Comentário da semana – corte da Selic trouxe maior otimismo

Decisão inusitada do Copom trouxe otimismo e mercado brasileiro teve bom desempenho: dólar e juros futuros caíram

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SÃO PAULO – Refletindo o maior otimismo após o corte maior que o esperado da Selic pelo Copom (Comitê de Política Monetária) e também com o acordo entre governo e oposição para votação das reformas estruturais até o final deste ano, o mercado brasileiro como um todo apresentou um bom desempenho na terceira semana de novembro. Assim, tanto o dólar quanto os juros futuros apresentaram queda na semana.

Copom surpreende e corta Selic em 150 pontos base

Em termos econômicos, o principal destaque da semana ficou, certamente, com a decisão do Copom de cortar a taxa básica de juro da economia brasileira em 150 pontos base, de modo que esta passou de 19,0% ao ano para 17,5% ao ano. Assim, a decisão da autoridade monetária trouxe bastante surpresa ao mercado, que projetava um corte de apenas 100 pontos base na Selic.

Também tiveram destaque no período, importantes índices de preços, que continuaram mostrando uma tendência de recuo da inflação. Neste sentido, o IPC (Índice de Preços ao Consumidor) das Fipe apurou uma inflação de 0,37% na segunda quadrissemana de novembro, o que corresponde a uma desaceleração frente à variação positiva de 0,52% registrada na segunda quadrissemana do mês.

A Fundação Getúlio Vargas, por sua vez, divulgou a segunda prévia de novembro do IGP-M (Índice Geral de Preços – Mercado), que registrou um avanço de 0,38%, em linha com as expectativas, além do IGP-10 (Índice Geral de Preços – 10), que apurou uma inflação de 0,45% em novembro, frente a uma alta dos preços de 0,67% em outubro. O IPCA-15 (Índice de Preços ao Consumidor Amplo – 15) subiu 0,17% em novembro, bem abaixo da inflação de 0,66% registrada em outubro.

Governo e oposição fecham acordo para votar Reformas

No âmbito político, por sua vez, as atenções voltaram-se para as negociações entre governo e oposição para acelerar o calendário das Reformas. Neste sentido, no início da semana, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva concordou com a proposta do senador tucano Tasso Jereissati (PSDB-CE) de “fatiar” a Reforma Tributária em três etapas, de forma que a primeira seja concluída ainda este ano.

Dessa maneira, pontos mais urgentes para o governo, como a prorrogação da CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira) e da DRU (Desvinculação das Receitas da União) deverão ser votados ainda este ano. Outros pontos de interesse menos imediatos para o Planalto serão diluídos nas duas outras fases, uma que deverá ser concluída em 2005 e a terceira em 2007, de acordo com os planos do governo.

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Além disso, o acordo ainda fixa 2007 como o início da implantação do Imposto sobre Valor Agregado (IVA) e dá um passo adiante na idéia de simplificar o sistema tributário nacional. Mesmo a idéia de unificar os impostos federais, estaduais e municipais sendo antiga, ainda há muita divergência, inclusive entre os negociadores do acordo, o líder do governo no Senado, Aloizio Mercadante (PT-SP), e o senador Tasso Jereissati.

Terrorismo afetou desempenho dos mercados externos

Apesar do maior otimismo no mercado doméstico, a mesma regra não é válida para o mercado internacional, que apresentou um fraco desempenho no período, sobretudo em função dos novos atentados terroristas ocorridos na Turquia e no Iraque ao longo da semana. Além disso, as ameaças da rede terrorista Al-Qaeda, liderada pelo inimigo número um dos Estados Unidos, Osama Bin Laden, que voltou a fazer novas ameaças a países europeus e aos Estados Unidos pressionou os mercados externos.

A suspeita de um ataque terrorista fez até mesmo a Casa Branca ser evacuada na quinta-feira. Assim, as bolsas em todo o mundo tiveram um desempenho bastante fraco, de forma que nos Estados Unidos, o mercado acionário local apresentou queda na terceira semana de novembro, mesmo diante dos bons indicadores conjunturais divulgados. Destaque, neste sentido, para os bons indicadores referentes ao mercado imobiliário e para a queda do número de auxílio-desemprego.

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No mercado de petróleo, por sua vez, o barril do tipo Brent, negociado em Londres e adotado como referencial de preços, acumulou queda de 0,68%, encerrando a semana cotado a US$ 29,36, após os estoques norte-americanos apresentarem uma elevação maior que a esperada na semana terminada em 14 de novembro. Contudo, os temores em relação aos atentados terroristas inibiram uma maior queda na cotação do petróleo.

Dólar e juros futuros acumularam queda

No mercado cambial, o dólar acumulou queda de 0,92% na semana, fechando cotado a R$ 2,9230. O comportamento da moeda norte-americana refletiu, basicamente, as perspectivas, por parte do mercado, de novas captações privadas no mercado externo, além do maior otimismo trazido pelo corte da Selic. A rolagem de 15,1% do vencimento cambial de US$ 2,26 bilhões de 1º de dezembro também foi bem recebida pelo mercado.

No mercado de juros futuros, por sua vez, a tendência foi de queda, refletindo o corte maior que o esperado da taxa básica de juro. Assim, o contrato futuro com vencimento em abril de 2004, que apresenta maior liquidez, projetou taxa de 16,40% nesta sexta-feira, frente a uma taxa de 17,38% na semana passada. Já a taxa anual do CDB pré-fixado de 30 dias fechou a 17,90%, abaixo da taxa registrada na semana anterior.

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O mercado acionário paulista, por sua vez, reagiu muito bem ao corte de 150 pontos base da Selic, ganhando novo fôlego e atingindo recorde histórico de fechamento. Dentre os papéis negociados, tiveram destaque positivo as ações da Eletropaulo e do Banco do Brasil. Dessa maneira, o Ibovespa acumulou alta de 1,38% na semana.

Índices de preços serão foco na última semana do mês

A quarta e última semana de novembro será marcada pela divulgação de importantes índices de preços tanto no mercado doméstico quanto no norte-americano. No Brasil, serão divulgados importantes índices de preços, como o IPC da Fipe referente à terceira quadrissemana de novembro e o IGP-M, da Fundação Getúlio Vergas, referente ao mês fechado de novembro.

O Banco Central também fará importantes divulgações, como a Nota da Política Monetária e das Operações de Crédito, a Ata do Copom e a Nota da Política Fiscal. Destaque também para o Resultado do Tesouro Nacional. Além disso, o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgará os resultados das Contas Nacionais.

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Nos Estados Unidos, serão divulgados importantes indicadores: GDP, o Consumer Confidence, o Existing Home Sales, o Personal Income, o Personal Spending, o Durable Good Orders, o New Home Sales, o Michigan Sentiment e o Chicago PMI.