Comentário da semana

Mercado brasileiro teve desempenho limitado pelos temores do mercado externo, mas ainda assim dólar e juros futuros encerraram semana em queda

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SÃO PAULO – Ao contrário da semana anterior, a última semana de março foi marcada pelo fraco desempenho do mercado interno, acompanhando, neste sentido, a forte volatilidade do mercado externo em decorrência das incertezas em relação à duração do conflito no Iraque. Apesar disto, dólar e juros futuros encerraram a semana em queda.

As incertezas dos investidores quanto ao prazo de duração do conflito no Golfo foram reacendidas pela forte resistência iraquiana contra o avanço das forças aliadas rumo a Bagdá, no último final de semana.

Dessa maneira, o mercado colocou em dúvida a projeção inicial de uma guerra curta, que garantiu o bom desempenho da semana anterior, e passou a temer o prolongamento da guerra, indesejável à medida que amplia os efeitos do conflito sobre o desempenho econômico.

Indicadores divergem quanto à tendência inflacionária

Ao longo da semana foram divulgados importantes indicadores inflacionários, os quais divergiram entre si quanto à tendência apresentada pelo nível de preços no mês de março.

Assim, o IPCA-15 – divulgado pelo IBGE – apurou uma inflação de 1,14% em março, mostrando uma desaceleração em relação a fevereiro, quando a inflação atingiu 2,19%. O patamar registrado em março superou, entretanto, as projeções do mercado, que apontavam uma inflação entre 0,9% e 1,0% ao mês.

A terceira prévia do IPC da Fipe, por sua vez, apontou uma inflação de 0,86%, abaixo dos 0,92% apurados na quadrissemana anterior. Entretanto, o IGP-M referente a março, medido pela Fundação Getúlio Vargas, mostrou uma inflação de 1,53% no mês, acima dos 1,13% registrados na segunda prévia e também acima das expectativas de 1,35%.

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Déficit em conta corrente é o menor desde 1995

No início da semana, o Banco Central do Brasil divulgou a Nota do Setor Externo, que mostrou uma redução substancial do déficit em conta corrente no resultado anualizado de fevereiro, uma decorrência direta do bom desempenho da balança comercial nos últimos meses.

Assim, o déficit em conta corrente foi de US$ 5,5 bilhões no resultado anualizado de fevereiro, o que corresponde a 1,22% do PIB. Vale destacar que este é o melhor resultado desde fevereiro de 1995.

O saldo em transações correntes no mês de fevereiro, entretanto, registrou déficit de US$ 197 milhões, contra um superávit de US$ 156 milhões apurado em janeiro, porém melhor que o saldo negativo de US$ 1,074 bilhão registrado em fevereiro de 2002.

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Superávit primário supera meta do governo federal

A autoridade monetária também divulgou, na última sexta-feira, a Nota da Política Fiscal, segundo a qual o superávit primário, ou seja, a diferença entre receitas e gastos do setor público, foi de R$ 7,621 bilhões em fevereiro, abaixo dos R$ 8,463 bilhões registrados em janeiro, porém acima das expectativas de R$ 7,0 bilhões.

Considerando-se os 12 últimos meses encerrados em fevereiro, o superávit primário atingiu R$ 59,942 bilhões, o que corresponde a 4,38% do PIB. Neste sentido, o superávit primário já ultrapassa a meta do governo federal (4,25% do PIB) e também a meta acertada com o FMI (3,75% do PIB).

O bom resultado do superávit primário agradou bastante aos investidores, uma vez que o excedente de receitas frente aos gastos garante disponibilidade de recursos para o pagamento dos juros da dívida.

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Mercado norte-americano tem fraco desempenho

A inesperada resistência iraquiana frente ao avanço das forças aliadas rumo a Bagdá no início da semana levou os investidores a colocarem sob suspeita a projeção de uma guerra de curta duração.

Dessa maneira, os temores em relação ao prolongamento do conflito no Golfo Pérsico levaram o mercado norte-americano a registrar um fraco desempenho ao longo da semana, com as principais bolsas do país acumulando baixa semanal e ofuscando os indicadores conjunturais reportados.

Com as perspectivas de uma guerra mais longa, o índice de confiança do consumidor, consumer confidence, atingiu 77,6 pontos em março, uma forte queda em relação ao mês anterior, quando o indicador registrou 79,9 pontos. Apesar disto, o patamar do índice superou as expectativas do mercado, que projetavam um nível de 75,0 pontos neste mês.

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Acompanhando os temores de um prolongamento da guerra, a suspensão das exportações de petróleo iraquianas e a forte queda de 37% da produção da Nigéria levaram o petróleo a acumular alta de 6,16% na semana no mercado de Londres, de forma que a commodity encerrou a semana cotada a US$ 25,85 por barril.

Dólar e juros futuros caíram na semana

As boas notícias internas divulgadas ao longo da semana possibilitaram a valorização de 1,23% do real frente ao dólar ao longo da semana. Neste sentido, a moeda norte-americana registrou uma queda de 0,74% na sexta-feira em relação ao fechamento anterior, encerrando a semana cotada em R$ 3,3620.

As perspectivas de desaceleração inflacionária levaram os juros futuros a encerrarem a semana em baixa, de forma que o contrato futuro de maior liquidez, o de vencimento em julho de 2003, projetou taxa de 26,80% para o vencimento nesta sexta-feira, frente a uma taxa de 26,92% na semana passada. Já a taxa anual do CDB pré-fixado de 30 dias fechou a 25,60%, registrando uma baixa em relação ao fechamento da semana anterior, quando a taxa anual foi de 26,00%.

O Ibovespa, por sua vez, apesar de apresentar uma forte volatilidade nos primeiros dias da semana, acumulou uma leve alta de 0,17% na semana, diante das boas notícias referentes ao mercado interno.

Primeira semana de abril não terá muitos indicadores

A próxima semana, ao contrário desta, não trará um número expressivo de indicadores conjunturais, de forma que no Brasil será divulgado o IPC da Fipe, referente ao mês de março, assim como o IPC-S, da Fundação Getúlio Vargas.

Nos Estados Unidos, por sua vez, serão divulgados indicadores como o Construction Spending, o ISM Index, o Factory Orders, o Nonfarm Payrolls, o Unemployment Rate e o ISM Services.