Comentário da Semana

A semana foi marcada pela divulgação do novo Ministro da Fazenda e do novo presidente do Banco Central e pelo clima de forte nervosismo do mercado norte-americano

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SÃO PAULO – Na segunda semana de dezembro o mercado ficou mais aliviado com a divulgação dos principais nomes da equipe econômica de Lula, o que diminui o clima de incerteza que afastava muitos investidores das negociações, porém, a queda das bolsas norte-americanas impediu que a Bovespa seguisse o bom desempenho do dólar e dos juros.

Ministério começa a ser anunciado

O presidente Luís Inácio Lula da Silva começou a anunciar a equipe de seu governo em sua viagem para os EUA, após o encontro com o presidente norte-americano George W. Bush. Lula confirmou que o líder da equipe de transição, Antonio Palocci, seria o ministro da Fazenda, em concordância com a expectativa do mercado. Além disso, Lula nomeou a senadora do PT pelo Acre, Marina Silva, para o Ministério do Meio Ambiente.

Em seguida, na quinta-feira, veio a confirmação de que o cargo de presidente do Banco Central ficará com Henrique Meirelles, ex-presidente do BankBoston. Porém, o nome de Meirelles não foi recebido pelo mercado com muito entusiasmo, com rumores de que Henrique teria sido chamado depois que outros candidatos recusaram o cargo quando não encontraram garantias de que o Banco Central teria autonomia operacional. Além disto, o mercado considera que o futuro presidente do BC não teria um perfil de operador, como necessário para o cargo.

Vencimento de dívida cambial

A semana foi marcada também pelo vencimento da dívida de US$ 1,8 bilhão do Banco Central na quinta-feira, o que causou apreensão no mercado frente à possibilidade de maiores pressões sobre o dólar. A Autoridade monetária acabou conseguindo rolar apenas cerca de 66% do montante, o que foi considerado pouco pelo mercado.

Porém, a liquidação da dívida não alongada acabou não pressionando o dólar como se esperava, e o Banco Central ainda conseguiu rolar na sexta-feira 90,51% da dívida de US$ 1,8 bilhão que vence no dia 18, provocando otimismo no mercado e possibilitando que a moeda norte-americana fechasse a semana em queda.

Inflação desacelera

Além disto, a semana foi marcada pela divulgação de três índices inflacionários, referentes ao mês de novembro e de dezembro. O IGP-DI, referente ao mês de novembro, apontou forte aceleração da inflação, enquanto que os índices referentes ao mês de dezembro, o IGP-M e o IPC, apontaram desaceleração da inflação, evidenciando que a pressão do dólar sobre os preços deu uma leve reduzida neste mês.

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Finalmente, o informe da Bovespa de que o saldo de investimentos estrangeiros dos primeiros dez dias de dezembro está positivo em R$ 88,464 milhões, comprovou que o capital estrangeiro está voltando para o mercado brasileiro, depois de ter sido observada uma forte fuga na época das eleições, quando o clima de incerteza afugentou muitos investidores do mercado acionário.

Nervosismo no mercado externo

No cenário externo, mais precisamente no mercado norte-americano, a semana foi de nervosismo, refletindo tanto a divulgação de uma série de indicadores econômicos apontando que a economia do país ainda segue com fraco crescimento, quanto a divulgação de notícias coorporativas desfavoráveis.

Além disto, o Fed anunciou a manutenção da taxa básica de juros do país em 1,25% ao ano, afirmando o equilíbrio entre a inflação e o desempenho da economia. A decisão veio em linha com as expectativas do mercado, de forma que pouco afetou as negociações.

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No que se diz respeito aos acontecimentos que envolvem a questão do Iraque, o destaque da semana ficou com a entrega do extenso relatório do país árabe, contendo detalhadamente todos seus programas de produção de armas, à ONU. Os EUA levaram a única cópia do relatório, prometendo fazer cópias para os demais integrantes do Conselho de Segurança. Desta forma, o Iraque, que afirmou que o relatório não aponta que o país produz armas de destruição em massa, acusou os EUA de planejar violar o conteúdo do relatório e incriminar o país árabe.

Dólar e Bovespa caem

A melhor definição do quadro político brasileiro, os leilões de linha externa do Banco Central e o sucesso deste em rolar 90,51% da dívida de US$ 1,8 bilhão que vence no dia 18 permitiu que o dólar fechasse em queda mesmo com o vencimento de US$ 1,8 bilhão na quinta-feira.

A moeda norte-americana caiu 1,35% na sexta-feira, fechando a semana cotada em R$ 3,7340. No acumulado da semana a divisa norte-americana encerrou o período com desvalorização de 0,82%, o que reduz a alta desde o início do ano para 61,30%.

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A desaceleração da inflação de dezembro, junto às melhores definições do quadro político brasileiro definiram uma semana de tímida queda dos juros futuros. Dessa forma, o contrato futuro com vencimento em abril de 2003 fechou com taxa de 26,75%, frente a uma taxa de 26,79% na semana passada. Já a taxa anual do CDB pré-fixado de 30 dias fechou a 24,33% nesta sexta-feira, frente à taxa de 23,81% registrada na semana anterior.

O desempenho fraco das bolsas norte-americanas impediu que as divulgações do novo Ministro da Fazenda e do novo presidente do Banco Central determinassem uma semana de recuperação da Bovespa. Desta forma, o Ibovespa fechou esta semana com leve baixa de 0,05%. Na sexta-feira, o Ibovespa encerrou com desvalorização de 0,21% cotado em 10.564 pontos. Com isto as perdas desde o início do ano subiram para 22,19%.

Semana terá reunião do Copom

Em uma semana de intensa divulgação de indicadores, o destaque da agenda no Brasil fica com a reunião do Copom (Comitê de Política Monetária), que decidirá a nova taxa básica de juro da economia brasileira, a Selic. Além disto, serão divulgados também uma série de resultados de pesquisas do IBGE e índices inflacionários.
Já no âmbito externo, mais precisamente nos EUA, serão anunciados: o resultado do PIB referente ao terceiro trimestre, dados do mercado imobiliário, índices de atividade e desempenho do setor industrial, resultados fiscais do governo, resultado da balança comercial e índices de preço ao consumidor, entre outros.