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SÃO PAULO – A terceira semana de dezembro foi marcada, no cenário doméstico, pela elevação da Selic, a taxa básica de juro brasileira e, no cenário externo, pelo aumento dos Fed Funds, a taxa básica de juro norte-americana. No Brasil, os índices de preços apontaram inflação em linha com o esperado, assim como nos EUA.
Assim, refletindo a alta da Selic, os juros futuros subiram, enquanto o otimismo do mercado permitiu nova queda do dólar, valorização do Ibovespa e levou o risco país ao seu patamar mais baixo desde 1997.
Selic foi elevada em 0,50 p.p.; mercado já esperava
No cenário doméstico, o destaque da semana ficou por conta da elevação da taxa básica de juro brasileira, a Selic, que ficou em linha com o esperado pelo mercado. O Copom, Comitê de Política Monetária do Banco Central elevou a Selic em 50 pontos base, passando de 17,25% ao ano para 17,75% ao ano, evidenciando a seqüência do processo de ajustes graduais na taxa.
As expectativas do mercado para a inflação medida pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) no acumulado de 2005 voltaram a cair, passando de 5,80% para 5,78%. Outro ponto que influenciou na decisão foi o comportamento do petróleo no mercado internacional, que não apresentou deterioração.
Vale destacar que o patamar do petróleo na terça-feira que antecedeu o anúncio da decisão da reunião de novembro do órgão era de US$ 46,00 o barril no mercado de Nova York e encerrou cotado a US$ 44,31 na quarta-feira, 15 de dezembro, quando encerrou pouco tempo antes do anúncio da decisão da autoridade monetária brasileira.
Inflação, novo mínimo e cenário político
No que se refere à inflação doméstica, o IGP-10 (Índice Geral de Preços – 10), apurou inflação de 0,77%, acelerando em relação à inflação de 0,83% apurada na segunda prévia de novembro. Por sua vez, a segunda prévia de dezembro do IGP-M (Índice Geral de Preços – Mercado) mostrou inflação de 0,63%, frente à alta de 0,60% na segunda medição de novembro.
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Ainda no cenário doméstico, no âmbito político, a aprovação da Lei de Falências trouxe otimismo, pois traz a expectativa de redução dos juros cobrados pelos empréstimos às empresas. Além disso, a decisão do STJ (Superior Tribunal de Justiça), de anular a Convenção do PMDB em que foi decidida a saída do partido da base aliada do governo Lula também foi um dos destaques.
Outro fator de destaque foi o anúncio do novo Salário Mínimo de R$ 300,00 a partir de maio de 2005, além da correção da tabela do Imposto de Renda em das pessoas físicas em 10%, a partir de janeiro de 2005. Com isso, o reajuste de ambos deve ficar acima da variação do IPCA.
Política monetária em foco também nos EUA
No cenário externo, a política monetária também foi destaque, com o Fomc, Federal Open Market Committee, comitê de política monetária do Federal Reserve, elevando a taxa básica de juro do país em 25 pontos base, passando de 2,00% ao ano para 2,25% ao ano.
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A decisão também já era esperada pelo mercado. Apesar de a inflação ao produtor no país ter surpreendido tanto em outubro quanto em novembro (particularmente em outubro quando houve forte aceleração), a autoridade monetária norte-americana continuou com o “ritmo moderado” de elevações.
O petróleo, por sua vez, encerrou a semana em forte alta, após seguidas semanas de queda. Em Nova York, o barril encerrou a semana cotado a US$ 46,10, o que representa uma forte alta de 13,7% frente à cotação de encerramento da sexta-feira anterior, de US$ 40,55. A alta na cotação do barril deveu-se à diminuição dos estoques de petróleo norte-americanos, enquanto o mercado esperava uma elevação. A disparada desta semana pode voltar a trazer preocupação.
Dólar despencou e juros futuros subiram
O dólar comercial encerrou a semana em queda de 2,38%, cotado a R$ 2,709, após encerrar a semana anterior cotado a R$ 2,775, basicamente em função da melhora do cenário externo, da desaceleração da inflação e dos movimentos no mercado de câmbio internacional.
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Vale destacar que o risco país, que representa o diferencial entre a remuneração dos títulos do tesouro dos EUA e os títulos da dívida externa brasileiros, chegou a atingir o seu menor patamar desde 1997 na sexta-feira, ficando abaixo do patamar de 400 pontos base.
No mercado de juros futuros, por sua vez, a tendência foi de alta. Assim, o contrato futuro com vencimento em abril de 2005, que apresenta maior liquidez, projetou taxa de 17,93% nesta sexta-feira, frente a uma taxa de 17,79% na última sexta-feira. Já a taxa anual do CDB pré-fixado de 30 dias fechou a 17,98%, configurando uma forte alta frente à taxa registrada na semana anterior, de 17,53%.
O Ibovespa, por sua vez, encerrou a semana com forte avanço. Dessa maneira, o índice Bovespa acumulou alta de 2,91% na semana, encerrando a 25.659 pontos.
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Na próxima semana, ata do Copom em foco
Na próxima semana, além de analisarem os dados do IPCA-15 referente a dezembro e ao acumulado do ano, os investidores devem analisar o conteúdo da ata da reunião do Copom, que pode sinalizar para uma mudança de rumo da política monetária ou expressar as variáveis que constituem fonte de preocupação para o órgão.
No cenário externo, o comportamento do petróleo, que tem apresentado forte volatilidade nas últimas semanas, deve seguir em foco, especialmente após a divulgação dos dados dos estoques norte-americanos que ocorrerá na quarta-feira.
Ainda no cenário externo, o mercado deve analisar os dados da economia norte-americana, dentre eles o número de novas casas vendidas, além dos dados finais do PIB (Produto Interno Bruto) do terceiro trimestre. A renda e os gastos dos consumidores norte-americanos em novembro também serão divulgados.