Comentário da Semana

Semana foi marcada pelo nervosismo do mercado com relação à divulgação dos participantes do novo ministério e do presidente do Banco Central do governo de Lula

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SÃO PAULO – A primeira semana de dezembro foi marcada pelo clima de nervosismo no mercado interno. Não bastasse a divulgação de novos indicadores de inflação, que ficaram acima do esperado pelo mercado, levando os analistas a acreditar que o Banco Central pode aumentar novamente os juros, os investidores operaram durante toda a semana na expectativa da divulgação dos membros da equipe do novo governo, abrindo espaço para que diversos rumores afetassem o andamento das negociações no mercado brasileiro.

Mercado espera equipe de governo

A espera da divulgação dos ministros do próximo governo, assim como do presidente do Banco Central determinou o humor dos investidores, que operaram cautelosos, temendo assumir posições antes de maiores definições. A expectativa era de que a equipe seria anunciada na quarta ou quinta-feira, o que acabou não acontecendo.

Neste contexto, circularam no mercado diversos rumores e justificativas para a demora da nomeação, entre elas a de que Lula estaria encontrando dificuldades de compor uma equipe forte, especialmente no que refere à presidência do Banco Central.

A decisão do conglomerado financeiro JP Morgan Chase de rebaixar a classificação dos títulos brasileiros em sua carteira de mercados emergentes, de neutro para underweight foi motivo de forte nervosismo no mercado. O banco atribuiu sua decisão à preocupação em torno do novo governo quanto à sua capacidade de sustentar um ambiente econômico favorável, considerando a ausência de medidas mais concretas, o que põe em dúvida a capacidade de Lula de conseguir promover as mudanças propostas.

Banco Central volta a oferecer linhas externas

O Banco Central, visando oferecer maior liquidez no mercado de câmbio e reduzir as pressões sobre o dólar, voltou nesta a quarta-feira a realizar leilões de linhas de crédito à exportação, conforme fazia antes das eleições presidenciais.

A autoridade monetária ofereceu quantias maiores que às de costume, porém, os leilões não foram suficientes para impedir que o clima de apreensão do mercado interno e o clima de nervosismo do mercado externo determinassem mais uma semana de alta do dólar.

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Durante a semana foi divulgada a saída de recursos via CC-5, conta movimentada por não residentes no país. Em novembro a saída de recursos da CC-5 totalizou US$ 158 milhões em novembro, o menor valor dos últimos seis meses. Além disto, a Bovespa informou que, em novembro, o saldo de investimentos estrangeiros ficou positivo, completando dois meses consecutivos com superávit no balanço de investimentos externos. Desta forma, apesar do nervosismo, as perspectivas do mercado quanto à economia brasileira melhoraram frente às expectativas anteriores.

Inflação segue em alta

Finalmente, a semana foi novamente marcada pela divulgação de uma série de índices inflacionários referentes ao mês de novembro, que apontaram forte aceleração dos preços, acima das expectativas do mercado.

Entre eles, saiu o IPCA, o índice usado nas metas de inflação, que subiu 3,02%, superando as expectativas, que eram de 2,50%, e a inflação de outubro, que foi de 1,57%. Neste contexto, o coordenador da equipe de transição de Lula, Antonio Palocci, cogitado para ser o novo ministro da Fazenda, declarou que é possível que a meta inflacionária de 2003 seja elevada, o que agradou o mercado.

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Nervosismo no mercado externo

No cenário externo, mais precisamente no mercado norte-americano, a semana foi de nervosismo, com a divulgação de uma série de indicadores econômicos apontando que a economia do país ainda segue com fraco crescimento, e com a divulgação de notícias coorporativas desfavoráveis.

Vale destacar que na sexta-feira, o polêmico Secretário do Tesouro norte-americano, Paul O’Neill, e o assessor econômico da Casa Branca, Larry Lindsey, pediram demissão, o que causou otimismo no mercado, mas não impediu que as bolsas do país fechassem a semana em queda.

No que se diz respeito aos acontecimentos que envolvem a questão do Iraque, a semana foi de poucas novidades, com os inspetores da ONU dando continuidade à procura de armas irregulares no país. As declarações dos inspetores continuam apontando que o Iraque tem mostrado disposição em cumprir os termos da resolução imposta pela ONU. O mercado aguarda agora a entrega por parte do Iraque para a ONU, neste sábado, dia 7, do relatório detalhando o programa de produção de armas do país.

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Dólar e Bovespa sobem

A decisão do JP Morgan de rebaixar a classificação dos títulos brasileiros, o clima de apreensão frente à divulgação dos membros da equipe do novo governo, e desempenho ruim do mercado norte-americano determinaram mais uma semana de alta do dólar. A moeda norte-americana caiu 0,24% na sexta-feira, fechando a semana cotada em R$ 3,75. Porém, no acumulado da semana a divisa norte-americana encerrou o período com valorização de 3,04%, o que aumenta a alta desde o início do ano para 62,64%.

A forte alta da inflação e a elevação das projeções da mesma para 2002 e 2003, junto com a já citada decisão do JP Morgan de rebaixar a classificação dos títulos brasileiros, provocaram forte ajuste nos juros futuros. Dessa forma, o contrato futuro com vencimento em abril de 2003 fechou com taxa de 26,79%, frente a uma taxa de 26,05% na semana passada. Já a taxa anual do CDB pré-fixado de 30 dias fechou a 23,81% nesta sexta-feira, frente à taxa de 23,15% registrada na semana anterior.

O desempenho fraco das bolsas norte-americanas, e o clima de apreensão do mercado brasileiro impediram que a Bovespa mantivesse sua tendência de recuperação de forma mais significativa. O Ibovespa fechou esta semana com alta de 0,57%. Na sexta-feira, o Ibovespa encerrou com valorização de 1,49% cotado em 10.569,02 pontos. Com isto as perdas desde o início do ano caíram para 22,16%.

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Inflação no Brasil e juros nos EUA

O destaque da próxima semana, no âmbito interno, fica com a divulgação de novos índices de inflação, como a primeira prévia de dezembro do IGP-M, da FGV, o IGP-DI referente a novembro, também da FGV, e o IPC referente à primeira quadrissemana de dezembro, pela Fipe.

Nos EUA, o foco da semana ficará por conta da divulgação da nova taxa básica de juros do país pelo Fed. Além disto, também serão divulgados vários indicadores econômicos, como o Wholesale Inventories para o mês de outubro, índice que mede as vendas e os estoques do setor atacadista norte-americano, e o Initial Claims, que mede o número de pedidos de auxílio desemprego nos EUA na primeira semana de dezembro.