Comentário da Semana: cenário externo minimiza queda do juro

Preocupações acerca da política monetária nos Estados Unidos fizeram os investidores deixarem o Copom de lado nesta semana

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SÃO PAULO – A terceira semana de outubro foi a quarta consecutiva de pessimismo no mercado brasileiro. Atento ao noticiário externo, o mercado não se beneficiou da queda da Selic, que, embora já fosse esperada, ainda dividia a opinião dos analistas em relação à intensidade do corte.

Neste contexto, o Ibovespa encerrou a semana em queda de 2,00%, enquanto o dólar comercial avançou 0,62%, com novas atuações do Banco Central no mercado de câmbio. Os juros futuros, por sua vez, encerraram a semana em queda, assim como o risco país.

Cenário interno: Copom de lado

A semana foi marcada pelos temores em relação ao cenário externo, que impediram o mercado de se beneficiar da decisão do Copom (Comitê de Política Monetária). Apesar de ser esperada, a redução de 50 pontos base ainda não era unanimidade entre os analistas, que não descartavam a possibilidade de adoção de uma postura mais conservadora por parte da entidade.

Quanto à tendência de alta dos índices de preços, os analistas acreditam que esta seja resultado de um reajuste pontual dos combustíveis, não afetando as perspectivas de longo prazo. O IGP-10 (Índice Geral de Preços -10), o IGP-M (Índice Geral de Preços – Mercado) e o IPCA-15 (Índice de Preços ao Consumidor Amplo-15) registraram forte aceleração no período.

Por fim, o cenário político passou por uma semana decisiva no que diz respeito ao andamento dos processos de cassação dos deputados. Na quarta-feira, o STF (Superior Tribunal Federal) rejeitou, o mandado de segurança impetrado pela defesa do deputado José Dirceu contra o processo de cassação no Conselho de Ética da Câmara.

Cenário externo: juro preocupa

No cenário externo, as preocupações em relação à política monetária norte-americana instalaram um clima de pessimismo no mercado internacional. O temor dos investidores é que a adoção de uma política monetária mais restritiva nos Estados Unidos possa afetar o quadro favorável de liquidez no mercado global.

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As preocupações se iniciaram após declarações de vários membros do Federal Reserve, que revelaram que o banco estaria pronto para intensificar o ritmo de aperto monetário no país a qualquer momento, e foram amplificadas pela divulgação do Índice de Preços ao Produtor dos EUA, que mediu a maior inflação em mais de 15 anos.

Por outro lado, a queda dos preços do petróleo aliviou o mercado. A commodity voltou a operar abaixo dos US$ 60 pela primeira vez desde junho deste ano.

Ibovespa cai e dólar sobe

O dólar comercial encerrou a semana em leve queda de 0,62%, sendo cotado a R$ 2,2590 no fechamento de sexta-feira, quando acabou encerrando em desvalorização de 0,49%. O Banco Central esteve presente em todas as sessões, o que impulsionou a moeda.

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No mercado de juros futuros, o contrato futuro com vencimento em janeiro de 2007, que apresenta maior liquidez, projetou taxa de 17,58% na sexta-feira, frente a uma taxa de 17,78% no encerramento da semana anterior. Já a taxa anual do CDB pré-fixado de 30 dias fechou a 18,91%, bem abaixo da taxa de 19,38% registrada no encerramento da semana passada.

Finalmente, o Ibovespa, principal índice da bolsa paulista, encerrou a semana em queda de 2,00%, sendo cotado a 29.176 pontos. O índice recuou mais de 3% por duas vezes na semana, tendo atingido a maior queda percentual desde abril na terça-feira, mas reduziu as perdas no pregão de sexta-feira.

Próxima semana: destaque para a ata

Na última semana de outubro, a atenção dos investidores deve se voltar, além do cenário político no Brasil, para a divulgação da ata da última reunião do Copom, que acontece na terça-feira. A expectativa é de que o documento aponte para novas quedas da taxa.

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Nos Estados Unidos, o destaque fica com o Employment Cost Index, que mede os custos da mão-de-obra, e com os dados do GDP, o PIB norte-americano. Ambos os indicadores saem na sexta-feira.