Comentário da semana – ata do Copom e recuo do petróleo foram destaques

Atenções estiveram divididas entre queda do petróleo e perspetiva de elevação da Selic: dólar caiu e juros futuros subiram

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SÃO PAULO – Com as atenções divididas entre o ajuste no preço do barril de petróleo e as perspectivas de elevação do juro brasileiro trazidas pela ata do Copom (Comitê de Política Monetária), o mercado brasileiro como um todo apresentou um desempenho limitado na quarta semana de agosto. Neste sentido, o dólar e o Ibovespa acumularam queda no período, enquanto os juros futuros apresentaram alta.

Os indicadores referentes à economia norte-americana também foram acompanhados de perto pelos investidores, especialmente aqueles referentes à atividade econômica com um todo, como os pedidos de bens duráveis e o PIB (Produto Interno Bruto) referente ao segundo trimestre deste ano. No Brasil, dados referentes ao setor externo e à política fiscal, bem como índices de preços, também foram avaliados.

Ata do Copom trouxe sinais de que juro pode subir

Sem dúvida alguma, o grande destaque da semana ficou com a divulgação da ata do Copom, na quinta-feira, que trouxe as razões pelas quais a Selic foi mantida em 16,0% ao ano na reunião da autoridade monetária realizada entre os dias 17 e 18 deste mês. Mais importante que isso, contudo, foram as perspectivas trazidas pelo documento sobre como deverá ser a condução da política monetária nos próximos meses.

Neste sentido, a principal preocupação do Copom no que se refere ao cenário internacional são os recentes aumentos dos preços do petróleo no mercado internacional. O Comitê ainda projeta um aumento de 9,5% para a gasolina ao longo do ano de 2004, considerando, para realizar tal projeção, que o preço internacional do petróleo seja da ordem de US$ 35,00.

A projeção bastante inferior à atual cotação do petróleo no mercado internacional deve-se à percepção de que o preço elevado ocorre muito em função de um forte componente especulativo. Mas o Comitê reconhece a permanência de tensões geopolíticas e, por isso, considera que os riscos para os preços projetados para a gasolina em 2004 e 2005 aumentaram.

Com os temores de maior inflação gerados por uma maior alta do petróleo e pelo forte crescimento da demanda interna, o Copom já sinaliza para a possibilidade de que haja um aumento na taxa básica de juro brasileira, a Selic. E por falar em inflação, a Fipe divulgou o seu IPC referente à terceira quadrissemana de agosto, quando foi apurado uma variação positiva dos preços da ordem de 1,03%, acima da alta de 0,81% registrada na quadrissemana anterior.

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Divergências quanto à avaliação do cenário brasileiro

Não bastasse a visão um tanto quanto conservadora trazida pela ata do Copom, um outro fator ainda contribuiu para a maior cautela dos investidores: as divergências quanto à avaliação do Brasil. Neste sentido, a agência de classificação de risco Standard & Poor´s reiterou, na terça-feira, o rating soberano do Brasil, mantendo, também, a perspectiva “positiva”.

De uma certa maneira, isto não foi muito bem recebido pelos investidores, que já estavam trabalhando com a hipótese de uma elevação do rating. Ainda assim, a mesma Standard & Poor´s elevou, na quarta-feira, o rating da Venezuela, o que aumentou as expectativas dos investidores de que, se não a S&P, outras agências de classificação de risco, como ao Fitch e a Moody’s, poderiam melhorar em breve a classificação de risco do país.

Na sexta-feira foi a vez de dois importantes bancos internacionais – o Morgan Stanley e o Citigroup – elevarem a recomendação em suas carteiras dos títulos da dívida externa brasileira.

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Mercado norte-americano teve bom desempenho

Com relação ao mercado internacional, as principais bolsas norte-americanas acumularam ganhos na semana. O grande destaque ficou com o forte recuo registrado pelo preço do barril de petróleo, refletindo, basicamente, um movimento de ajuste. Para se ter uma idéia, o barril de petróleo Brent encerrou cotado a US$ 40,64, uma forte queda de 6,6% no acumulado da semana.

Além disso, os investidores analisaram os bons indicadores conjunturais divulgados no mercado norte-americano. O grande destaque, sem dúvida, ficou para a divulgação do PIB dos Estados Unidos, que apresentou uma expansão de 2,8% no segundo trimestre deste ano, levemente acima da variação positiva de 2,7% esperada pelos analistas. No mundo corporativo, as ações do setor de tecnologia foram destaque.

Dólar caiu e juros futuros subiram

Refletindo o recuo do preço do petróleo no período, a moeda norte-americana deu continuidade à trajetória declinante iniciada na semana anterior, acumulando queda de 0,37% cotada a R$ 2,955. É interessante destacar que a melhora do rating da Venezuela e a melhora da recomendação dos títulos brasileiros pelo Morgan Stanley e também pelo Citigroup também motivaram a queda do dólar.

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No mercado de juros futuros, por outro lado, a tendência foi de alta, com os investidores analisando a ata do Copom. Assim, o contrato futuro com vencimento em janeiro de 2005, que apresenta maior liquidez, projetou taxa de 16,74% nesta sexta-feira, frente a uma taxa de 16,62% no início da semana. Já a taxa anual do CDB pré-fixado de 30 dias fechou a 15,92%, configurando alta frente à taxa registrada na semana anterior.

O Ibovespa, por sua vez, acumulou quedas durante a semana, com os investidores aproveitando as perspectivas trazidas pela ata do Copom para embolsar os expressivos ganhos apresentados na semana anterior. Dessa maneira, o índice Bovespa acumulou queda de 2,58% na semana, atingindo 22.597 pontos.

Employment Report será foco na 1ª semama de setembro

Ao contrário desta semana, a primeira semana de setembro será marcada pela divulgação um menor número de indicadores no mercado brasileiro. Dessa maneira, o grande destaque deverá ficar com a divulgação do IGP-M (Índice Geral de Preços – Mercado) referente ao mês de agosto e também para a balança comercial do período. Também será divulgado o IPC da Fipe referente a agosto.

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Nos Estados Unidos, serão divulgados vários indicadores: Personal Income, Personal Spending, Consumer Confidence, Chicago PMI, Construction Spending, ISM Index, Factory Orders e o Emploument Report.