Comentário da Semana: avanço da inflação trouxe preocupação ao mercado

Índices de preços ficaram bem acima das expectativas durante a semana; petróleo bateu novo recorde em Nova York

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SÃO PAULO – A primeira semana de abril foi bastante negativa para o mercado brasileiro, com a deterioração do cenário econômico interno e a abertura de investigação contra o presidente do Banco Central. No cenário externo, o petróleo chegou a atingir nova marca histórica, aumentando a cautela dos investidores.

Neste contexto, a bolsa brasileira encerrou a semana acumulando forte queda, assim como o dólar comercial, que já acumula onze sessões consecutivas de baixa, na ausência de atuação do Banco Central. Já os juros futuros encerraram a semana em alta, com preocupações com o rumo da inflação, enquanto o risco país recuou.

Cenário interno: inflação voltou a preocupar

A semana foi marcada pelo avanço da inflação, que voltou a preocupar. O principal destaque foi o IPC (Índice de Preços ao Consumidor) da Fipe, que apurou inflação de 0,79%, a maior medição para o mês de março dos últimos dez anos. O IGP-DI (Índice Geral de Preços -Disponibilidade Interna) fechado de março e o IGP-M (Índice Geral de Preços – Mercado) também vieram acima das expectativas, enquanto o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) não surpreeendeu.

Outro destaque foi o pedido do procurador-geral da República, Cláudio Fontelles, de abertura de investigação contra o presidente do Banco Central (BC), Henrique Meirelles, por suposto envolvimento com remessa ilegal de recursos ao exterior, lavagem de dinheiro e crime eleitoral.

O presidente Lula havia conferido status de ministro a Meirelles, após o surgimento das denúncias no ano passado, o que lhe dá o direito a um julgamento em foro privilegiado. Reagindo ao assunto, o ministro da Coordenação Política, Aldo Rebelo, declarou que o presidente do Banco Central conta com a total confiança do presidente Lula e deve continuar no cargo.

O cenário para a indústria também piorou. A Pesquisa Mensal do Emprego, realizada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) mostrou queda de 1,2% na produção industrial brasileira, a maior redução em 20 meses. Em janeiro, o indicador também havia mostrado queda na atividade industrial.

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Cenário externo: petróleo em destaque novamente

No cenário externo, destaque para o petróleo, que bateu novo recorde, sendo negociado na maior cotação desde 1983, quando o contrato passou a ser transacionado na bolsa de Nova York. Um dia após a marca, o presidente do Fed, Alan Greenspan, disse aos produtores norte-americanos da commodity que o atual patamar dos preços dos combustíveis colocou os mercados sob um grau de pressão, não visto há pelo menos uma geração.

Em uma semana de poucos indicadores nos Estados Unidos, a divulgação do Initial Claims, que mede o número de pedidos de auxílio-desemprego no país, recebeu uma atenção toda especial, após o fraco desempenho do Relatório do Emprego na semana passada. O número, no entanto, não surpreendeu.

Dólar já acumula onze sessões de queda

O dólar comercial encerrou a semana em forte queda de 2,74%, cotado a R$ 2,5870 no fechamento de sexta-feira, quando acabou encerrando a sessão em baixa de 0,35%. A moeda acumula onze desvalorizações consecutivas e atingiu a menor cotação desde fevereiro. A forte seqüência de quedas é creditada à ausência do BC das negociações e ao forte fluxo positivo de capitais.

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No mercado de juros futuros, a tendência foi de alta. O contrato futuro com vencimento em janeiro de 2006, que apresenta maior liquidez, projetou taxa de 19,53% na sexta-feira, frente a uma taxa de 19,45% no encerramento da semana anterior. Já a taxa anual do CDB pré-fixado de 30 dias fechou a 19,40%, alta de 0,11 ponto percentual em relação à taxa de 19,29% da semana anterior.

E o Ibovespa, principal índice da bolsa paulista, encerrou a semana em forte queda de 3,32%, sendo cotado a 25.885 pontos. O índice foi pressionado pela deterioração do cenário econômico interno e pela saída de capitais estrangeiros da bolsa de valores. Dados da Bovespa, divulgados na última terça-feira, mostraram uma saída líquida de R$ 1,5 bilhão de investidores estrangeiros do país no mês de março.

Próxima semana: ata do Fed deve ser o foco

Na segunda semana de abril, as atenções dos investidores devem se voltar para a divulgação da ata da última reunião do Fed, quando a taxa básica de juro norte-americana foi elevada em 25 pontos base. Outros destaques do cenário externo devem ficar com a divulgação dos dados sobre as vendas no varejo e a produção industrial nos Estados Unidos.

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No Brasil, a semana será de poucos indicadores, com atenção especial para as pesquisas mensais do IBGE (industrial, do comércio e do emprego) e para o anúncio de alguns índices de preços.