Comentário da semana

Boas notícias internas levaram mercado brasileiro a registrar um bom desempenho na semana: dólar e juros futuros novamente caíram e Bovespa acumulou forte alta

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SÃO PAULO – Acompanhando a forte recuperação dos mercados externos, o mercado brasileiro como um todo obteve um bom desempenho na semana que se encerrou, com os investidores mais animados em relação ao cerco das tropas aliadas sobre Bagdá e também devido às boas notícias do cenário interno.

Dessa maneira, dólar e juros futuros encerraram a semana registrando queda, enquanto o Ibovespa, da bolsa paulista, acumulou considerável alta na semana. O otimismo dos investidores também levou os títulos da dívida externa brasileira a uma expressiva valorização no mercado internacional, contribuindo, assim, para a queda do risco país.

Mercado anima-se com aprovação da PEC 53/02

Uma das notícias que mais animou os investidores ao longo da semana foi a aprovação, na última quarta-feira, da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 53/02, que trata basicamente da reforma do sistema financeiro no Brasil.

A aprovação da proposta pela Câmara Federal acelera as discussões em relação à autonomia do Banco Central, sendo esta muito esperada pelo mercado à medida que promoverá a maior dissociação entre os interesses político-partidários e as estratégias macroeconômicas, sobretudo pertinentes à política monetária, delineadas pela instituição.

Risco país voltou a operar abaixo dos 1.000 pontos base

Uma das conseqüências diretas do maior otimismo dos investidores foi a forte valorização dos títulos da dívida externa brasileira ao longo da semana. Neste sentido, o C-Bond acumulou forte elevação de 4,49% na semana, enquanto o Global 09, que foi um dos títulos mais penalizados em 2002, registrou alta de 7,32% no mesmo período.

A notável alta dos títulos, além de impulsionar as negociações na bolsa paulista, contribuiu para uma forte queda do risco país, de forma que o indicador do spread médio dos títulos brasileiros em relação aos Treasuries norte-americanos voltou a operar abaixo dos 1.000 pontos base, encerrando a semana em 939 pontos base, o que representa uma queda de 91 pontos base em relação ao fechamento da semana anterior.

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Faz-se necessário salientar que o indicador atingiu seu menor patamar desde maio de 2002, época na qual o furor causado pelo processo eleitoral começou a contribuir para elevação do risco país.

Banco Central revisou projeção para IPCA em 2003

Em seu Relatório da Inflação referente ao mês de março, o Banco Central elevou a projeção para inflação, medida pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) de 9,5% para 10,8% em 2003. A justificativa dada pela autoridade monetária para tal revisão foi a aceleração dos preços administrados no período.

A nova projeção encontra-se ainda mais distante da meta ajustada pelo Banco Central, que é de 8,5% para 2003. Com a revisão, as projeções para o IPCA no primeiro trimestre passaram de 2,9% para 4,8%, ao passo que as projeções para o restante do ano passaram de 6,5% para 5,8%. Além de elevar a projeção inflacionária, a instituição reduziu as projeções de crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) de 2,8% para 2,2% em 2003, em função da menor demanda interna.

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Apesar da maior projeção para o IPCA no ano, o IPC, divulgado pela Fipe, continuou confirmando a tendência de desaceleração da inflação, reportando uma inflação de 0,67% no mês de março, abaixo da terceira prévia do mês (0,86%) e também das expectativas do mercado, que indicavam uma inflação entre 0,7% e 0,8%.

Economia norte-americana permanece fraca

O mercado norte-americano também alcançou um bom desempenho na semana, com os investidores mais otimistas após o maior avanço das forças aliadas rumo a Bagdá e acreditando que a relativa facilidade deste avanço prenuncia uma vitória rápida para os aliados. Assim, os principais índices acionários dos Estados Unidos acumularam ganhos na semana.

O otimismo em relação ao avanço aliado sobre Bagdá levou o petróleo a registrar consideráveis baixas ao longo dos pregões, de modo que a commodity encerrou a semana com o barril cotado a US$ 24,41 no mercado de Londres, uma queda de 5,57% em relação à semana anterior.

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Dólar e juros futuros caíram na semana

As boas notícias internas possibilitaram a forte valorização de 4,22% do real frente ao dólar ao longo da semana. Neste sentido, a moeda norte-americana registrou uma queda de 1,04% na sexta-feira em relação ao fechamento anterior, encerrando a semana cotada em R$ 3,2200, seu menor patamar desde o dia 16 de setembro, quando o dólar atingiu R$ 3,2170.

A desaceleração inflacionária mostrada pelo IPC da Fipe e as perspectivas de uma redução da taxa Selic no segundo semestre levaram os juros futuros a encerrarem a semana em baixa, de forma que o contrato futuro de maior liquidez, o de vencimento em julho de 2003, projetou taxa de 25,90% para o vencimento nesta sexta-feira, frente a uma taxa de 26,80% na semana passada. Já a taxa anual do CDB pré-fixado de 30 dias fechou a 26,20%, registrando uma alta em relação ao fechamento da semana anterior, quando a taxa anual foi de 25,60%.

O Ibovespa, por sua vez, também registrou um bom desempenho na semana, com os investidores animados após as boas notícias internas e também acompanhado, sob certa medida, o bom desempenho das principais bolsas mundiais. Vale ressaltar, neste sentido, que a bolsa paulista registrou, no pregão da última quarta-feira, um volume de R$ 1,42 bilhão, o maior desde o dia 29 de janeiro, quando o volume negociado foi de R$ 1,43 bilhão. Dessa maneira, o Ibovespa acumulou forte alta de 5,89% na semana.

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Próxima semana trará importantes indicadores

Ao contrário desta semana, a segunda semana de abril será preenchida pela divulgação de inúmeros indicadores, tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos. No Brasil serão divulgados importantes índices inflacionários, como o IGP-DI, da Fundação Getúlio Vargas, e o IPCA, do IBGE, ambos referentes a março. Também serão divulgadas as primeiras prévias do IPC e do IGP-M, pela Fipe e Fundação Getúlio Vargas, respectivamente.

Nos Estados Unidos, por sua vez, serão reportados indicadores como o Consumer Credit, o Wholesale Inventories, o Retail Sales e o Michigan Sentiment Index.