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SÃO PAULO – A última semana de abril foi marcada pelo pessimismo, com a manutenção das pressões inflacionárias e novo aumento do desemprego nas regiões metropolitanas. Além disso, a ata da última reunião do Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central) reacendeu as preocupações com a continuidade do ciclo de aperto monetário.
Neste contexto, a bolsa brasileira encerrou a semana praticamente estável, enquanto o dólar comercial atingiu sua menor cotação em três anos. Os juros futuros apresentaram tendência mista e o risco país recuou.
Cenário interno: aperto deve continuar
A semana foi marcada pela divulgação da ata da última reunião do Copom, que deixou em aberto a possibilidade de novas elevações da taxa Selic em maio. No documento, o comitê creditou a oitava elevação consecutiva do juro básico aos riscos de curto prazo, como a recente aceleração dos núcleos de inflação e as incertezas quanto ao comportamento dos preços do petróleo no mercado internacional.
A notícia desanimou os investidores, que acreditavam que a redução da magnitude dos ajustes, de 50 para 25 pontos base, na última reunião fosse um sinal de que o ciclo de aperto da política monetária estaria perto de seu final. Além disso, as justificativas dadas pela entidade fazem com que seja considerada quase certa uma nova elevação dos juros em maio.
Os índices de inflação, no entanto, continuaram acelerando e já se aproximam da banda superior da meta para 2005. A Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas) se rendeu ao óbvio e elevou sua projeção para o IPC (Índice de Preços ao Consumidor) em abril. Na semana passada, a fundação havia surpreendido quando manteve a projeção em 0,45% mesmo com a aceleração das prévias. O IPCA-15 (Índice de Preços ao Consumidor Amplo – 15) e o IGP-M (Índice Geral de Preços – Mercado) confirmaram a tendência de aceleração dos preços.
Apesar de não conter o avanço da inflação, a política de aumento das taxas de juros continua pressionando a atividade econômica do país. Em sua Pesquisa Mensal do Emprego do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) mostrou o terceiro aumento consecutivo da taxa de desemprego nas regiões metropolitanas.
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Cenário externo: PIB dos EUA decepciona
No cenário externo, o pior desempenho do PIB (Produto Interno Bruto) norte-americano desde o primeiro trimestre de 2003 alterou a percepção do mercado em relação ao crescimento global da economia. O pessimismo dos investidores parecia ter se dissipado após a divulgação de vários indicadores positivos nos Estados Unidos na semana passada.
E o clima de incerteza foi ampliado durante a semana, com os vários indicadores divulgados apontando em direções distintas. A renda e os gastos dos consumidores norte-americanos vieram acima do esperado nesta sexta-feira, mas a confiança dos consumidores registrou recuo em dois levantamentos divulgados durante a semana. Os indicadores ganham importância com a aproximação da reunião do Fed.
Nesse sentido, a maior queda diária do petróleo no mercado internacional, registrada na quarta-feira, foi uma boa notícia para o mercado. Durante a semana, o presidente norte-americano, George W. Bush, fez um apelo ao príncipe herdeiro da Arábia Saudita, Abdala Bin Abdul Azi, durante um encontro em seu rancho no Texas, para que o país árabe aumente sua produção, em uma tentativa de equilibrar a relação entre oferta e demanda no mercado internacional.
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Dólar volta a fechar a semana em queda
O dólar comercial encerrou a semana em leve queda de 0,3%, cotado a R$ 2,5280 no fechamento de sexta-feira, quando acabou encerrando a sessão com desvalorização de 0,94%. Durante a semana, a moeda alcançou sua menor cotação em três anos, ainda na ausência do Banco Central das negociações.
No mercado de juros futuros, a tendência foi mista. O contrato futuro com vencimento em janeiro de 2006, que apresenta maior liquidez, projetou taxa de 19,55% na sexta-feira, frente a uma taxa de 19,57% no encerramento da semana anterior. Já a taxa anual do CDB pré-fixado de 30 dias fechou a 19,53%, praticamente estável em relação à taxa de 19,39% da semana anterior.
E o Ibovespa, principal índice da bolsa paulista, encerrou a semana em leve alta de 0,31%, sendo cotado a 24.843 pontos. Apesar disso, o índice atingiu a menor cotação desde o início do mês na quinta-feira, pressionado pela divulgação da ata do Copom e pelo fraco desempenho das bolsas internacionais.
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Próxima semana: Fomc se reúne para decidir taxa
Na primeira semana de maio, o mercado deve ficar atento à reunião do Fomc, comitê norte-americano de política monetária, que decide os rumos da taxa básica de juros do país na terça-feira. O resultado da reunião deve afetar principalmente os países emergentes, que temem uma alteração nas condições de liquidez do mercado financeiro internacional.
Outros destaques, devem ser a divulgação do IPC – Fipe fechado do mês de abril, na quarta-feira, e da Produção Industrial de Março, na sexta-feira. Nos Estados Unidos, serão revelados os dados do Employment Report, que traça um retrato detalhado do mercado de trabalho do país.