Comentário da semana: ata do Copom e Fed foram destaques

Em semana marcada pela reação do mercado à Ata do Copom e a depoimentos do Fed, dólar e juros futuros sobem; Bovespa caiu

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SÃO PAULO – Com a indicação de que a política monetária pode ser mais conservadora nos próximos meses, após a ata do Copom (Comitê de Política Monetária), e com a interpretação de que o Federal Reserve pode elevar o juro nos Estados Unidos antes do previsto, o mercado brasileiro como um todo apresentou um fraco desempenho na última semana de janeiro, de forma que os juros futuros e o dólar encerraram em alta no período.

Ata do Copom foi destaque

A Ata do Copom referente à sua reunião realizada entre os dias 20 e 21 deste mês, quando surpreendeu o mercado ao manter inalterada a taxa básica de juro em 16,5% ao ano, levou preocupação ao mercado, na medida em que ficou claro que tal atitude está intimamente ligada ao processo consistente de aceleração inflacionária registrado em janeiro. Assim, o que preocupa a autoridade monetária é se os indicadores inflacionários registrados no período são apenas reflexos sazonais ou se as altas dos preços são prenúncios de uma aceleração inflacionária persistente.

Nesse sentido, frente a essa impossibilidade de identificar quais os futuros cenários no quesito inflação, o Comitê entendeu ser mais conveniente a manutenção do juro, não atribuindo essas altas ao comportamento de alguns itens específicos. Além disso, o Copom sinalizou, em seu documento, que só deverá prosseguir com a flexibilização da política monetária quando a inflação apresentar sinais de que está cedendo, o que trouxe maior preocupação ao mercado, à medida que os recentes índices de preços divulgados continuam mostrando aceleração inflacionária.

Assim, o IPC (Índice de Preço ao Consumidor) da Fipe registrou inflação de 0,74% na terceira quadrissemana de janeiro, acima da alta de 0,71% registrada na quadrissemana anterior. O IPCA-15, divulgado pelo IBGE, apurou inflação de 0,68% em janeiro. Já o IGP-M (Índice Geral de Preços – Mercado) registrou inflação de 0,88% para o mês de janeiro, frente à alta de 0,61% em dezembro e da expectativa de 0,76%.

Mercado teme elevação do juro nos EUA antes do previsto

Em sua primeira reunião do ano, o Federal Reserve decidiu manter a taxa de juro básica em 1,0% ao ano, indo ao encontro com o esperado pelo mercado. Assim, o Fed acredita que a política monetária em vigor ainda está contribuindo para a retomada do crescimento da economia norte-americana, evidenciando, entre esta e a última reunião realizada, que houve um aumento da produtividade, além da recuperação do mercado de trabalho, ainda que o número de novos postos de trabalho não tenha se mostrado consistente o suficiente.

O que chamou mais atenção do mercado, neste sentido, foi o pronunciamento da autoridade monetária dos EUA, que foi interpretado como um sinal de que o juro naquele país pode aumentar antes do previsto. Com isso, os investidores temem que a recuperação da maior economia do mundo ainda não tenha consistência suficiente para suportar tal medida, o que afetaria fortemente o consumo e o mercado acionário.

Além disso, vale ressaltar que uma possível elevação da taxa de juro nos EUA poderá diminuir a liquidez internacional e, assim, reduzir os investimentos estrangeiros diretos em países emergentes, como é o caso do Brasil.

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Mercado norte-americano apresenta fraco desempenho

Nesse sentido, apesar de bons balanços e indicadores conjunturais, o mercado acionário norte-americano apresentou fraco desempenho nesta última semana do mês. Assim, as atenções dos investidores seguiram voltadas para as incertezas frente aos sinais de elevação da taxa básica de juro pelo Fed.

No mercado de petróleo, por sua vez, a commodity apresentou forte queda de 5,75% na semana, de forma que o barril tipo Brent negociado no mercado de Londres, encerrou o período cotado a US$ 29,18. Tal movimento decorreu, basicamente, das declarações de ministros de países da OPEP, sinalizando que o cartel não deverá reduzir a cota de produção do petróleo, que, atualmente, é de 24,5 milhões de barris por dia.

Dólar e juros futuros acumularam alta

Por esse cenário e com o vencimento da dívida cambial do governo de US$ 2,52 bilhões no dia 2 de fevereiro, que será resgatada de forma integral pelo Banco Central, o dólar acumulou forte alta de 3,13% na semana, fechando cotado a R$ 2,9310. O comportamento da moeda norte-americana também foi conseqüência das intervenções do Banco Central no sentido de aumentar suas reservas internacionais.

No mercado de juros, por sua vez, a tendência foi de forte alta, refletindo a consiste aceleração inflacionária. Assim, o contrato futuro com vencimento em janeiro de 2005, que apresenta maior liquidez, projetou taxa de 15,77% nesta sexta-feira, frente a uma taxa de 15,40% na semana passada. Já a taxa anual do CDB pré-fixado de 30 dias fechou a 16,27%, configurando uma alta frente à taxa registrada na semana anterior.

O Ibovespa, por sua vez, teve uma semana marcada por um fraco desempenho, com investidores analisando os resultados da Gerdau, Telemar e Souza Cruz. Dessa maneira, o principal índice da bolsa paulista, acumulou expressiva queda de 6,90% no período, também refletindo as projeções para a economia brasileira.

IPC-Fipe será foco na primeira semana de fevereiro

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A primeira semana de fevereiro será marcada, no Brasil, pela divulgação do IPC da Fipe referente ao mês fechado de janeiro, que deve ser bastante observado devido ao relatório desta semana do Copom. Além disso, a balança comercial mensal e Pesquisa Industrial Mensal do IBGE também estarão em foco.

Já nos Estados Unidos, muitos indicadores deverão atrair a atenção dos investidores na próxima semana, dentre eles: Personal Income, o Personal Spending, o Factory Orders, o Construction Spending, o ISM – Services Index e o Employment Report.