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SÃO PAULO – As boas perspectivas econômicas aliadas ao avanço das Reformas estruturais no cenário político garantiram o bom desempenho do mercado brasileiro como um todo na última semana de agosto, dando continuidade, assim, à onda de otimismo que tomou os investidores após o corte de 2,5 pontos percentuais da taxa Selic pelo Copom (Comitê de Política Monetária), na semana anterior. Dessa maneira, tanto o dólar quanto os juros futuros encerraram a semana em queda.
Com vitórias governistas, Reformas avançam no Congresso
Neste sentido, as novas vitórias do governo obtidas junto à Câmara dos Deputados na última semana de agosto ampliaram ainda mais os ânimos do mercado, à medida que sinalizaram uma maior possibilidade de cumprimento do cronograma estipulado pelo Planalto para a agenda das Reformas. Com relação à Reforma Tributária, os destaques apresentados pela oposição foram derrubados na Comissão Especial da Câmara, possibilitando que o texto fosse encaminhado, assim, ao plenário da Casa.
De acordo com as lideranças governistas, a votação da matéria em primeiro turno no plenário da Câmara deverá ocorrer o quanto antes, visto que a idéia do governo é encerrar a tramitação do projeto até o dia 30 de setembro, algo que parece, ao menos à primeira vista, bastante improvável. Durante uma reunião com os líderes dos partidos aliados, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu a eles o mesmo empenho apresentado na Reforma da Previdência para garantir outra vitória na votação do projeto da Reforma Tributária.
Com relação à Reforma da Previdência, por sua vez, o texto foi votado e aprovado em segundo turno pelo plenário da Câmara na noite da última quarta-feira, assim como previsto pelos governistas. A votação foi tão apertada quanto aquela do primeiro turno, de forma que a margem apresentada pelo Planalto foi de apenas 15,9%, com 357 votos favoráveis, o que corresponde a 49 votos acima do mínimo de 308. Após a aprovação, a matéria seguiu para o Senado, onde deverá ser apreciada a partir da primeira semana de setembro.
No Senado, as coisas poderão ficar um pouco mais complicadas para o governo Lula, visto que dos 81 senadores, 48 são teoricamente da chamada bancada governista, enquanto aproximadamente 30 compõem a oposição. Contudo, esta distribuição obedece ao critério partidário, podendo ser alterada de acordo com o grau de eficiência da articulação empreendida pelo governo. Assim, caso o Planalto não garanta uma base suficientemente forte para aprovação do texto, novas alterações poderão ocorrer nesta etapa da tramitação do projeto.
Aprovação do governo entre populares continua elevada
Ainda no cenário político, o Instituto Sensus divulgou, nesta semana, sua pesquisa mensal de Satisfação do Cidadão, encomendada pela CNT (Confederação Nacional do Transporte) e realizada em 24 estados da União. Nesta pesquisa, apontou-se para uma ligeira melhora do índice de aprovação do governo Lula junto à população, que passou, assim, de 46,3% em julho para 48,3% em agosto. Em relação ao desempenho pessoal do presidente Lula, a aprovação caiu de 77,6% para 76,7% nesta mesma comparação.
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Dentre os temas considerados polêmicos no atual governo, a parcela dos que aprovam a Reforma da Previdência aumentou de 66,0% em maio para 68,7% em agosto, assim como ampliou-se de 54,4% para 60,2% na mesma comparação a parcela dos entrevistados que acreditam que a Reforma irá melhorar suas vidas. Sobre a questão agrária e o MST (Movimento dos Sem Terra), 73,7% posicionaram-se contrários às invasões de terra, de forma que 56,1% consideram inadequada a atuação do governo no sentido de resolver a questão agrária.
Melhores projeções para a economia brasileira
No aspecto econômico, a avaliação da última semana de agosto é também positiva, uma vez que a Ata do Copom, divulgada pelo Banco Central na última quinta-feira, trouxe boas perspectivas para a economia brasileira nos próximos meses. Dessa maneira, a autoridade monetária projeta que a inflação deverá convergir para patamares inferiores à meta estabelecida para 2004, ficando abaixo da meta também nos próximos doze meses. Contudo, o documento confirma que os preços deverão subir acima da meta de 8,5% em 2003.
