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SÃO PAULO – O feriado de carnaval deixou a primeira semana de março relativamente mais curta no mercado interno, diminuindo significativamente o volume de negócios. O desempenho do mercado brasileiro como um todo foi bom, com o dólar e os juros futuros registrando quedas, e o Ibovespa, da bolsa paulista, fechando em alta em dois dos três pregões, impulsionado pela melhor percepção dos rumos da economia brasileira pelos investidores.
Dessa maneira, o mercado brasileiro não acompanhou o fraco desempenho dos principais mercados acionários mundiais, que acumularam queda devido à continuidade dos temores acerca da crise no Golfo Pérsico. Declarações do secretário de Estado norte-americano, Colin Powell, sobre um início próximo para a guerra acirraram ainda mais os ânimos dos investidores, que já estavam temerosos em função da entrega do novo dossiê dos inspetores de armas do Conselho de Segurança da ONU, na sexta-feira.
Bush dá ultimatum a ONU sobre crise no Golfo
À espera do terceiro dossiê do chefe dos inspetores de armas, Hans Blix, o secretário de Estado norte-americano, Colin Powell, afirmou que uma nova resolução do Conselho de Segurança da ONU seria útil politicamente, mas não necessária juridicamente, visto que os Estados Unidos poderiam atacar o Iraque mesmo sem autorização das Nações Unidas.
O comentário de Powell foi endossado pelo discurso no presidente norte-americano George W. Bush na última quinta-feira, que declarou que os países do Conselho de Segurança terão até a próxima semana para definirem suas posições com relação ao impasse no Golfo Pérsico. Segundo Bush, uma guerra só poderá ser evitado caso o presidente iraquiano Saddam Hussein concorde em deixar pacificamente o poder e se exilar, algo que parece muito pouco provável de ocorrer.
No dia seguinte ao pronunciamento de Bush, Hans Blix entregou o novo dossiê sobre o Iraque ao Conselho de Segurança da ONU, reportando que a cooperação do governo iraquiano foi satisfatória, ainda que não total. O chefe da Agência Internacional de Energia Atômica, Mohammed El-Baradei, acrescentou que não foram encontradas armas nucleares em território iraquiano.
Mercado internacional apresenta fraco desempenho
Os principais mercados mundiais, especialmente o norte-americano, registraram um fraco desempenho durante a semana, em função do acirramento das tensões entre Estados Unidos e Iraque, conforme mencionado anteriormente. Dessa forma, as principais bolsas dos Estados Unidos acumularam significativa queda na semana, com os investidores avaliando também os fracos indicadores conjunturais reportados ao longo da semana.
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Neste sentido, o Initial Jobless Claims indicou um forte aumento do número de pedidos de auxílio-desemprego no país, atingindo o patamar de 430 mil pedidos na semana terminada em 1º de março. A taxa de desemprego referente a fevereiro ficou em sintonia com o esperado pelo mercado, atingindo 5,8%. Entretanto, o Nonfarm Payrolls indicou uma retração de 308 mil postos de trabalho, bem abaixo do projetado pelos analistas, que esperavam aumento de 20 mil postos de trabalho.
Foi divulgada também a segunda edição de 2003 do Beige Book, pelo Federal Reserve (Fed), o banco central norte-americano. O documento reportou uma fraca atividade econômica no período que reúne os 45 últimos dias até 24 de fevereiro. Vale ressaltar que o relatório do Fed é publicado oito vezes ao ano.
Os temores de guerra também ditaram a alta do petróleo durante a semana. A commodity encerrou a sexta-feira com forte alta de 4,18% em relação à semana anterior, cotado a US$ 33,15 por barril no mercado de Londres.
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Percepção dos investidores em relação ao Brasil melhora
Enquanto o mercado internacional seguia tenso por conta das questões ligadas ao impasse no Golfo Pérsico, a melhora da percepção dos investidores internacionais quanto a economia brasileira garantiu o bom desempenho do mercado brasileiro durante a curta semana.
A austeridade monetária e fiscal sinalizada pelo governo dos dois primeiros meses de gestão tem agradado bastante aos investidores e também às Instituições internacionais, de forma que o banco de investimentos JP Morgan elevou a recomendação dos títulos brasileiros, assim como o Goldman Sachs já havia feito na semana anterior.
Com a melhor percepção acerca da economia brasileira e o upgrade dos títulos, o C-Bond fortaleceu seu movimento de alta, ultrapassando a barreira dos 77 centavos de dólar e acumulando forte alta de 3,18% na semana. Com a significativa alta dos títulos, o risco país fechou em 1.115 pontos-base, uma queda de 62 pontos-base em relação à semana anterior.
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Dólar e juros futuros caem
A melhor percepção dos investidores internacionais em relação ao desempenho da economia brasileira refletiu-se de forma positiva no mercado brasileiro, levando o dólar a registrar significativas baixas nos poucos pregões da semana. Neste sentido, a moeda norte-americana registrou fechou praticamente estável na sexta-feira, encerrando a semana cotada em R$ 3,5000. Assim, a divisa norte-americana acumulou desvalorização de 1,93% em relação ao fechamento da última sexta-feira.
Também em função da maior confiança dos investidores na economia brasileira, os juros futuros registraram significativas quedas durante a semana. Dessa forma, o contrato futuro de maior liquidez, o de vencimento em julho de 2003, registrou baixa na semana, projetando taxa de 27,40% para o vencimento nesta sexta-feira, frente a uma taxa de 27,77% na semana passada. Já a taxa anual do CDB pré-fixado de 30 dias fechou a 25,95%, registrando um notável recuo em relação ao fechamento da semana anterior, quando a taxa anual foi de 26,20%.
Ao contrário da semana anterior, o desempenho do Ibovespa descolou-se do desempenho das bolsas internacionais, de forma que a bolsa paulsita registrou ganhos na maioria dos pregões. Neste sentido, o índice da bolsa paulista acumulou uma forte valorização de 4,31% na semana. No ano, o Ibovespa acumula desvalorização de 4,83%.
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Crise no Golfo continuará em destaque na próxima semana
Em função do ultimatum dado pelo governo norte-americano e pelo Conselho de Segurança da ONU a Saddam Hussein, a questão do conflito entre Estados Unidos e Iraque continuará em destaque na próxima semana.
Nos Estados Unidos , importantes indicadores serão divulgados, como o wholesale inventories, o retail sales, o PPI, o core PPI e o industrial production.
No Brasil, por sua vez, serão divulgados a primeira prévia do IPC da Fipe, assim como a primeira prévia do IGP-M medido pela Fundação Getúlio Vargas. Também serão divulgados o IGP-DI, da FGV, referente a fevereiro, e o IPCA, medido pelo IBGE.