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SÃO PAULO – O avanço das tensões e incertezas relativas à crise no Golfo Pérsico levou os investidores a iniciarem a semana sob um forte nervosismo, fato que levou o mercado, tanto interno quanto externo, a registrar um fraco desempenho nos primeiros pregões da semana.
Entretanto, o adiamento da votação de uma nova resolução sobre o Iraque no Conselho de Segurança da ONU acalmou relativamente o mercado, sobretudo o externo, permitindo uma reversão de tendência e possibilitando o fechamento da semana em alta.
O mercado brasileiro, em particular, também finalizou a segunda semana de março com um bom desempenho, com os investidores mais animados após os sinais de recuo da inflação evidenciados pelos vários indicadores de inflação publicados no decorrer da semana. Dessa maneira, dólar e juros futuros encerraram a semana em baixa e o Ibovespa, da bolsa paulista, acumulando ganhos ao longo de 4 dos 5 pregões da semana.
Inflação dá sinais de recuo, animando investidores
Os indicadores de inflação reportados nesta semana repercutiram positivamente entre os investidores, já que evidenciaram à tendência de desaceleração da inflação. Neste sentido, o IPC, da Fipe, apurou uma inflação de 1,61% em fevereiro, bem abaixo dos 2,19% registrados em janeiro e também inferior aos 1,83% indicados na terceira quadrissemana de fevereiro. O IPCA, do IBGE, por sua vez, apurou uma inflação de 1,57% em fevereiro, levemente abaixo dos 1,60% projetados pelo mercado e 0,68 ponto percentual abaixo do registrado em janeiro.
O recuo dos preços foi corroborado pelo IGP-DI, da Fundação Getúlio Vargas, registrando uma inflação de 1,59% em fevereiro, abaixo das projeções dos analistas de mercado, que esperavam uma inflação entre 1,95% e 2,10%. A FGV também divulgou a primeira prévia para março do IGP-M, projetando uma inflação de 0,63%, bem aqüém da alta de 2,28% registrada em fevereiro e também abaixo das expectativas do mercado, que variavam entre 1,0% e 1,3%. A primeira prévia para março do IPC da Fipe também apurou retração inflacionária, projetando uma inflação de 1,20% contra os 1,61% registrados em fevereiro.
Em função das evidências de desaceleração inflacionária, os investidores e analistas de mercado passaram a apostar numa manutenção da taxa básica de juros na reunião do Comitê de Política Monetária – o Copom – da próxima semana. Segundo os analistas, a autoridade monetária deve manter a taxa Selic em 26,5% ao ano, aguardando novos fatos externos e internos que possam influenciar na variação do nível de preços.
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BC rolou dívida com vencimento em 13 de março
A melhor percepção da economia brasileira junto ao mercado internacional possibilitou ao Banco Central completar o processo de rolagem da dívida com vencimento em 13 de março.
Neste sentido, o Banco Central rolou US$ 1,9 bilhão em títulos e swaps cambiais com vencimento na referida data, ofertando mais 15,5 mil contratos com vencimentos entre maio de 2003 e abril de 2007, dos quais foram vendidos 8,550 mil, de forma a completar a rolagem da dívida.
Entretanto, ao antecipar, nesta sexta-feira, a rolagem da dívida com vencimento para 1º de abril, o Banco Central ofertou 37,5 mil contratos de swaps, dos quais foram vendidos apenas 18,03 mil. Dessa maneira, do US$ 1,56 bilhão oferecido pela autoridade monetária, apenas US$ 802 milhões foram vendidos.
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Mercados externos fecham semana com bom desempenho
No mercado norte-americano, especificamente, os indicadores conjunturais não foram muito satisfatórios, visto que não sinalizaram grandes mudanças nas fracas perspectivas de recuperação da economia do país.
Neste sentido, houve um considerável aumento do número de pedidos de auxílio-desemprego (420 mil pedidos na semana terminada em 8 de março) e uma queda de 1,6% das vendas no varejo durante o mês de fevereiro. O déficit da balança comercial relativo a janeiro ficou em US$ 41,1 bilhões, abaixo dos US$ 43,5 esperados pelo marcado, mas ainda num patamar bem elevado.
A menor probabilidade de um ataque imediato dos Estados Unidos contra o Iraque também fez com que a cotação do barril de petróleo tipo Brent despencasse no mercado internacional, após as fortes altas acumuladas nas últimas semanas. Neste sentido, o barril de petróleo negociado no mercado londrino encerrou a semana cotado a US$ 30,14, o que representa uma forte baixa de 9,02% em relação ao fechamento da semana anterior.
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Dólar e juros futuros têm nova queda
As boas notícias em relação à economia brasileira, sobretudo no tocante à inflação, animaram bastante o mercado, possibilitando uma valorização de 1,89% do real frente ao dólar ao longo da semana. Neste sentido, a moeda norte-americana registrou uma leve alta na sexta-feira em relação ao fechamento anterior, encerrando a semana cotada em R$ 3,434.
A desaceleração inflacionária também possibilitou que os juros futuros encerrassem a semana em queda. Dessa forma, o contrato futuro de maior liquidez, o de vencimento em julho de 2003, registrou baixa na semana, projetando taxa de 26,69% para o vencimento nesta sexta-feira, frente a uma taxa de 27,40% na semana passada. Já a taxa anual do CDB pré-fixado de 30 dias fechou a 26,17%, registrando uma alta em relação ao fechamento da semana anterior, quando a taxa anual foi de 25,95%.
Com o otimismo no mercado interno, os investidores locais aproveitaram para fechar posições de compra, impulsionando, dessa maneira, o Ibovespa, da bolsa de valores paulista. Neste sentido, o índice da bolsa paulista acumulou uma valorização de 0,87% na semana. Entretanto, o Ibovespa ainda acumula desvalorização de 4,00% no ano.
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Reunião do Copom será destaque da próxima semana
A próxima semana será marcada pela grande número de eventos e divulgação de vários indicadores. No Brasil, o destaque será a reunião do Copom entre os dias 18 e 19 de março para a definição dos rumos da política monetária, em especial com relação à taxa de juros.
O Banco Central também divulgará a Nota do Mercado Aberto e importantes indicadores do nível de preço serão reportados, como o IGP-10 da Fundação Getúlio Vargas e as segundas prévias do IGP-M e do IPC, da FGV e Fipe, respectivamente.
Nos Estados Unidos, por sua vez, a reunião do Federal Reserve (Fed) para decisão sobre as taxas de juros também será destaque. Além disso serão divulgados indicadores importantes como o Housing Starts, o Building Permits, o Treasury Budget, o CPI e o Core CPI. O mercado também continuará atento às decisões do governo norte-americano em relação à crise com o Iraque.