Publicidade
SÃO PAULO – A segunda semana de fevereiro foi marcada por otimismo no mercado brasileiro, em boa parte refletindo o bom desempenho dos mercados internacionais. Nos EUA, boas notícias em relação ao controle do desequilíbrio orçamentário do governo dos EUA e dados da balança comercial e do mercado de trabalho foram destaque. No cenário doméstico, a inflação desacelerou e a produção industrial apresentou crescimento, enquanto as expectativas de inflação foram elevadas.
Neste contexto, a bolsa brasileira encerrou a semana em alta, com o Ibovespa atingindo seu patamar mais elevado na história, e os juros futuros apresentaram queda. Já o dólar, apesar das intervenções do Banco Central, também encerrou a semana em queda.
No cenário doméstico, expectativas de inflação subiram
No cenário doméstico, apesar do feriado de carnaval, indicadores de grande relevância foram divulgados. Logo na quarta-feira, o relatório Focus revelou que o mercado espera uma elevação de 50 pontos base na Selic na próxima reunião do Copom, o Comitê de Política Monetária do Banco Central.
A mediana das projeções do mercado para a Selic no final de fevereiro também foi elevada, passando de 18,50% ao ano para 18,75% ao ano. Já no que se refere à mediana das projeções para a variação do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor – Amplo), esta passou de 5,74% para 5,75%, o que pode influenciar na decisão do Copom (Comitê de Política Monetária) na próxima semana.
Inflação desacelerou e produção industrial cresceu
Outro destaque foi o comportamento dos índices de preços, que revelaram uma desaceleração da inflação. O IPC-Fipe (Índice de Preços ao Consumidor da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas) apresentou alta de 0,52% na primeira quadrissemana de fevereiro, enquanto que na medição anterior havia apresentado alta de 0,56%. A primeira prévia de fevereiro do IGP-M (Índice Geral de Preços – Mercado) também desacelerou, apontando alta de 0,18%, enquanto na primeira prévia de janeiro a inflação havia sido de 0,20%.
No que se refere ao desempenho da produção industrial, na série mensal sem influências sazonais, o indicador do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) revelou um crescimento de 0,60%. Já na comparação anual, a produção industrial apresentou um crescimento de 8,3% na comparação com dezembro de 2003. No acumulado de 2004, o crescimento também foi de 8,3% em relação a 2003.
Continua depois da publicidade
No cenário externo, economia dos EUA em foco
Na segunda-feira, o presidente norte-americano George W. Bush encaminhou ao Congresso dos EUA uma proposta para o orçamento do país em 2006, que prevê a redução do déficit orçamentário para US$ 390 bilhões. Para 2008, a expectativa é de que o déficit seja reduzido para US$ 251 bilhões, enquanto que o déficit foi de US$ 427 bilhões em 2004. A notícia teve impacto positivo no mercado de câmbio, puxando o dólar frente às principais moedas internacionais.
Nos últimos meses, a moeda norte-americana vinha sofrendo o impacto do temor relacionado aos “déficits gêmeos”, ou seja, ao déficit orçamentário e ao déficit em conta corrente. Neste sentido, também se destacaram os dados da balança comercial o resultado fiscal.
Mercado de trabalho melhorou; petróleo subiu
Continua depois da publicidade
Na quinta-feira, o mercado analisou os dados do número de pedidos de auxílio-desemprego no país. De acordo com o Initial Claims, foram realizados 303 mil pedidos de auxílio-desemprego na semana passada, o que representa uma melhora do mercado de trabalho em relação à semana anterior, quando foram realizados 316 mil pedidos.
No que se refere ao comportamento do petróleo, em Londres, o barril do tipo brent encerrou a semana cotado a US$ 44,75, o que representa uma alta de 1,96% frente à cotação de encerramento da sexta-feira anterior. A alta deveu-se, basicamente, à queda dos estoques norte-americanos e à perspectiva de que o consumo cresça em velocidade maior do que a produção mundial.
Dólar e juros futuros caíram na semana
O dólar comercial encerrou a semana em queda de 0,34%, cotado a R$ 2,604 no fechamento de sexta-feira, quando acabou encerrando a sessão em forte queda de 0,57%.
Continua depois da publicidade
No mercado de juros futuros a tendência também foi de queda. Assim, o contrato futuro com vencimento em janeiro de 2006, que apresenta maior liquidez, projetou taxa de 18,69% na sexta-feira, frente a uma taxa de 18,78% no encerramento da semana anterior. Já a taxa anual do CDB pré-fixado de 30 dias fechou a 18,59%, estável em relação à semana anterior.
O Ibovespa, por sua vez, fechou os três pregões da semana em alta, acumulando ganho de 3,65%. Dessa maneira, o índice Bovespa recuperou as perdas acumuladas no ano e atingiu seu patamar de fechamento mais alto da história, encerrando a semana a 26,671pontos.
Próxima semana: reunião do Copom
Na próxima semana, o destaque no cenário doméstico será a reunião do Copom, o Comitê de Política Monetária do Banco Central, que definirá o rumo da taxa básica de juro brasileira, a Selic, atualmente em 18,25% ao ano. O mercado espera uma elevação de 50 pontos base na taxa, para 18,75% ao ano.
Continua depois da publicidade
No cenário externo, dois importantes dados devem contribuir para a composição das perspectivas para o rumo do juro básico nos EUA, já que serão divulgados o indicador de vendas no varejo (Retail Sales) e o índice de preços no atacado (PPI, Producer Price Index).