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SÃO PAULO – Cautela e ajustes, após um final de agosto favorável aos ativos brasileiros. Essa parece ter sido a tônica do mercado na primeira semana de setembro, mais curta em função dos feriados em comemoração à Independência do Brasil, na quinta-feira, e ao Dia do Trabalho nos EUA, na segunda-feira.
A persistência de uma série de questionamentos a respeito da economia norte-americana, com pressões inflacionárias ainda altas e perspectiva de possível estouro da bolha imobiliária, impôs apreensão aos investidores. No cenário doméstico, novas evidências de que a expansão do Produto Interno Bruto em 2006 ficará aquém do anteriormente esperado reforçaram o clima negativo.
Nesse contexto, o Ibovespa encerrou a semana em baixa de 2,06%, enquanto o dólar comercial avançou 0,79% e o risco-país subiu. Os juros futuros, por sua vez, recuaram no período.
Cenário externo: uma série de dúvidas
A semana marcou o “término oficial” das férias de verão no hemisfério norte. O fim do período de “descanso”, no entanto, não representou a solução para o quadro de incertezas que ronda a economia dos EUA. Segue o questionamento se a desaceleração do ritmo de crescimento econômico norte-americano será suficiente para empurrar a inflação para o intervalo que é considerado como confortável pelo Fomc.
Ademais, poucos têm certeza a respeito da magnitude desta desaceleração da economia. Desenha-se um cenário de redução lenta e gradual da velocidade de crescimento, ou trata-se de uma caminhada rumo à recessão?
De fato, a série de dúvidas parece se justificar. Isso porque, segundo relatório publicado na última quarta-feira, os custos da mão-de-obra norte-americana cresceram mais do que o esperado no segundo trimestre, sugerindo aumento das pressões inflacionárias. Enquanto isso, o Livro Bege do Fed indicou desaceleração da economia em cinco dos 12 distritos do banco central dos EUA.
Cenário interno: inflação e crescimento em baixa
No cenário interno, indicadores publicados ao longo da semana confirmaram a já conhecida opção de política econômica pela prioridade ao combate à inflação em detrimento ao crescimento.
Corroborando a percepção de que o incremento no PIB (Produto Interno Bruto) deste ano será inferior às estimativas prévias, a produção industrial brasileira avançou apenas 0,6% em julho, frente ao mês imediatamente anterior. As projeções apontavam para uma evolução entre 0,8% e 0,9%.
Se, por um lado, a expansão da economia tem ritmo decepcionante, por outro, a estabilização dos preços traz um prognóstico mais animador. O IPCA (Índice de Preços ao Consumidor – Amplo) de agosto registrou leve inflação de 0,05%, abaixo das expectativas do mercado (0,23%) e do apurado no mês anterior (0,19%), delineando um panorama em prol da continuidade do ciclo de afrouxamento monetário.
Copom explica corte e Tesouro capta em R$ no exterior
Interessante também observar que, publicada nesta sexta-feira, a ata da última reunião do Copom (Comitê de Política Monetária) esclareceu que o surpreendente corte de 0,50 ponto percentual na Selic em agosto serviu para adequar as condições da política monetária a uma melhora no balanço de riscos para o comportamento do nível geral de preços.
Por fim, vale notar que, aproveitando-se das condições ainda favoráveis de liquidez internacional, o Tesouro Nacional realizou na última quarta-feira sua segunda captação em reais no exterior. Foram emitidos bônus com vencimento em 2022, em uma operação que movimentou US$ 750 milhões (R$ 1,6 bilhão).
Ibovespa fecha a semana em baixa
O Ibovespa acumulou desvalorização de 2,06% na primeira semana de setembro, fechando a 36.558 pontos na sexta-feira. A preocupação com o desempenho da economia norte-americana e com o crescimento do PIB brasileiro penalizou a renda variável nacional.
O dólar comercial, por sua vez, encerrou a semana em alta de 0,79%, sendo cotado a R$ 2,1570. Atuando em todas as sessões via leilão de compra de dólares, o Banco Central contribuiu para a apreciação da moeda norte-americana.
Finalmente, no mercado de juros futuros, o contrato com vencimento em janeiro de 2008 projetou taxa de 13,71% na sexta-feira, frente à de 13,90% do encerramento da semana anterior. A taxa anual do CDB prefixado de 30 dias fechou a 14,01%, abaixo da taxa de 14,14% registrada no final da semana passada.
Próxima semana: índices de preços atraem a atenção
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Na segunda semana de setembro, o mercado brasileiro estará atento a diversos índices de preços a serem divulgados e que poderão balizar as expectativas do mercado a respeito das próximas reuniões do Copom.
Nos Estados Unidos, destaque para a divulgação do Índice de Preços ao Consumidor e para as vendas ao varejo. Ambos os indicadores referem-se a agosto.