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SÃO PAULO – O temor em relação aos efeitos negativos para a economia mundial decorrentes de uma possível guerra entre Estados Unidos e Iraque ampliou ainda mais o pessimismo dos investidores, levando o mercado a operar sob forte volatilidade durante toda a semana.
Neste sentido, o mercado brasileiro como um todo teve um fraco desempenho, de forma que o dólar e os juros futuros registraram significativas altas, com os investidores já precificando um possível aumento da taxa Selic na próxima reunião do Copom.
Em discurso de Greenspan, Powell rouba a cena
Os dois primeiros dias da semana foram marcados pelas expectativas do mercado em relação do discurso semestral do chairman do Fed (Federal Reserve), Alan Greenspan, ao Comitê de Finanças do Senado norte-americano. No pronunciamento ocorrido na tarde de terça-feira, Greenspan fez um retrospecto da economia norte-americana nos últimos seis meses, comentando também os sinais de recuperação fornecidos pelos últimos indicadores econômicos divulgados.
Greenspan, entretanto, destacou que a recuperação da economia dos Estados Unidos poderia ser abalada no caso de um conflito armado contra o Iraque, uma vez que uma eventual guerra retrairia ainda mais a confiança dos investidores, desacelerando, assim, a atividade econômica. O chairman do Fed também ressaltou a importância da manutenção de uma rígida austeridade fiscal, a fim de evitar o avanço da inflação no país.
O discurso de Greenspan, entretanto, foi ofuscado pelo pronunciamento do secretário de Estado norte-americano, Colin Powell, que declarou a existência de uma suposta gravação na qual o líder terrorista Osama Bin Laden conclamava os muçulmanos a se unirem em favor do Iraque. As supostas palavras de Bin Laden foram interpretadas por Powell como um sinal de que Saddam Hussein mantém vínculos com a rede terrorista Al Qaeda. O pronunciamento de Powell foi ainda endossado por declarações do diretor da CIA, George Tenet, sobre possíveis ações terroristas nos EUA, levando os investidores a ampliarem ainda mais seu temor.
Inflação ainda preocupa
Apesar da desaceleração registrada em alguns índices de inflação divulgados durante a semana, como o IGP-DI da FGV cuja variação nos preços em janeiro (2,17%) ficou abaixo daquela esperada pelo mercado (2,25%), o INPC, divulgado pelo IBGE, registrou uma inflação de 2,47%, bem abaixo dos 2,7% registrados em dezembro, mas acima das expectativas de mercado, que projetavam uma inflação de 2,03%.
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Em sentido contrário, os índices que acompanham somente os preços ao consumidor como o IPCA medido pelo IBGE e o IPC-FIPE mostraram aceleração dos preços, sugerindo que o comércio estaria repassando parte do aumento nos custos somente agora.
Assim o IPCA apontou uma inflação de 2,25% no primeiro mês do ano, acima dos 2,10% registrados em dezembro e também acima do patamar de 2% esperado pelo mercado. No mesmo sentido, a primeira prévia do IPC da Fipe de fevereiro também mostrou aceleração da inflação, com um avanço dos preços da ordem de 2,23%, frente a 2,19% registrado no mês de janeiro.
Diante da aceleração dos preços ao consumidor, o mercado já dá como quase certo um novo aumento da taxa Selic durante a reunião do Comitê de Política Monetária, que se inicia no próximo dia 18.
Mercado norte-americano é abalado por temor de guerra
As declarações de Colin Powell e do diretor da CIA, na última terça-feira, ampliaram ainda mais o pessimismo do mercado norte-americano, de modo que o temor acerca dos desdobramentos econômicos de uma guerra ofuscou os bons resultados corporativos reportados durante a semana.
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Os bons indicadores econômicos divulgados também tiveram efeitos limitados sobre o mercado, apesar de revelarem uma ligeira recuperação da economia do país nas últimas semanas. Assim, o Industrial Production, indicador da atividade industrial, apurou uma expansão da ordem de 0,7% na indústria norte-americana, superando as expectativas do mercado, que eram de 0,3%.
O petróleo, por sua vez, também registrou significativas oscilações durante a semana, resultado do temor de guerra. A commodity ultrapassou a cotação de US$ 32,00 por barril no mercado de Londres, fechando a semana em alta de 1,59%.
Altas do dólar e dos juros marcam mercado brasileiro
Com os temores decorrentes das incertezas no mercado externo, o dólar operou em alta durante a maior parte da semana. A moeda norte-americana registrou leve alta de 0,22% na sexta-feira, fechando a semana cotada em R$ 3,6680. Assim, no acumulado da semana a divisa norte-americana sofreu apreciação de 2,18% em relação ao fechamento da última sexta-feira. Em fevereiro, o dólar já acumula forte valorização de 4,12%.
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Os juros futuros também registraram significativas altas durante toda a semana, com os investidores precificando uma possível elevação da taxa Selic na próxima reunião do Copom, que será realizada na próxima semana. Dessa maneira, o contrato futuro de maior liquidez, o de vencimento em julho de 2003, registrou alta na semana, fechando com taxa de 28,32%, frente a uma taxa de 27,86% na semana passada. Já a taxa anual do CDB pré-fixado de 30 dias fechou a 25,85%, registrando um aumento em relação ao fechamento da semana anterior, quando a taxa anual foi de 25,65%.
Ao contrário da semana anterior, o Ibovespa, principal índice da bolsa paulista, foi mais influenciado por acontecimentos internos do que externos, operando sob forte volatilidade durante toda a semana. Após uma forte queda de 3,83% registrada no pregão da quinta-feira, o índice Ibovespa fechou novamente em queda de 0,26% nesta sexta-feira. Na semana, o índice acumula queda de 2,89%.
Reunião do Copom é destaque da próxima semana
A próxima semana será marcada por inúmeros eventos, tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos. No caso do Brasil, o Banco Central divulgará a Nota do Setor Externo e também a Nota do Mercado Aberto. A Fundação Getúlio Vargas divulgará a 2ª prévia do IGP-M referente a fevereiro e a FIPE também divulgará a 2ª prévia do IPC relativa ao mesmo mês. O principal, evento, contudo, deverá ser a reunião do Copom, nos dias 18 e 19, uma vez que os investidores esperam um aumento de 0,75 ponto percentual na taxa Selic.
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Nos Estados Unidos, importantes indicadores serão divulgados, como o Building Permits, o Housing Starts, o PPI e o CPI, além do Trade Balance.