Comentário da Semana: Bernanke vence aposta e reduz incerteza do mercado

Indicadores norte-americanos mostram que a decisão de interromper o ciclo de alta do juro nos EUA foi acertada

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SÃO PAULO – A terceira semana de agosto dissipou as incertezas sobre os rumos da política monetária norte-americana e a possibilidade da retomada do aperto no país, agora, é considerada quase nula pelos investidores.

Isso porque, durante a semana, os indicadores de desempenho da economia norte-americana indicaram controle inflacionário e afastaram a hipótese de estagflação, ou seja, de um cenário de baixo crescimento e pressões inflacionárias.

Nesse contexto, o Ibovespa encerrou a semana com valorização de 1,64%, enquanto o dólar comercial recuou 0,79%. Por sua vez, os juros futuros caíram e o risco-país avançou.

Cenário externo: fim do aperto é dado como certo

A divulgação dos índices de preços ao produtor e ao consumidor norte-americano, ainda no início da semana, mostrou que a aposta de Ben Bernanke de interromper o aperto monetário no país havia sido acertada.

Parte do mercado temia que a evolução do cenário macroeconômico pudesse obrigar o comitê de política monetária do país a retomar a seqüência de elevações, que já durava dois anos antes da paralisação ocorrida na semana passada. Tal hipótese, no entanto, é considerada remota na atual situação.

Ainda assim, para não perder o hábito, membros do banco central dos EUA voltaram a alertar o mercado durante a semana. Richard Fisher, presidente do Federal Reserve de Dallas, afirmou que a entidade não tolerará a inflação e não hesitará em retomar o aperto para combatê-la.

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Cenário doméstico: mais boas notícias

Boas notícias voltaram a figurar no cenário interno. Na terça-feira, a Sondagem Conjuntural da Indústria de Transformação, compilada pela Fundação Getúlio Vargas, mostrou que o otimismo também contagia os empresários, que devem investir mais em 2006 do que no ano passado.

Outro ponto positivo foi a divulgação da Nota do Setor Externo, pelo Banco Central, mostrando que o superávit do país em conta corrente foi de US$ 3,04 bilhões em julho, o maior de toda a série histórica.

Por fim, a agência internacional de classificação de risco Fitch elevou o teto do rating do Brasil de “BB” para “BB+”, após promover uma alteração metodológica em seu modelo de avaliação, animando o mercado.

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Ibovespa fecha semana em alta

O Ibovespa acumulou valorização de 1,64% na terceira semana de agosto, fechando a 37.552 pontos na sexta-feira. A semana marcou o fim da temporada de divulgação dos resultados corporativos do segundo trimestre, positiva, por sinal.

E o dólar comercial encerrou a semana com queda de 0,79%, cotado a R$ 2,1480. Na quinta-feira, o Banco Central retomou seu leilão semanal de swap cambial reverso, após jejum de quase um mês.

No mercado de juros futuros, o contrato com vencimento em janeiro de 2008 projetou taxa de 14,33% na sexta-feira, frente à de 14,42% do encerramento da semana anterior. A taxa anual do CDB prefixado de 30 dias fechou a 14,45%, abaixo da taxa de 14,56% registrada no final da semana passada.

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Próxima semana: agenda mais tranqüila

Na agenda da quarta semana de agosto, o mercado estará atento à divulgação do IPCA-15, do IBGE, que acompanha a variação dos preços de uma cesta de produtos e serviços entre o dia 15 de julho e 15 de agosto.

Nos EUA, o foco dos investidores estará voltado para o Durable Goods Orders referente a julho, calculado pelo Departamento de Comércio dos EUA. Ele mede o número de pedidos e entregas de bens duráveis no país e serve como amostra da atividade industrial.