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SÃO PAULO – A segunda semana de abril foi bastante negativa para o mercado brasileiro, com a deterioração das perspectivas de crescimento da economia mundial. A inflação voltou a preocupar e fica a expectativa em relação à reunião do Copom (Comitê de Política Monetária), que acontece na semana que vem. No cenário externo, a minuta da última reunião do Fed foi o destaque da semana.
Neste contexto, a bolsa brasileira encerrou a semana em forte queda, enquanto o dólar comercial, refletindo a saída dos investidores estrangeiros, reduziu as perdas no final da semana. Os juros futuros também encerraram a semana em queda, enquanto o risco país avançou, refletindo as maiores preocupações em relação à economia brasileira.
Cenário interno: Percepção de risco piora
A semana foi marcada pela mudança das projeções para o crescimento de alguns setores da economia mundial, o que alterou a percepção de risco dos investidores e reduziu a participação dos estrangeiros no mercado financeiro. Os investidores temem que o arrefecimento de setores como o siderúrgico e o de mineração comprometam o desempenho das exportações brasileiras.
A inflação, por sua vez, voltou a preocupar durante a semana. Na terça-feira, a variação de preços medida pelo IPC (Índice de Preços ao Consumidor) da Fipe quase rompeu a barreira psicológica de 1%, ficando em 0,98% na primeira quadrissemana de abril. A equipe que coordena o índice, no entanto, minimizou o resultado, atribuindo-o a fatores pontuais como a alta dos transportes públicos em São Paulo e mantendo a projeção para o mês em 0,45%.
Ainda assim, os analistas começam a questionar a política monetária do Banco Central, alegando que as elevações do juro básico não vêm surtindo o efeito desejado sobre os núcleos de inflação. Vale destacar que na próxima semana, o Copom volta a se reunir para a decisão sobre os rumos da taxa Selic.
Mesmo com juros altos, o FMI (Fundo Monetário Internacional) elevou a projeção de crescimento da economia brasileira este ano, para 3,7%. Apesar de ser maior do que na estimativa anterior, de setembro do ano passado, o número ainda fica abaixo da média para a América Latina (4,1%).
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Cenário externo: ata do Fed foi destaque
No cenário externo, a ata da última reunião do Fed, quando a taxa básica de juros da economia norte-americana foi elevada para 2,75%, foi o principal foco dos investidores durante a semana. Apesar de ainda demonstrar preocupações com a inflação, o documento sinaliza para a manutenção do ritmo gradual de aumento dos juros no país, o que deve manter as condições favoráveis de liquidez no mercado internacional.
Outro destaque foi a divulgação das vendas no varejo norte-americano em março, que ficaram bem abaixo do esperado. Além da própria economia norte-americana, o dado também afetou outras economias, com os temores da que a redução das vendas no principal importador mundial possa pressionar o mercado internacional.
E os déficits norte-americanos continuam preocupando. Na terça-feira, o governo do país divulgou os resultados dos déficits comercial e fiscal do país, sendo que ambos ficaram acima das expectativas do mercado. Os recorrentes saldos negativos do governo dos Estados Unidos são o principal fator para a fragilidade do dólar no mercado internacional.
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Dólar interrompe longa seqüência de queda
O dólar comercial encerrou a semana em alta de 1,28%, cotado a R$ 2,600 no fechamento de sexta-feira, quando acabou encerrando a sessão com valorização de 1,71%. A interrupção de uma seqüência de catorze quedas consecutivas na quinta-feira transformou as perdas da semana em ganhos.
No mercado de juros futuros, a tendência foi de queda. O contrato futuro com vencimento em janeiro de 2006, que apresenta maior liquidez, projetou taxa de 19,42% na sexta-feira, frente a uma taxa de 19,53% no encerramento da semana anterior. Já a taxa anual do CDB pré-fixado de 30 dias fechou a 19,38%, queda de 0,02 ponto percentual em relação à taxa de 19,40% da semana anterior.
E o Ibovespa, principal índice da bolsa paulista, encerrou a semana em forte queda de 4,75%, sendo cotado a 24.656 pontos. Na quinta-feira, o índice registrou a maior queda desde maio do ano passado, pressionado pelo fraco desempenho das ações do setor siderúrgico e por uma forte diminuição da participação dos estrangeiros no pregão.
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Próxima semana: Copom se reúne
Na terceira semana de abril, o destaque fica com a quarta reunião do Copom no ano, que na próxima quarta-feira decide a nova taxa básica de juros. A maioria do mercado espera que o colegiado interrompa a série de sete altas consecutivas da taxa, mantendo-a em 19,25% ao ano.
No cenário externo, o foco deve ser a divulgação dos índices preços ao produtor e ao consumidor norte-americanos. Preparados pelo Departamento de Trabalho, o PPI será divulgado na terça-feira, enquanto o CPI sai só na quinta-feira.