Com relação à atividade econômica, o Copom projeta um melhor desempenho da indústria e comércio no segundo semestre deste ano do que aquele apresentado nos primeiros seis meses de 2003. E por falar na performance da economia brasileira entre janeiro e junho, o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgou o resultado das contas nacionais do país referentes ao período, apurando uma elevação de apenas 0,3% do PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro frente ao mesmo semestre do ano anterior.
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Ainda no âmbito econômico, foram divulgados importantes índices de preços ao longo desta semana. Neste sentido, o IPC (Índice de Preços ao Consumidor) da Fipe apurou uma inflação de 0,37% na terceira quadrissemana de agosto, após ter avançado 0,24% na quadrissemana anterior. A Fundação Getúlio Vargas, por sua vez, divulgou, na quinta-feira, o IGP-M (Índice Geral de Preços – Mercado) referente ao mês fechado de agosto, apurando uma inflação de 0,38%, em linha com as expectativas contidas no relatório Focus, do Banco Central.
Sinais de reaquecimento econômico animaram EUA
O maior otimismo foi também sentido no mercado norte-americano, principal referencial para os demais, nesta última semana de agosto, de forma que as principais bolsas dos Estados Unidos acumularam ganhos no período. O maior ânimo refletiu, basicamente, os bons indicadores divulgados na semana, com destaque para o crescimento de 3,1% do PIB do país no segundo trimestre deste ano, acima dos 2,9% esperados pelo mercado.
No mercado de petróleo, por sua vez, as projeções de queda na demanda pela commodity e seus derivados nos próximos meses começaram a ser revistas, uma vez que os sinais de reaquecimento econômico poderão estimular o maior consumo de combustíveis nos Estados Unidos, principal mercado consumidor. Dessa maneira, o barril de petróleo fechou a semana cotado a US$ 29,49, acumulando queda de 0,67% no período.
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Dólar e juros futuros caíram
Com o otimismo dos investidores se estendendo ao mercado de câmbio, o dólar acumulou leve queda de 0,30% na semana, fechando cotado a R$ 2,9740. O principal foco das atenções continuou com o cenário político, após a aprovação da Reforma da Previdência em segundo turno da Câmara e da vitória do governo durante a votação dos destaques do projeto de Reforma Tributária.
No mercado de juros futuros, por sua vez, a tendência foi de queda, com as projeções de novos cortes da Selic nos próximos meses. Assim, o contrato futuro com vencimento em abril de 2004, que apresenta maior liquidez, projetou taxa de 19,33% nesta sexta-feira, frente a uma taxa de 19,80% na semana passada. Já a taxa anual do CDB pré-fixado de 30 dias fechou a 21,20%, frente a uma taxa de 21,48% registrada na semana anterior.
O Ibovespa, por sua vez, continuou apresentando um bom desempenho na semana, acumulando forte alta de 3,84%, com os investidores otimistas frente ao cenário político e econômico. Vale destacar, ainda, que a bolsa paulista apresentou um excelente desempenho no mês de agosto, acumulando forte elevação de 11,82% no mês, de forma que dos 54 papéis que compõem o Ibovespa, apenas a ação ordinária da Embratel acumulou queda em agosto.
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Primeira semana de setembro será centrada na política
O mês de setembro deverá começar com um baixo número de indicadores a serem divulgados no mercado brasileiro, de forma que os únicos destaques ficarão com o IPC da Fipe referente ao mês fechado de agosto e para a Pesquisa Industrial Mensal referente a julho, que será divulgada pelo IBGE. Com o escasso número de indicadores conjunturais, o foco do mercado doméstico deverá desviar-se para o cenário político na primeira semana da setembro.
Assim, os investidores deverão continuar atentos ao início da tramitação da Reforma da Previdência no Senado, com a análise da matéria pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Casa. Com relação à Reforma Tributária, o governo deverá buscar uma maior articulação junto à sua base aliada, de forma a iniciar também nesta semana a votação do texto em primeiro turno pelo plenário da Câmara.
Nos Estados Unidos, por sua vez, a semana será mais curta, em função do feriado do Labor Day, na segunda-feira, que marca o final das férias de verão no país. Importantes indicadores serão divulgados, com destaque para o ISM Index, o Fed’s Beige Book, o ISM Services, o Factory Orders, o Nonfarm Payrolls e o Unemployment Rate.