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SÃO PAULO – A terceira semana de maio foi bastante positiva para o mercado brasileiro, mesmo com a elevação da taxa Selic na quarta-feira, que encontrou oposição em diversos setores da sociedade. O mercado reagiu à melhora do cenário externo, com as perspectivas de um melhor aproveitamento do crescimento chinês.
Neste contexto, o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, encerrou a semana em forte alta de 2,66%, enquanto o dólar comercial apresentou queda de 1,25%. Reagindo ao aumento do juro básico, os juros futuros apresentaram alta e o risco país recuou.
Cenário interno: Copom volta a elevar os juros
A semana foi marcada pela nona elevação consecutiva da taxa básica de juros brasileira, de 19,50% para 19,75% ao ano. Apesar de não surpreender, o conservadorismo do Copom (Comitê de Política Monetária) foi muito mal recebido pelo mercado, que, com o alívio das pressões inflacionárias, chegou a acreditar no fim do ciclo de aperto monetário.
A alegação do mercado é de que o avanço da inflação nos últimos meses foi proporcionado pelos aumentos nos preços administrados, que não são afetados pelo aumento da Selic. Outro ponto destacado é o de que o baixo patamar da moeda norte-americana, atualmente próxima aos R$ 2,45, já faz um bom trabalho no sentido de conter a inflação.
Durante a semana, o IGP-M (Índice Geral de Preços – Mercado) voltou a registrar deflação em sua segunda prévia, enquanto o IGP-10 (Índice Geral de Preços – 10) mostrou estabilidade dos preços em maio.
Ponderando sobre o conturbado cenário econômico brasileiro, o ministro da Fazenda Antonio Palocci revelou, em entrevista ao jornal britânico Financial Times, acreditar que a Selic deve começar a recuar ainda este ano, além de defender o estabelecimento de metas agressivas para inflação até 2007. Este ano, mesmo com os juros crescentes, a inflação deve ficar bem próxima à banda superior da meta.
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Cenário externo: duro recado aos chineses
No cenário externo, o destaque ficou com o relatório semestral do Tesouro norte-americano, que endureceu o tom das críticas à política cambial chinesa. O documento faz um pedido para que a China acelere a flexibilização de sua moeda, procurando não contribuir para desequilíbrios internacionais.
O secretário do Tesouro, John Snow, ainda acrescentou que a China pode ser considerada um parceiro econômico manipulador caso continue retardando o processo de flexibilização do yuan. As pressões do governo norte-americano vêm estremecendo as relações diplomáticas entre os dois países nos últimos meses.
E o petróleo continuou sob o foco dos investidores durante esta semana. Apresentando bastante volatilidade, a tranqüilidade trazida pela tendência crescente dos estoques norte-americanos foi perturbada pelos temores de que a Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) pudesse reduzir sua produção. Nesta sexta-feira, no entanto, um comentário de Greenspan de que a tendência dos estoques deve continuar sendo de alta acalmou o mercado.
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Ibovespa se recupera das perdas recentes
O dólar comercial encerrou a semana em queda de 1,25%, sendo cotado a R$ 2,44 no fechamento de sexta-feira, quando acabou encerrando a sessão com desvalorização de 0,29%. A elevação dos juros atraiu um maior volume de capitais ao mercado brasileiro e pressionou a moeda.
No mercado de juros futuros, a tendência foi de alta. Apesar de o contrato futuro com vencimento em janeiro de 2006, que apresenta maior liquidez, ter fechado a semana estável com taxa de 19,58% na sexta-feira, a taxa anual do CDB pré-fixado de 30 dias fechou a 19,70%, acima da taxa de 19,60% da semana anterior.
Finalmente, o Ibovespa, principal índice da bolsa paulista, encerrou a semana em forte alta de 2,66%, sendo cotado a 24.522 pontos. O desempenho dos índices norte-americanos dirigiu os ganhos do índice durante a semana.
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Próxima semana: ata do Copom deve ser o foco
Na quarta semana de maio, o destaque deve ficar com o anúncio da ata da última reunião do Copom, quando os juros foram aumentados para 19,75% ao ano, que acontece na quinta-feira. O mercado também deve acompanhar os números do IPCA-15 (Índice de Preços ao Consumidor – 15) e da Pesquisa Mensal do Emprego, ambos do IBGE (Insituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
Nos Estados Unidos, o destaque deve ficar com a divulgação dos dados do PIB (Produto Interno Bruto) consolidado do primeiro trimestre, uma vez que os números preliminares animaram os investidores. Além disso, dois índices que medem a confiança do consumidor na economia do país deve ser anunciados.