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SÃO PAULO – Em uma semana marcada pelas instabilidades no cenário internacional, que trouxeram pessimismo aos investidores internacionais, o mercado brasileiro como um todo apresentou um desempenho limitado na semana.
Dessa maneira, o dólar e os juros futuros registraram alta no período e a bolsa acumulou forte queda. Vale destacar que o risco país encerrou acima do patamar de 650 pontos base, refletindo, assim, o maior nervosismo do mercado.
Expectativa sobre juro dos EUA voltou a trazer nervosismo
De uma maneira geral, pode-se dizer que o fraco desempenho do mercado brasileiro no período pode ser explicado pelas perspectivas de elevação do juro dos Estados Unidos por ocasião da reunião no Fed, na próxima terça-feira. Com os recentes indicadores dando sinais de uma expressiva recuperação da economia norte-americana e também de uma maior alta dos preços, os investidores acreditam que os Fed Funds possam se elevar já no curto prazo.
Vale destacar que outro fator que foi determinante para a maior aposta de elevação do juro norte-americano diz respeito à maior alta dos preços registrada nos Estados Unidos. Assim, em um contexto de maior recuperação da atividade econômica e de maior pressão inflacionária, o mercado já tem praticamente como certa uma elevação da taxa básica de juro dos Estados Unidos no curto prazo.
Inflação e novo mínimo são destaques no cenário local
No cenário doméstico, por sua vez, o mercado continuou analisando o comportamento da inflação, após a divulgação do IGP-M (Índice Geral de Preços – Mercado) de abril. O índice da Fundação Getúlio Vargas registrou variação positiva de 1,21%, muito acima do avanço de 0,90% projetado pelos analistas, de acordo com o relatório Focus, do Banco Central.
Já no cenário político, o destaque é o novo salário mínimo anunciado na última quinta-feira, no valor de R$ 260,00, o que reforça o compromisso do governo com a austeridade fiscal. Segundo analistas, o governo tem condições de arcar com o custo de R$ 678 milhões de junho a dezembro dos reajustes do salário mínimo e do salário-família no orçamento, sem a necessidade de um novo contingenciamento de gastos.
Mercado norte-americano teve bom desempenho
No cenário internacional, mais especificamente no mercado norte-americano, foram divulgados alguns índices econômicos favoráveis, como o indicador de confiança do consumidor, que ficou em 94,2 pontos em abril, acima dos 94,0 pontos esperados pelo mercado e a divulgaçào do PIB (Produto Interno Bruto) dos Estados Unidos, que cresceu 4,2% no trimeiro trimestre de 2004, porém ficou abaixo das expectativas do mercado, que apontavam para um crescimento de 5,0%.
Outro dado no mesmo relatório sobre crescimento indicou forte pressão inflacionária. Assim, os investidores temem que o Fed possa elevar a taxa básica de juro já no curto prazo.
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No mercado de petróleo, o preço do barril encerrou cotado a US$ 34,48 por barril, acumulando alta de 4,20% no período, em uma semana marcada pela intensificação dos conflitos no Oriente Médio. Além disso, a diminuição dos estoques de gasolina nos Estados Unidos e as projeções de maior demanda por combutíveis, devido à aproximação do verão, também contribuem para o forte aumento no preço do petróleo na última semana.
Dólar e juros futuros acumularam alta
No mercado de câmbio, o dólar acumulou alta de 0,69% na semana, impulsionado pelo acirramento dos conflitos no Iraque, que trouxeram um grande pessimismo ao mercado e acabou impactando sobre o fluxo de capitais dos países emergentes. Aliado a isso, tem-se a possibilidade de elevação da taxa de juro nos Estados Unidos, devido aos bons indicadores apresentados pela economia norte-americana na semana.
No mercado de juros futuros, por sua vez, a tendência foi de alta, em função da perspectiva de aumento do juro nos Estados Unidos. Assim, o contrato futuro com vencimento em janeiro de 2005, que apresenta maior liquidez, projetou taxa de 15,57% nesta sexta-feira, frente a uma taxa de 15,46% na semana passada. Já a taxa anual do CDB pré-fixado de 30 dias fechou a 15,66%, configurando uma alta frente à taxa registrada na semana anterior.
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O Ibovespa, por sua vez, teve uma semana marcada por um fraco desempenho, também influenciado pelo agravamento dos conflitos no cenário internacional e pelo fluxo de capital estrangeiro. Dessa maneira, o principal índice da bolsa paulista acumulou queda de 9,13% no período.
Reunião do Fed será destaque na próxima semana
A primeira semana do mês de maio, por sua vez, será marcada pela divulgação de indicadores de inflação no Brasil. Neste sentido, serão divulgados o IPC (Índice de Preços ao Consumidor) da Fipe referente ao mês de abril e também o IPCA (Índice de Preço ao Consumidor – Amplo) do IBGE, também referente ao mês de abril.
Nos Estados Unidos, o destaque fica para a reunião do FOMC, para decisão da taxa básica de juro norte-americana, e a divulgação dos seguintes índices: Construction Spending, ISM Index, Factory Orders, ISM Services, Productivity and Costs e Initial Claims.