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SÃO PAULO – Em uma semana marcada por fortes pressões negativas, originadas tanto do mercado externo quanto do âmbito interno, o mercado brasileiro apresentou apenas um fraco desempenho na semana que se encerrou.
No cenário externo, o destaque ficou para a discussão acerca da política macroeconômica dos EUA, que contempla um possível aumento da taxa de juros, em resposta aos sinas de recuperação da economia norte-americana. Além disto, também afetou negativamente o humor dos investidores a expressiva elevação do preço do petróleo, derivado das tensões no Oriente Médio e da própria retomada do crescimento econômico mundial.
Por sua vez, já no cenário interno, a decisão de manutenção da taxa Selic em 16,0% ao ano por parte do Copom (Comitê de Política Monetária) acabou repercutindo negativamente no mercado brasileiro, uma vez que confirmou a piora das perspectivas da economia brasileira, com a redução do espaço para a redução da taxa de juros básica da economia.
Dessa maneira, tanto o dólar quanto os juros futuros registraram alta expressiva no período, enquanto a bolsa acumulou forte queda. Vale destacar que o risco país encerrou acima do patamar dos 744 pontos base, refletindo, assim, o maior nervosismo do mercado.
Fed poderá elevar juro nos EUA já em junho
Com a forte elevação da cotação do petróleo no mercado internacional, que trouxe a expectativa de aumento na inflação norte-americana aliado aos bons indicadores divulgados nessa semana sobre a economia norte-americana, intensificam-se o clima de cautela dos investidores diante das incertezas quanto ao rumo da política monetária norte-americana.
Assim, muitos analistas econômicos já apostam em uma alta do juro dos Estados Unidos no curto prazo, com alguns apostando que o Fed poderia tomar uma decisão nessa direção na sua próxima reunião em junho.
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Decisão do Copom trouxe pessimismo
A decisão do Copom divulgada no final da tarde da última quarta-feira, de manter a taxa básica de juro da economia brasileira estável em 16% ao ano, trouxe pessimismo ao mercado. Dada a volatilidade recente, a autoridade monetária preferiu atuar de forma prudente para evitar a propagação da intensa volatilidade para as variáveis domésticas, não justificáveis pelos fundamentos da economia. A manutenção da Selic era esperada por parte dos analistas, porém para muitos houve surpresa.
Ainda no campo econômico, o destaque da semana fica com a análise do Dieese sobre emprego, na região metropolitana de São Paulo, pois embora 127 mil postos de trabalho tenham sido criados em abril, as taxas de desemprego continuam subindo, porque o número de pessoas em busca de trabalho apresentou uma elevação expressiva maior do que a velocidade de geração de postos de trabalho no mercado.
Além disso, o mercado segue atento à instabilidade no cenário político nacional, após a derrota do governo na Câmara, que tentava a reeleição dos presidentes das respectivas casas. Intensificando o clima hostil no ambiente político, o fogo-amigo voltou a se repetir em Brasília, especialmente nas críticas ao governo por parte de seus aliados, como as acusações de Valdemar Costa Neto presidente do PL (Partido Liberal), e informalmente do vice-presidente José Alencar, atribuindo a responsabilidade pelos problemas da economia ao o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles.
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Mercado norte-americano teve bom desempenho
No cenário internacional, mais especificamente no mercado norte-americano, vários indicadores econômicos foram divulgados na semana. O destaque ficou com os reflexos da forte alta do petróleo na economia dos Estados Unidos, com óbvios desdobramentos sobre o preço da gasolina, que passou a ser vendida a preço recorde, pouco acima de US$ 2,00 o galão, 35% superior se comparado com mesmo período de 2003.
No cenário econômico, temos os dados de inflação e emprego na região da Filadélfia nos, que apresentam crescimento no mês de maio, reforçando a expectativa de que o Fed, Banco Central dos Estados Unidos, deva elevar a taxa básica de juro no curto prazo.
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Finalmente, no mercado de petróleo, o preço do barril encerrou cotado a US$ 36,51 por barril, acumulando forte queda de 4,76% no período, refletindo a divulgação feita pela Arábia Saudita, de que aumentará a produção de petróleo. Porém vale lembrar que a commodity opera com uma valorização de 12,48% nos últimos 30 dias, com o temor de que atentados terroristas no Oriente Médio possam afetar o fornecimento do petróleo. Também contribuíram para esta alta, a diminuição dos estoques de gasolina nos Estados Unidos, assim como as projeções de aumento da demanda por combustíveis, devido à aproximação do verão no hemisfério norte.
Dólar e juros futuros acumularam alta
No mercado de câmbio, o comportamento do dólar foi fortemente afetado pela reação do mercado à decisão do Copom. Com isso, a divisa fechou com alta de 3,27% na semana, impulsionada pela possibilidade de elevação da taxa de juro nos Estados Unidos já nos próximos meses.
No mercado de juros futuros, por sua vez, a tendência foi de alta, em função da perspectiva de aumento do juro nos Estados Unidos. Assim, o contrato futuro com vencimento em janeiro de 2005, que apresenta maior liquidez, projetou taxa de 18,05% nesta sexta-feira, frente a uma taxa de 16,94% na semana passada. Já a taxa anual do CDB pré-fixado de 30 dias fechou a 15,86%, configurando uma leve alta frente à taxa registrada na semana anterior.
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O Ibovespa, por sua vez, teve uma semana marcada por um fraco desempenho, também influenciado pela apreensão dos investidores devido às instabilidades no cenário interno e externo. Dessa maneira, o principal índice da bolsa paulista acumulou leve queda de 1,75% no período.
Inflação será destaque na próxima semana
A última semana do mês de maio, por sua vez, será marcada pela divulgação de vários índices de inflação, como o IPC (Índice de Preços ao Consumidor) da Fipe referente à terceira semana de maio, o IGP-M (Índice Geral de Preços – Mercado) da Fundação Getúlio Vargas. Além da Ata da última reunião do Copom.
Nos Estados Unidos, o destaque fica para a divulgação dos seguintes índices: Consumer Confidence, Existing Home Sales, Durable Orders, Initial Claims, Help-Wanted Index, Personal Income, Personal Spending, Michigan Sentiment e Chicago PMI.