Comentário da Semana

Com otimismo do mercado, dólar e juros futuros fecham em queda, enquanto Bovespa se recupera depois de sofrer realização de lucros por dois pregões consecutivos

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SÃO PAULO – Em uma semana marcada pela normalização dos negócios após as festividades de Natal e Ano Novo, o desempenho do mercado brasileiro como um todo foi ruim no início da semana, acompanhando o fraco desempenho dos mercados externos e também realizando lucros, após a excelente performance no final de 2002.

No entanto, a tendência foi revertida a partir da metade da semana e os mercados se recuperaram, refletindo na queda do dólar e dos juros futuros e na alta da bolsa. O mercado voltou a adotar uma atitude mais otimista, avaliando bem o discurso de posse do novo presidente do Banco Central, Henrique Meirelles.

Otimismo do mercado favorece captação de recursos

Com a boa receptividade alcançada pelo novo governo junto ao mercado, o Bradesco conseguiu captar US$ 250 milhões em Euronotes no início da semana, favorecendo a queda do dólar e do risco país.

Aproveitando a demanda internacional por títulos brasileiros, outros bancos, como Itaú, Unibanco, ABN Amro e Votorantim, também emitiram títulos, captando um maior volume de recursos e pressionando ainda mais o dólar para baixo.

Inflação fica abaixo do esperado

A FGV divulgou na semana que se encerrou a primeira prévia do IGP-M referente ao mês de janeiro, projetando uma inflação de 1,34% no mês, valor bem abaixo do esperado pelo mercado.

A Fundação também divulgou o IGP-DI referente ao mês de dezembro de 2002, registrando uma inflação de 2,70% no período, também abaixo do valor projetado no relatório Focus do Banco Central, que apontava 3,50% para o mesmo período.

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Na sexta-feira, o IBGE divulgou o IPCA, que atingiu 12,53% em 2002, ultrapassando a meta máxima acertada com FMI, que era de 11% no ano. O valor alcançado pelo índice em 2002 corresponde à maior alta desde 1995, quando o IPCA ficou em 22,41%.

Mercado norte-americano fecha semana com otimismo

O mercado externo, mais especificamente o norte-americano, teve sua semana marcada pelas expectativas em torno do pacote de US$ 674 bilhões do presidente Bush para impulsionar a economia dos Estados Unidos. Com as incertezas em relação ao pacote e o mau desempenho do ISM, os índices acionários iniciaram a semana em queda.

A divulgação do Initial Claims mostrou uma redução do número de pedidos de auxílio-desemprego, provocando uma recuperação dos indicadores financeiros do país. Em uma sessão de muita volatilidade nesta sexta-feira, as bolsas norte-americanas fecharam a semana em alta.

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O mercado seguiu apreensivo em relação a um possível conflito entre EUA e Iraque, uma vez que os EUA continuaram enviando tropas para o Golfo Pérsico. O petróleo, que havia iniciado a semana em baixa, devido às expectativas de aumento da produção pela OPEP, acabou fechando a semana em leve alta de 0,10%.

Dólar cai e Ibovespa sobe

Com a captação de recursos externos e a rolagem de 74% da dívida cambial pelo Banco Central, o dólar voltou a cair durante a semana. A moeda norte-americana caiu 0,72% na sexta-feira, fechando a semana cotada em R$ 3,2990. No acumulado da semana a divisa norte-americana caiu 4,22% em relação ao fechamento da última sexta-feira.

Os juros futuros, por sua vez, voltaram a cair durante a semana, fechando em leve baixa. Dessa forma, o contrato futuro com vencimento em abril de 2003 fechou com taxa de 24,95%, frente a uma taxa de 26,16% na semana passada. Já a taxa anual do CDB pré-fixado de 30 dias fechou a 24,43% nesta sexta-feira, frente à taxa de 25,20% registrada na semana anterior.

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Iniciando a semana em alta, os investidores optaram pela realização de lucros em dois pregões consecutivos, de modo que o índice fechou em baixa na 3ª e 4ª feira, recuperando-se no dia seguinte. Na sexta-feira, o Ibovespa fechou em forte alta de 2,78%, alavancado por ações do setor energético detentoras de passivos atrelados ao dólar.

Próxima semana será de muitos eventos

Na próxima semana, ocorrerá divulgação de muitos indicadores de inflação (PPI, Core PPI, CPI, Core CPI) e atividade econômica (Retail Sales e Industrial Production) nos EUA.

No Brasil, a FIPE divulgará o IPC quadrissemanal referente à primeira semana de janeiro. O IBGE fará a divulgação da Pesquisa Mensal do Comércio, referente ao mês de dezembro de 2002, e dos ïndices da Construção Civil, também referentes a dezembro do ano passado.