Comentário da semana

A semana foi de forte recuperação dos principais indicadores econômico-financeiros brasileiros, com o mercado mais seguro e otimista quanto ao futuro da economia

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SÃO PAULO – A terceira semana de dezembro foi de otimismo no mercado brasileiro, o que determinou a forte recuperação dos principais indicadores econômicos financeiros. Passado o período de maior incerteza, com a equipe econômica de Lula mais definida, e com as expectativas de que não haverá descontinuidade da política econômica com a posse do novo governo, os investidores sentiram-se mais seguros para voltar ao mercado brasileiro, refletindo na forte queda do dólar, do risco Brasil, e dos juros futuros de longo prazo, e na forte alta do Ibovespa e do C-Bond.

O sucessor de Armínio Fraga na presidência do Banco Central, Henrique Meirelles, foi sabatinado nesta terça-feira pelo Congresso, confirmando sua presença no novo governo em 2003. A aceitação de Meirelles no BC pelo mercado foi maior nesta semana, com investidores acreditando que é um nome de crédito no mercado externo. Após a sabatina, Meirelles anunciou que manterá toda a diretoria atual do Banco Central em 2003, o que agradou bastante o mercado.

Selic sobe para 25% ao ano

O aumento em 3 pontos percentuais da taxa Selic, para 25% ao ano, pelo Banco Central, surpreendeu o mercado, que precificava um amento de 1,5 ponto percentual, para 23,5% ao ano. Desta forma, o mercado ajustou a curva de juros futuros, com a parte mais curta da curva abrindo taxas e a mais longa da curva fechando taxas, com expectativas de que a medida do Banco Central irá conter escalada da inflação para 2003, permitindo futuras quedas dos juros.

O maior otimismo no mercado refletiu positivamente no mercado de câmbio, com o dólar caindo forte, abaixo do patamar dos R$ 3,50. Confirmando a maior credibilidade do mercado brasileiro, o Banco Central rolou praticamente toda a dívida cambial de US$ 1,8 bilhão que venceu na quarta-feira, e já rolou 84% da dívida cambial de aproximadamente US$ 2,6 bilhões que vence no próximo dia 2, impedindo que a moeda norte-americana volte a ser pressionada na liquidação.

FMI libera US$ 3,1 bilhões

Além disto, o FMI liberou nesta semana US$ 3,1 bilhões do acordo de US$ 30,1 bilhões fechado em setembro, valor este que o atual ministro da Fazenda, Pedro Malan já confirmou que irá sacar. Os US$ 24,6 bilhões restantes serão liberados durante o governo de Lula, desde que ocorra o cumprimento das metas estipuladas pelo FMI.

Até agora, o Chairman do FMI, Horst Koeller, demonstrou estar satisfeito com o desempenho do Brasil dentro do acordo, afirmando que todos os critérios operacionais e parâmetros estruturais foram alcançados.

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A semana também foi de vencimento de opções e contratos futuros de Ibovespa, que acabaram determinando pregões de forte volatilidade e de volume bastante elevado. Finalmente, a semana foi marcada pela divulgação de uma série de novos índices inflacionários, que em sua maioria apontou nova elevação da inflação.

Semana tensa nos EUA

No cenário externo, mais precisamente no mercado norte-americano, foi divulgada uma série de indicadores econômicos, que em sua maioria apontaram bom desempenho da economia do país. Porém, o initial claims, índice, que mede o número de pedidos de auxílio-desemprego nos Estados Unidos, e de importância relevante, ficou bastante acima das expectativas.

Além disto, os investidores norte-americanos tiveram uma semana tensa, temendo que Bush anunciasse o início de um ataque ao Iraque, o que acabou não acontecendo. Desta forma, as bolsas do país fecharam a semana sem tendência definida, praticamente estáveis em relação ao fechamento da semana anterior.

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Mercado respira aliviado com questão do Iraque

No que se diz respeito aos acontecimentos que envolvem a questão do Iraque, a semana foi de forte nervosismo. A ONU e o governo norte-americano tinham prometido anunciar suas considerações finais a respeito do relatório entregue pelo Iraque contendo o programa de produção de armas do país.

Desta forma, o mercado temia que tanto o governo norte-americano quanto as Nações Unidas teriam considerado o relatório uma violação à resolução do Conselho de Segurança, alegando falta de informações, o que permitiria um ataque militar. Porém isto acabou não acontecendo, e o Iraque ganhou mais tempo para completar o relatório, tranqüilizando o mercado.

Dólar cai e Bovespa sobe

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A melhor definição do quadro político brasileiro, e o sucesso do Banco Central em rolar as dívidas cambiais permitiram que o dólar fechasse a semana em forte queda. A moeda norte-americana subiu 0,23% na sexta-feira, fechando a semana cotada em R$ 3,487. No acumulado da semana a divisa norte-americana encerrou o período com desvalorização de 6,61%, o que reduz a alta desde o início do ano para 50,63%.

A elevação da Selic em 3 pontos percentuais, para 25% ao ano, provocou forte ajuste nas taxas de curto prazo dos contratos de DI futuro, porém não impediu que os juros futuros com vencimento mais longo caíssem. Dessa forma, o contrato futuro com vencimento em abril de 2003 fechou com taxa de 26,50%, frente a uma taxa de 26,75% na semana passada. Já a taxa anual do CDB pré-fixado de 30 dias fechou a 25,40% nesta sexta-feira, frente à taxa de 24,33% registrada na semana anterior.

A maior definição do quadro político, e as expectativas positivas para a economia brasileira durante o mandato do novo governo determinaram uma semana de forte valorização da bolsa paulista. Desta forma, o Ibovespa fechou esta semana com forte alta de 8,77%. Na sexta-feira, o Ibovespa encerrou com valorização de 2,52% cotado em 11.483,99 pontos. Com isto as perdas desde o início do ano caíram para 15,37%.
Semana terá ata do Copom

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A próxima semana será de poucos acontecimentos tanto no mercado interno quanto no mercado externo, graças ao feriado de Natal, que ocupará um dia e meio de negociação. No Brasil será divulgada a Ata do Copom, relatório que traça um panorama geral da economia brasileira, visando justificar forte alta da Selic.

Já nos EUA serão anunciados alguns relatórios à respeito da economia do país, como o personal spending, índice que mede a confiança do consumidor, o personal income, que mede a renda, o durable good orders, que mede o volume de pedidos e entregas de bens duráveis, e o new home sails, que mede a quantidade de pedidos de auxílio desemprego.