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SÃO PAULO – Após as turbulências ocorridas no cenário político nos últimos dias de julho terem preocupado os investidores, o mercado brasileiro como um todo registrou um bom desempenho na primeira semana de agosto, refletindo o maior ânimo com a aprovação do projeto de Reforma da Previdência no plenário da Câmara dos Deputados. Dessa maneira, tanto o dólar quanto os juros futuros acumularam queda na semana, enquanto o Ibovespa registrou considerável alta.
Aprovação da Reforma da Previdência agradou mercado
Neste sentido, as atenções dos investidores novamente voltaram-se, ao longo desta semana, para os acontecimentos do Planalto, especialmente no que diz respeito à tramitação da Reforma da Previdência na Câmara dos Deputados. Procurando obter um maior avanço no cronograma, o governo brasileiro antecipou para terça-feira o início das discussões em torno do projeto de Reforma, concluindo na madrugada de quarta-feira a aprovação do texto básico no plenário da Câmara.
A margem obtida pelo governo, contudo, foi bastante pequena, atingindo apenas 16,2%, visto que foram contabilizados 358 votos a favor do projeto frente ao mínimo de 308 votos necessário para aprovação do texto. Do total de votos favoráveis, apenas 293 foram dados por parlamentares da base governista, o que significa que foi a oposição, com 62 votos a favor do projeto, quem decidiu a vitória do governo no plenário.
Na madrugada de quinta-feira foram votados os destaques do projeto, de forma que o governo obteve mais uma importante vitória, ainda que com uma margem ainda mais apertada – de apenas 5,8% (326 votos a favor do governo). Dessa maneira, o principal ponto da Reforma – a contribuição dos inativos – foi mantido no texto, com uma ligeira alteração: o limite de isenção para cobrança da alíquota de 11,0% foi aumentado de R$ 1.058 para R$ 1.200 no caso dos atuais servidores.
Contudo, para obter esta vitória, o governo teve que retroceder em sua decisão inicial e ceder às pressões dos magistrados, elevando o subteto do Judiciário estadual de 85,5% para 90,25% do vencimento do Ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), assim como queriam os servidores públicos. Vale destacar que na quarta-feira, a proposta original de subteto já havia sido alterada pelos parlamentares, passando de 75,0% para 85,5%.
Preços mostram tendências divergentes em julho
No âmbito das notícias econômicas, a semana novamente foi marcada pela divulgação de importantes índices de preços. Neste sentido, a Fipe divulgou o IPC (Índice de Preços ao Consumidor) referente ao mês fechado de julho, apurando uma deflação de 0,08% no período, melhor que as expectativas do mercado, compiladas no relatório Focus do Banco Central, que apontavam para estabilidade dos preços.
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Na sexta-feira, foi a vez do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgar os seus índices, com destaque para o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor – Amplo), que registrou variação positiva de 0,20% em julho, após ter caído 0,15% no mês anterior.
Contudo, a inflação medida pelo índice ainda ficou abaixo daquela esperada pelo mercado, que apontava para uma variação positiva de 0,30%. Já o INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor) apurou uma leve inflação de 0,04% no mesmo período, após registrar deflação de 0,06% em junho.
Confirmando expectativas, BC reduziu o compulsório
Após muitas especulações, o Banco Central anunciou oficialmente, na manhã de sexta-feira, a redução do recolhimento de compulsório bancário em 15 pontos percentuais, de modo que este passou de 60% para 45% dos depósitos à vista. A medida foi tomada no sentido de ampliar a liquidez em moeda doméstica do mercado, possibilitando, dessa forma, um reaquecimento da economia brasileira no segundo semestre.
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A redução do compulsório somente foi possível após a melhora do cenário interno, com a inflação devidamente sob controle e o setor público cumprindo a meta de superávit primário. Dessa maneira, o mercado amplia suas expectativas de que os juros bancários possam ser reduzidos ao longo dos próximos meses, facilitando a retomada do crescimento da economia brasileira.
Mercado norte-americano apresentou fraco desempenho
Com relação ao mercado norte-americano, a semana foi marcada por um fraco desempenho do mesmo, com os investidores apreensivos após o resultado trimestral abaixo do esperado da fabricante de equipamentos para redes de comunicação Cisco e com a notícia de que a União Européia estaria acusando a fabricante de softwares Microsoft de práticas ilícitas de monopólio.
No âmbito dos indicadores conjunturais, pode-se dizer que foram apresentadas tendências divergentes, de forma que os índices de produtividade, pedidos de auxílio-desemprego e pedidos à indústria norte-americana registraram bom desempenho, enquanto o volume de créditos ao consumidor surpreendeu negativamente o mercado na quinta-feira.
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No tocante ao mercado de petróleo, a commodity encerrou a semana cotada a US$ 29,77 por barril, acumulando, dessa forma, uma leve queda de 0,67% no período. Tal baixa foi influenciada, basicamente, pela elevação inesperada dos estoques norte-americanos de petróleo na semana terminada em 1º de agosto, conforme dados divulgados pelo Departamento de Energia dos Estados Unidos na semana.
Dólar e juros futuros acumularam queda na semana
Refletindo o avanço da Reforma da Previdência na Câmara dos Deputados, o dólar encerrou a semana em queda. Dessa maneira, após a aprovação do texto da Previdência no plenário, o dólar comercial encerrou a sexta-feira cotado a R$ 2,9870, acumulando, assim, uma forte queda de 1,35% na semana.
No mercado de juros futuros, por sua vez, a tendência foi de queda, com o maior otimismo dos investidores. Assim, o contrato futuro com vencimento em abril de 2004, que apresenta maior liquidez, projetou taxa de 21,39% nesta sexta-feira, frente a uma taxa de 21,79% na semana passada. Já a taxa anual do CDB pré-fixado de 30 dias fechou a 23,55%, frente a uma taxa de 23,90% registrada na semana anterior.
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O Ibovespa, por sua vez, apresentou um bom desempenho na semana, com o maior otimismo dos investidores após a melhora do cenário político e da redução do compulsório bancário. Além disso, os investidores reagiram de forma positiva aos bons resultados corporativos divulgados, com destaque para os dados da Net, da Braskem, do Itaú e do Bradesco, levando o principal índice da bolsa paulista a acumular alta de 2,82% no período.
Índices de Preços serão destaque na 2ª semana de agosto
A segunda semana de agosto será mais agitada que a primeira tanto no mercado brasileiro quanto no mercado norte-americano. No mercado doméstico, o destaque ficará com a divulgação de importantes índices de preços, além da Pesquisa Industrial Mensal de Produção Física, pelo IBGE. Dessa maneira, a Fundação Getúlio Vargas divulgará a primeira prévia do IGP-M para agosto, além do IGP-DI referente a julho.
A Fipe também divulgará o IPC referente à primeira quadrissemana do mês corrente. No aspecto corporativo, o mercado aguardará um grande número de resultados trimestrais a serem divulgados, com destaque para o da Petrobras, da Vale do Rio Doce, da Transmissão Paulista e da Sanepar.
Nos Estados Unidos, importantes indicadores serão divulgados, com destaque para o Business Inventories, o Retail Sales, o Trade Balance e o Producer Price Index (PPI). Contudo, o principal foco dos investidores será a reunião do Federal Reserve (Fed) para decisão do novo patamar da taxa básica de juro do país.