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SÃO PAULO – O cenário internacional barrou o otimismo do mercado brasileiro e fez da segunda semana de março a primeira semana realmente negativa de 2006. Mesmo com a manutenção do processo de redução da Selic e a sinalização de uma eventual aceleração nos cortes, a trajetória do juro de longo prazo nos EUA assustou os investidores.
Neste contexto, o Ibovespa teve forte queda de 5,99% na semana, enquanto o dólar comercial registrou alta de 1,42%. Os juros futuros caíram e o risco-país avançou.
Cenário interno: boas notícias
Internamente, as notícias se mantiveram positivas durante a semana. Na quarta-feira, o Copom (Comitê de Política Monetária) decidiu pela redução da Selic em 75 pontos base, para 16,50% ao ano, fato que, apesar de já ser amplamente esperado pelo mercado, trouxe ânimo aos investidores.
O principal motivo para tal ânimo é o fato de que a decisão do colegiado não foi unânime, tendo dividido seus membros entre o 0,75 e o 1 ponto percentual. Na interpretação do mercado, esta falta de unidade sugere que uma aceleração do processo é cada vez mais viável.
Outros sinais positivos vieram dos índices de inflação divulgados durante a semana. O destaque ficou com o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), que desacelerou em relação a janeiro e veio abaixo do esperado pelo mercado, de acordo com o boletim Focus, corroborando a percepção de que a aceleração dos preços em janeiro foi meramente sazonal.
Porém, nem tudo foi positivo, os dados da produção industrial mostraram um recuo de 1,3% entre os meses de dezembro e janeiro, já descontados os efeitos sazonais, interrompendo uma seqüência de três resultados positivos.
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Cenário externo: juro nos EUA preocupa
Ofuscando os sinais positivos da economia doméstica, a elevação do juro de longo prazo norte-americano, para patamares próximos ao seu maior nível em 21 meses, gerou temores em torno de uma eventual realocação global de portfólios e prejudicou os papéis de países emergentes, como o Brasil.
O mercado de trabalho do país, no entanto, seguiu dando sinais de força, com a criação de mais postos de trabalho do que o esperado em fevereiro, mesmo com o crescimento da taxa de desemprego no período.
Quanto ao petróleo, a decisão da Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) de manter a sua cota de produção inalterada e o aumento nos estoques norte-americanos da commodity derrubaram os preços durante a semana.
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Bolsa cai e dólar sobe
O dólar comercial encerrou a semana em alta de 1,42%, sendo cotado a R$ 2,1410 no fechamento de sexta-feira, quando acabou encerrando em desvalorização de 0,97%. A alta dos juros nos EUA e o avanço do risco-país deram fôlego à recuperação da moeda norte-americana.
No mercado de juros futuros, o contrato com vencimento em janeiro de 2007, que apresenta maior liquidez, projetou taxa de 15,11% na sexta-feira, pouco abaixo da taxa de 15,19% do encerramento da semana anterior. Já a taxa anual do CDB pré-fixado de 30 dias fechou a 16,40%, estável em relação ao encerramento da semana passada.
Finalmente, o Ibovespa, principal índice da bolsa paulista, encerrou a semana em forte queda de 5,99%, sendo cotado a 36.891 pontos. Apenas três componentes do índice encerraram a semana em território positivo.
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Próxima semana: ata do Copom em destaque
Na terceira semana de março, os investidores devem ficar atentos à divulgação da ata da última reunião do Copom, que sai na quinta-feira e pode trazer alguma pista sobre os rumos da política monetária no Brasil.
Nos Estados Unidos, o destaque desta semana fica com o anúncio do CPI, o Índice de Preços ao Consumidor local, também na quinta-feira.