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SÃO PAULO – O cenário interno pessimista e o fraco desempenho dos mercados externos ditaram o fraco desempenho do mercado brasileiro como um todo durante a semana. Iniciando a semana com um fraco volume de negócios, em decorrência do feriado norte-americano de Martin Luther King, a Bovespa acumulou sucessivas quedas no decorrer da semana, fechando em leve alta apenas no pregão de quinta-feira.
A apreensão dos investidores aumentou após a divulgação de importantes indicadores de inflação ainda no início da semana. Neste sentido, a segunda prévia do IPC da FIPE registrou alta de 1,79%, ficando acima dos 1,74% registrados na primeira prévia. A aceleração inflacionária foi corroborada pela 2ª prévia do IGP-M da Fundação Getúlio Vargas, que ficou em 1,81%, frente aos 1,34% registrados no primeiro decêndio de janeiro.
BC revê meta de inflação e eleva taxa Selic
Diante da aceleração inflacionária registrada nos últimos meses, o Banco Central divulgou a carta aberta ao ministro da Fazenda, Antônio Palocci, na qual a meta de inflação para 2003 foi reajustada para 8,5%.
Neste sentido, após reunião na terça e quarta-feira, o Copom (Comitê de Política Monetária) anunciou o novo patamar da taxa Selic, que passou de 25% para 25,5%, ou seja, um aumento de meio ponto percentual.
Déficit em transações correntes cai em 2002
O BC também divulgou, na última quinta-feira, a Nota do Setor Externo referente ao mês de dezembro de 2002 e também ao consolidado do ano. Em dezembro, houve uma forte redução no déficit em transações correntes, que ficou em US$ 106 milhões, contribuindo para o superávit do balanço de pagamentos de US$ 1,41 bilhão no período.
Uma outra boa notícia decorrente dos dados divulgados pelo BC é referente à parcela do déficit em transações correntes no PIB. De acordo com os números, no acumulado do ano o déficit em transações correntes ficou em US$ 7,757 bilhões, o que corresponde a 1,67% do PIB.
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Mercado norte-americano tem semana de pessimismo
Tendo iniciado a semana com o feriado de Martin Luther King, o mercado norte-americano teve um desempenho ruim durante toda a semana, com os investidores temerosos em relação às tensões no Golfo Pérsico. Neste sentido, as principais bolsas norte-americanas fecharam a semana em forte baixa.
O mercado seguiu pessimista com as projeções corporativas para 2003, ainda que alguns resultados relativos ao quarto trimestre de 2002 tenham sido favoráveis. Os investidores esperam que o baixo consumo continue desacelerando a economia norte-americana no ano em curso, criando, dessa maneira, um cenário desfavorável para as corporações.
Declarações do secretário de Estado norte-americano, Collin Powell, sobre a possibilidade de um ataque ao Iraque mesmo sem a aprovação do Conselho de Segurança da ONU deixaram o mercado bastante preocupado. Assim, a cotação do barril de petróleo fechou a sexta-feira em forte alta de 2,59% no mercado de Londres.
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Dólar sobe e Ibovespa cai
O maior pessimismo e aversão ao risco dos investidores pressionaram o dólar durante toda a semana. A moeda norte-americana registrou alta de 2,58% somente na sexta-feira, fechando a semana cotada em R$ 3,6250. No acumulado da semana, a divisa norte-americana sofreu forte apreciação de 7,49% em relação ao fechamento da última sexta-feira.
Em sintonia com o pessimismo generalizado do mercado e também com o reajuste da taxa Selic, os juros futuros subiram durante a semana. Assim, o contrato futuro com vencimento em abril de 2003 fechou com taxa de 26,40%, frente a uma taxa de 25,21% na semana passada. Já a taxa anual do CDB pré-fixado de 30 dias fechou a 25,10% nesta sexta-feira, frente à taxa de 22,48% registrada na semana anterior.
O Ibovespa, principal índice da bolsa paulista, registrou queda durante a maior parte da semana, de forma que no pregão de quarta-feira o acumulado do ano foi revertido, passando a registrar baixa. Na sexta-feira, o índice Ibovespa fechou em forte queda de 3,39% e na semana o índice acumulou queda de 7,64%, enquanto a baixa acumulada do ano fica em 4,30%.
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Próxima semana será de muitos eventos
A próxima semana será bastante agitada tanto no mercado interno quanto no externo. Nos Estados Unidos, serão divulgados importantes indicadores, como o New Home Sales, o GDP, o Employment Cost Index e o Consumer Confidence. Também haverá reunião do Fed.
No Brasil, a FIPE divulgará a 3ª prévia do IPC e a FGV divulgará o IGP-M, todos os índices referentes a janeiro. A maior expectativa fica, porém, em relação ao anúncio dos relatórios dos inspetores da ONU, já na segunda-feira, que pode definir se e quando o conflito no Oriente Médio ocorrerá.