Comentário da Semana: cenário externo deu o tom dos mercados

Sucessão de Alan Greenspan e comportamento do rendimento dos Treasuries ditaram o ritmo dos negócios

Publicidade

SÃO PAULO – Na última semana de outubro, o mercado esteve novamente atento ao noticiário externo, o que reduziu a influência dos indicadores domésticos. O saldo, no entanto, foi positivo, com a incidência de algum movimento de recuperação, além de boas perspectivas para o cenário corporativo nos próximos trimestres.

Neste contexto, a bolsa brasileira encerrou a semana em alta de 0,49%, enquanto o dólar comercial registrou leve queda de 0,09%, apesar das atuações do Banco Central em todas as sessões. Os juros futuros encerraram a semana em baixa, bem como o risco país.

Cenário interno: dependência externa

A semana foi novamente marcada pela dependência em relação ao cenário externo, em função, inclusive, da importância dos acontecimentos internacionais durante a semana, como a indicação do sucessor de Alan Greenspan e a trajetória do rendimento dos títulos do Tesouro norte-americano, os quais relegaram a cena doméstica ao segundo plano.

Ainda assim, o mercado pôde se beneficiar da divulgação de alguns eventos importantes, como a divulgação da ata da última reunião do Copom (Comitê de Política Monetária), na quinta-feira, a qual sinalizou que o comitê deve seguir com cortes mais robustos na taxa Selic. O colegiado classificou a recente aceleração dos índices de preços, como a dos IGPs, como transitória, ou seja, sem trazer perigos às metas de longo prazo.

A aprovação da MP do Bem no Congresso Nacional também contribuiu para o ambiente de leve otimismo. Nas CPIs, os trabalhos seguem conturbados. Acareações entre os envolvidos e as tentativas do deputado José Dirceu de salvar seu mandato marcaram a semana em Brasília.

Cenário externo: sai Greenspan, entra Bernanke

No cenário externo, o destaque ficou com a indicação de Ben Bernanke como sucessor de Alan Greenspan na cadeira principal do Federal Reserve. Atual presidente do Conselho Econômico da administração Bush, Bernanke já foi membro da diretoria da entidade por cerca de três anos e deve assumir o cargo em janeiro do próximo ano.

Continua depois da publicidade

Considerado um dos mais respeitados acadêmicos da área de política monetária, o substituto de Greenspan deve enfrentar desafios como o comportamento dos juros de longo prazo e a bolha do mercado imobiliário norte-americano, além de ter de suceder o maior chairman de toda a história do Fed.

O mercado também esteve atento à trajetória do rendimento dos Treasuries, os títulos do Tesouro norte-americano, referencial do juro de longo prazo nos EUA. A nota atingiu seu maior patamar desde março durante a semana e os investidores temem que isso possa causar um movimento de realocação global de carteiras, prejudicando especialmente os mercado emergentes.

Entre os indicadores, destaque para o crescimento acima do esperado da economia dos Estados Unidos no terceiro trimestre e para a queda da confiança do consumidor ao menor nível em dois anos.

Continua depois da publicidade

Ibovespa encerra semana em alta

O dólar comercial encerrou a semana em leve queda de 0,09%, sendo cotado a R$ 2,2630 no fechamento desta sexta-feira, quando acabou fechando em desvalorização de 1,22%. As atuações do Banco Central em todas as sessões e as incertezas com relação ao cenário externo impulsionaram a moeda, mas mesmo assim o fluxo positivo acabou tendo maior influência, levando a divisa a recuar na semana.

No mercado de juros futuros, o contrato futuro com vencimento em janeiro de 2007, que apresenta maior liquidez, projetou taxa de 17,56% na sexta-feira, frente a uma taxa de 17,58% no encerramento da semana anterior. Já a taxa anual do CDB pré-fixado de 30 dias fechou a 18,75%, bem abaixo da taxa de 18,91% registrada no encerramento da semana passada.

Finalmente, o Ibovespa, principal índice da bolsa paulista, encerrou a semana em queda de 0,49%, sendo cotado a 29.318 pontos. A ata do Copom e a indicação de Bernanke para a presidência do Fed beneficiaram, mas os ganhos foram limitados pela saída líquida dos investidores estrangeiros.

Continua depois da publicidade

Próxima semana: Fomc se reúne

Na primeira semana de novembro, o destaque deve ficar com o cenário externo. O comitê norte-americano de política monetária, o Fomc, se reúne na terça-feira para definir o rumo da taxa básica de juro nos Estados Unidos e o Relatório do Emprego será divulgado na sexta-feira.

No cenário doméstico, a atenção dos investidores deve se voltar para a divulgação dos dados da balança comercial mensal, na terça-feira, e para os resultados corporativos trimestrais.