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SÃO PAULO – A terceira semana de abril foi praticamente neutra para o mercado brasileiro, dividido entre a melhora do cenário externo, após a divulgação de bons indicadores da economia dos Estados Unidos, e a oitava elevação consecutiva dos juros brasileiros, decidida na quarta-feira pelo Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central).
Neste contexto, a bolsa brasileira encerrou a semana em leve alta, enquanto o dólar comercial fechou na menor cotação em quase três anos nesta sexta-feira. Os juros futuros subiram durante a semana, enquanto o risco país recuou.
Cenário interno: Copom surpreende e eleva Selic
A semana foi marcada pela oitava elevação consecutiva da taxa básica de juro da economia brasileira, para 19,50% ao ano. A decisão surpreendeu o mercado, uma vez que a interpretação da última ata havia apontado para o fim do ciclo de aperto monetário no país.
A escolha da entidade, no entanto, foi dificultada pela persistência das pressões sobre os núcleos inflacionários. Já na segunda-feira, as projeções para o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) ao final do ano sofreram a sétima elevação consecutiva. Outros dois índices, o IGP-10 (Índice Geral de Preços-10) e o IPC (Índice de Preços ao Consumidor) da Fipe, também aceleraram, medindo inflação acima de 1% nos últimos 30 dias.
É importante ressaltar, no entanto, que a política de combate à inflação do BC já começa a encontrar uma série de opositores. Os críticos alegam que o aumento de juros não ataca o principal foco da inflação, que seriam os preços administrados. Outro argumento é o de que o timing para a ação das elevações não estaria sendo respeitado pela entidade.
Cenário externo: indicadores dissipam pessimismo
No cenário externo, a onda de pessimismo que assolava o mercado nas últimas semanas foi dissipada após a divulgação de bons indicadores nos Estados Unidos. Na quinta-feira, o Initial Claims apresentou seu melhor resultado desde o final de 2001 e o indicador do nível de atividade industrial no país também ficou bem acima das expectativas.
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Os índices inflacionários norte-americanos também tranqüilizaram os investidores. Em direções opostas, o índice de preços ao produtor veio acima do esperado, enquanto o ao consumidor ficou abaixo das expectativas. A tendência mista dos indicadores trouxe poucas informações sobre o rumo dos juros na maior economia do mundo.
Assim, nem mesmo o discurso do presidente do Federal Reserve, Alan Greenspan, que mais uma vez alertou para os riscos que os déficits acumulados pelo governo norte-americano trazem para o crescimento da economia do país, foi suficiente para desanimar os investidores.
Vale destacar, no entanto, que o petróleo voltou a preocupar os investidores. Após algumas semanas de tranquilidade, a commodity atingiu a maior valorização semanal em três meses e voltou a operar na casa dos US$ 55 na bolsa de Nova York.
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Dólar opera na menor cotação em quase três anos
O dólar comercial encerrou a semana em queda de 3,21%, cotado a R$ 2,5360 no fechamento de sexta-feira, quando acabou encerrando a sessão com desvalorização de 0,94%. Essa é menor cotação da moeda desde junho de 2002 e é motivada pela entrada de capitais estrangeiros e pela ausência do BC das negociações já há algumas semanas. A elevação da taxa Selic também contribuiu para as perdas nesta sexta-feira.
No mercado de juros futuros, a tendência foi de alta. O contrato futuro com vencimento em janeiro de 2006, que apresenta maior liquidez, projetou taxa de 19,57% na sexta-feira, frente a uma taxa de 19,42% no encerramento da semana anterior. Já a taxa anual do CDB pré-fixado de 30 dias fechou a 19,39%, praticamente estável em relação à taxa de 19,38% da semana anterior.
E o Ibovespa, principal índice da bolsa paulista, encerrou a semana em leve alta de 0,45%, sendo cotado a 24.767 pontos. Em uma semana mais curta, o índice foi beneficiado pela maior participação dos investidores estrangeiros no pregão, além de uma recuperação após as fortes quedas da semana passada.
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Próxima semana: Copom divulga ata da reunião
Na última semana de abril, a divulgação da ata da reunião do Copom na quinta-feira deve ser o centro das atenções. Após a surpresa trazida pela elevação da taxa Selic, o mercado espera que a entidade dê alguma dica sobre o rumo do juro no Brasil nas próximas reuniões.
Nos Estados Unidos, o destaque fica com a divulgação do Índice de Custo de Mão-de-obra (Employment Cost Index), e do PIB (Produto Interno Bruto) norte-americano. Ambos os indicadores são divulgados trimestralmente e se referem ao primeiro trimestre deste ano.