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SÃO PAULO – A terceira semana de fevereiro foi marcada pela decisão, já aguardada pelo mercado, da autoridade monetária de elevar a taxa básica de juro da economia brasileira, a Selic, para 18,75% ao ano. Além disso, o mercado analisou a forte aceleração da inflação no atacado norte-americano. No cenário econômico doméstico, as expectativas de inflação apresentaram queda e o IPCA desacelerou em janeiro.
Neste contexto de otimismo, o risco país caiu e a bolsa brasileira encerrou a semana em alta, com o Ibovespa chegando a operar acima do patamar de 27.000 pontos, o mais elevado da história. Com a elevação da Selic, os juros futuros apresentaram alta e o dólar encerrou a semana em queda.
Cenário político, inflação e política monetária em foco
A semana teve início com a divulgação do relatório Focus do Banco Central, que revelou uma queda nas expectativas de inflação,após seguidas semanas de alta ou estabilidade. Para a inflação medida pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor – Amplo), a mediana das projeções do mercado no ano caiu de 5,75% para 5,74%.
Como a maioria dos índices de preços apresentados nesta semana revelou desaceleração da inflação, as expectativas do mercado podem cair ainda mais, especialmente por que o IPCA de janeiro subiu menos do que o esperado, apresentando variação de 0,58%, enquanto o mercado esperava uma variação de 0,60%.
Copom elevou a Selic para 18,75% ao ano
Apesar da desaceleração do IPCA e das menores expectativas de inflação, o Copom, Comitê de Política Monetária do Banco Central, optou por elevar a taxa básica de juro da economia brasileira, a Selic, em 50 pontos base, de 18,25% para 18,75% ao ano. De acordo com analistas, o núcleo do IPCA e as expectativas de inflação continuam incompatíveis com as metas.
No cenário político, a derrota sofrida pelo Governo na Câmara dos Deputados trouxe temores com relação à capacidade do Governo de implementar seus projetos. O deputado Severino Cavalcanti, do PP do Pernambuco, foi eleito o novo presidente da Câmara dos Deputados, derrotando o candidato oficial do PT, Luiz Eduardo Greenhalg.
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Cenário externo: economia dos EUA em foco
No cenário externo, o destaque ficou por conta das perspectivas para o rumo da economia norte-americana. As vendas no varejo, excluídas as vendas de automóveis, que apresentam um comportamento bastante volátil, medidas pelo Retail Sales ex-Auto apresentaram alta de 0,6% em janeiro, acima das expectativas e do crescimento do mês anterior. Incluindo o desempenho dos automóveis, porém, houve queda nas vendas.
O mercado de trabalho também apresentou melhora. O indicador que mede o número de pedidos de auxílio-desemprego nos Estados Unidos, o Initial Claims, registrou 302 mil pedidos, muito abaixo das expectativas do mercado e abaixo do indicador anterior, o que indica uma possível melhora do mercado de trabalho norte-americano.
Inflação no atacado apresentou aceleração
No que se refere ao comportamento dos preços no atacado, o Core PPI, que exclui os itens mais voláteis, registrou inflação de 0,8%, muito acima do esperado pelo mercado, enquanto o revisado do mês anterior apurou inflação de 0,2%. O PPI, que inclui os itens mais voláteis, subiu 0,3%, em linha com o esperado.
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Caso a melhora do mercado de trabalho se confirme e se a inflação continuar apresentando um comportamento de aceleração, pode haver uma aceleração do ritmo de elevações do juro básico dos EUA. Outro fator externo que trouxe preocupação foi o desempenho das economias da Alemanha, Itália, Japão e Holanda, já que o PIB (Produto Interno Bruto) das quatro economias apresentou queda no último trimestre de 2004.
Dólar cai e juros futuros sobem na semana
O dólar comercial encerrou a semana em queda de 1,19%, cotado a R$ 2,573 no fechamento de sexta-feira, quando acabou encerrando a sessão em alta de 0,39%. Ao longo da semana, a moeda norte-americana chegou a operar próximo a R$ 2,55, no patamar mais baixo desde junho de 2002.
No mercado de juros futuros, por sua vez, a tendência foi de alta. Assim, o contrato futuro com vencimento em janeiro de 2006, que apresenta maior liquidez, projetou taxa de 18,85% na sexta-feira, frente a uma taxa de 18,69% no encerramento da semana anterior. Já a taxa anual do CDB pré-fixado de 30 dias também refçetiu a elevação do juro básico e fechou a 18,86%, alta em relação à taxa de 18,59% da semana anterior.
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O Ibovespa, que mostrou forte volatilidade durante a semana, encerrou em leve alta de 0,32%. Dessa maneira, o índice Bovespa recuperou as perdas acumuladas no ano e chegou a atingir seu patamar de fechamento mais alto da história no pregão de quinta-feira, para depois recuar e fechar a semana a 26.756 pontos.
Próxima semana: Ata do Copom
Na próxima semana, o mercado deve analisar a divulgação da ata da última reunião do Copom, o Comitê de Política Monetária do Banco Central. A ata deve conter as razões da elevação desta semana, além de mencionar os fatores que serão analisados pela autoridade monetária até a próxima reunião.
No mercado de ações, o vencimento de opções, na segunda-feira, e a continuidade da temporada de divulgação de resultados corporativos deve movimentar os investidores, com perspectiva de mais uma semana de forte volatilidade.
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Nos EUA, diante da expectativa em torno do rumo da política monetária no país, o mercado analisará a divulgação do CPI, o índice de preços ao consumidor do país. De acordo com as expectativas do mercado, o índice deve revelar uma inflação de 0,3%.