Preços ao Consumidor) da Fipe, que apurou uma inflação de 0,27% na segunda quadrissemana de dezembro, apresentando uma ligeira aceleração frente à variação positiva de 0,22% registrada na quadrissemana anterior.
PIB do país atinge R$ 1,1 trilhão entre janeiro e setembro
Outro destaque dentre as notícias de teor econômico ficou com resultado das Contas Nacionais Trimestrais, divulgado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), onde foi verificado que o PIB (Produto Interno Bruto), medido a preços de mercado, atingiu R$ 1,1 trilhão nos primeiros três trimestres do ano, sendo R$ 992 bilhões de valor adicionado e R$ 117,8 bilhões de Impostos sobre Produtos.
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Entre os componentes da demanda, o consumo das famílias foi de R$ 365 bilhões, enquanto o consumo do governo atingiu R$ 200,4 bilhões e a formação bruta de capital fixo totalizou R$ 199,6 bilhões. O bom desempenho do setor externo brasileiro garantiu um saldo positivo de R$ 40,8 bilhões da balança de bens e serviços, como resultado de exportações da ordem de R$ 187,97 bilhões e importações de R$ 147,147 bilhões.
Reformas são promulgadas pelo Congresso
Do lado político, o Senado concluiu durante a semana a votação da Reforma Tributária em segundo turno no plenário da Casa, de forma que a matéria foi aprovada com 64 votos favoráveis e 5 contrários, com uma boa margem, já que eram necessários 49 votos para que o projeto passasse pelo plenário. Após a aprovação, o texto, em conjunto com a Reforma da Previdência, foi promulgado pelo Congresso Nacional.
De acordo com a proposta, as modificações decorrentes da Reforma Tributária serão implementadas em três fases, a primeira em 2004 a segunda em 2005 e 2006 e a última no ano de 2007. A primeira fase visa garantir o equilíbrio das contas públicas da União no curto prazo por meio da prorrogação da CPMF (Contribuição Provisória sobre a Movimentação Financeira) por mais quatro anos e da DRU (Desvinculação dos Recursos da União).
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Mercado norte-americano teve bom desempenho
Nos Estados Unidos, as principais bolsas locais também tiveram um bom desempenho na semana, de forma que o índice Dow Jones se sustentou acima dos 10 mil pontos durante o período. O foco dos investidores, além das notícias de cunho corporativo, ficou com os indicadores conjunturais divulgados, dentre eles aqueles referentes ao setor imobiliário e à atividade econômica na região do Fed da Philadelphia.
No mercado de petróleo, os preços do barril tipo Brent acumularam queda de 1,05%, encerrando a semana cotados a US$ 30,05. Tal queda ocorreu mesmo com os sinais consistentes de maior demanda, após os estoques norte-americanos da commodity terem registrado forte queda de 5,1 milhões de barris na semana anterior.
Dólar caiu e juros futuros subiram
No mercado cambial, o dólar encerrou em leve queda de 0,51% na semana, fechando cotado a R$ 2,9230. O comportamento da moeda norte-americana refletiu, basicamente, o maior otimismo dos investidores com as perspectivas de novas captações privadas, além da melhora no quadro político e econômico do país com a promulgação das reformas estruturais.
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No mercado de juros futuros, por sua vez, a tendência foi de alta, refletindo um movimento de ajuste após o novo corte da Selic. Assim, o contrato futuro com vencimento em abril de 2004, que apresenta maior liquidez, projetou taxa de 15,82% nesta sexta-feira, frente a uma taxa de 15,75% na semana passada. Já a taxa anual do CDB pré-fixado de 30 dias fechou a 16,16%, muito abaixo da taxa registrada na semana anterior.
A bolsa paulista, por sua vez, acumulou ganhos no período, refletindo as expectativas em relação à decisão do Copom e também várias notícias corporativas. Dessa maneira, o índice Bovespa acumulou ganhos de 1,96% na semana, com destaque para os papéis da fabricante de aeronaves Embraer.
Natal encurtará quarta semana de dezembro
A quarta semana de dezembro deverá ser pouco agitada tanto no mercado brasileiro quanto no norte-americano, em função do feriado de Natal. No Brasil, serão divulgadas a Pesquisa Mensal do Emprego, pelo IBGE, enquanto o Banco Central divulgará a Nota da Política Monetária, a Nota da Política Fiscal e a Ata do Copom.
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Nos Estados Unidos, por sua vez, serão divulgados os seguintes indicadores: Personal Income, Personal Spending, GDP, Michigan Sentiment, Durable Good Orders e New Home Sales.