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SÃO PAULO – O mercado brasileiro como um todo apresentou um fraco desempenho na terceira semana de fevereiro, com as turbulências no campo político e econômico trazendo maior apreensão aos investidores.
Assim, os grandes destaques ficam para a denúncia de corrupção e cobrança de propina que envolve o ex-assessor do Planalto e para a decisão do Copom de manter a taxa de juro. No âmbito econômico, destacam-se, ainda, os dados que apontam para uma aceleração inflacionária em fevereiro.
Copom mantém juro, confirmando expectativas
Em linha com o projetado pelo mercado, o Copom (Comitê de Política Monetária) manteve inalterada a Selic em 16,5% ao ano, em reunião realizada na quarta-feira. Com tal decisão, a autoridade monetária busca mais tempo para avaliar o comportamento da inflação no início deste mês.
Ainda no cenário econômico, os índices de preços divulgados preocuparam o mercado, ao mostrarem uma aceleração da inflação. O IGP-10 da FGV apurou inflação de 0,78% no período, superior à variação positiva de 0,76% registrada no mês de janeiro. Já o IPCA (Índice de Preço ao Consumidor – Amplo) do IBGE registrou uma alta de 0,90%, o que representa uma aceleração frente ao mês anterior, quando foi registrada uma alta de preços de 0,68%.
A segunda prévia do IGP-M (Índice Geral de Preços – Mercado), também da FGV, por sua vez, apresentou uma inflação de 0,47%, frente à variação positiva de 0,65% medida na segunda prévia do mês de janeiro. Por fim, o IPC (Índice e Preços ao Consumidor) da Fipe, referente à segunda quadrissemana do mês, apresentou uma inflação de 0,26% no período, frente a uma variação positiva de 0,46% no mesmo período do mês anterior.
Governo teme crise política
Desde a publicação das denúncias contra o ex-assessor Waldomiro Diniz, há uma semana, o mercado brasileiro tem atravessado um difícil período, com os investidores avaliando que o Planalto tem mostrado uma certa inabilidade no que se refere à gestão da crise política. A oposição tentou articular, durante a semana, a instalação de uma CPI para apurar a denúncia feita sobre Diniz.
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No princípio, o governo tentou negociar para que a situação não alcançasse tal ponto. Conforme a oposição ganhou força, o governo decidiu, então, propor a ampliação da CPI para outros casos, na época de Fernando Henrique Cardoso. Tal conjuntura traz preocupação aos investidores, que temem uma crise política. Vale destacar que a publicação, nesta sexta-feira, de novos artigos nas revistas Veja e Época ampliaram ainda mais as preocupações do mercado, porém a decisão do governo de fechar os bingos acabou impulsionando o mercado durante o período da tarde.
Mercado norte-americano apresenta desempenho limitado
Diante de fracos indicadores conjunturais anunciados na terceira semana de fevereiro, o mercado norte-americano também apresentou um desempenho limitado no período. Neste sentido, as atenções dos investidores seguiram voltadas para os índices referentes à construção de casas, atividade industrial e inflação.
No mercado de petróleo, por sua vez, a commodity apresentou elevação de 0,39% na semana, de forma que o barril do tipo Brent, negociado no mercado de Londres, encerrou o período cotado a US$ 30,69. Tal movimento decorreu do receio de que a OPEP poderia não rever sua decisão conforme prometido na semana anterior, deixando a produção em um reduzido patamar, uma vez que houve um expressivo aumento das reservas norte-americanas.
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Dólar e juros futuros acumularam alta
Com a delicada conjuntura nacional, o dólar acumulou uma alta de 1,85% na semana, fechando cotado a R$ 2,9600. O comportamento da divisa norte-americana refletiu, basicamente, a cautela dos investidores frente às novas denúncias envolvendo o ex-assessor de assuntos parlamentares do governo, Waldomiro Diniz, e a proximidade do feriado do carnaval.
No mercado de juros futuros, por sua vez, a tendência foi de alta, refletindo a apreensão do mercado. Assim, o contrato futuro com vencimento em janeiro de 2005, que apresenta maior liquidez, projetou taxa de 15,96% na sexta-feira, frente a uma taxa de 15,42% na semana passada. Já a taxa anual do CDB pré-fixado de 30 dias fechou a 16,25%, configurando uma alta frente a taxa da semana anterior.
O Ibovespa, por sua vez, teve uma semana marcada por um fraco desempenho, com os investidores cautelosos frente à crise política e à decisão de manutenção de juros pelo Copom. Dessa maneira, o principal índice da bolsa paulista acumulou queda de 5,30% no período, mesmo apesar da forte recuperação na sexta-feira.
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Última semana de fevereiro terá poucos indicadores
A quarta semana de fevereiro terá poucos indicadores importantes, refletindo os feriados de Carnaval. Assim, a semana será marcada pela divulgação do IGP-M referente a fevereiro e o IPC da Fipe referente à terceira quadrissemana do mês. Além desses indicadores de inflação, haverá também a divulgação da Pesquisa Mensal do Emprego do IBGE.
Nos Estados Unidos, os indicadores previstos são: Consumer Confidence, Existing Home Sales, Michigan Sentiment, GDP 4Q – Final e Chicago PMI .