Com volume fraco, Ibovespa cai 0,34% e quebra sequência de 3 altas

Índice segue movimento pessimista das bolsas da Europa e EUA, repercutindo discursos pró-retirada do QE3 nos EUA e indicadores mistos na China; Gafisa e PDG destoam com ganhos superiores a 3%

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SÃO PAULO – Em dia negativo para as principais bolsas internacionais, o Ibovespa encerrou uma sequência de três altas ao fechar esta terça-feira (10) com queda de 0,34%, a 50.993 pontos. Contribuíram para o recuo do benchmark da bolsa brasileira as sinalizações de que o Federal Reserve pode retirar sua política de estímulos à economia americana antes do esperado, de acordo com discursos feitos na véspera, além dos dados mistos de China e Europa. O volume financeiro negociado na Bovespa foi de R$ 4,2 bilhões, muito abaixo da média.

Com o final do ano se aproximando, os investidores estão indo menos às compras, reduzindo assim o volume negociado na bolsa brasileira, o que aumenta o movimento de volatilidade na bolsa brasileira, conforme aponta o analista da Leme Investimentos, João Pedro Brugger. O analista lembra, no entanto, que o ano ainda reserva importantes eventos, como o desfecho da reunião do Fomc (Federal Open Market Committee) na próxima semana, que pode ser um vetor importante para a bolsa brasileira até o último dia de 2013.

As expectativas quanto à decisão do Fed sobre a manutenção do QE3 (Quantitative Easing 3) – programa que consiste na injeção mensal de até US$ 85 bilhões no mercado americano via compra de títulos – têm trazido forte tensão nas bolsas. Nesta sessão, após abrir em alta e ameaçar se descolar do exterior, o Ibovespa não conseguiu “manter o fôlego” e virou para a queda ainda de manhã, seguindo o pessimismo de Europa e Wall Street, que caminha para o fechamento no vermelho com perdas na casa dos 0,30%. Vale destacar que, na véspera, James Bullard, do Fed de St. Louis disse que o começo da gradual retirada da atual política de estímulos da autoridade monetária americana pode ocorrer na próxima reunião do banco central americano.

Também vale destacar para essa sessão o conjunto de dados divulgados pela China, deixando ainda mais incertezas sobre o desempenho da segunda maior economia do mundo. A produção industrial aumentou 10% em novembro ante o ano anterior, levemente abaixo das expectativas do mercado, mas as vendas no varejo cresceram de modo mais forte que o esperado, em 13,7%, informou a Agência Nacional de Estatísticas. Os indicadores macroeconômicos internacionais ofuscaram os números da produção industrial brasileira, que subiu em onze dos quatorze locais pesquisados em outubro ante setembro.

Blue chips em sentidos opostos; Gafisa dispara
Os indicadores mistos na China ajudaram a derrubar as ações da Vale (VALE3, R$ 32,42, -1,34%; VALE5, R$ 32,85, -0,85%), a segunda empresa com maior participação na composição do índice. É importante destacar que a China é o principal mercado consumidor do minério exportado pelas empresas brasileiras, e incertezas sobre a economia asiática trazem preocupações aos investidores do setor. Ainda entre as blue chips, destaque mais uma vez para a Petrobras (PETR3, R$ 16,12, +0,31%; PETR4, R$ 17,30, +0,29%) que, segundo pesquisa do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), pode gastar até R$ 1,3 bilhão a mais com importação de diesel e gasolina por causa da paralisação da Repar.

Entre outros destaques desta sessão, apareceram as ações da Gafisa (GFSA3, R$ 3,53, +3,82%), que na noite da véspera anunciou a conclusão da venda de 70% da Alphaville por R$ 1,54 bilhão para a Pátria e Blackstone. Também na ponta de cima, chamam atenção os papéis da Cia. Hering (HGTX3, R$ 32,15, +2,52%), que subiram após reunião com analistas e investidores, com os executivos anunciando a implementação de um plano para a retomada do crescimento nas mesmas lojas.

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Já na ponta de baixo, destaque para as ações das companhias elétricas, com a Copel (CPLE6, R$ 30,40, -3,46%) vendo seus papéis caírem forte.Nesta terça, a Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) aprovou a metodologia para calcular as indenizações sobre os ativos de transmissão de eletricidade. Já as ações da Eletrobras (ELET6, R$ 10,26, -0,19%), que lideraram as perdas durante boa parte do dia, com baixa de 2,63%, se recuperaram e terminaram o dia com perdas menos significativas.

As maiores baixas, dentre as ações que compõem o Índice Bovespa, foram:

 Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 CPLE6 COPEL PNB 30,40 -3,46 +1,81 14,49M
 TRPL4 TRAN PAULIST PN 28,05 -3,11 -14,97 8,41M
 MRFG3 MARFRIG ON 3,98 -2,93 -53,07 7,79M
 OIBR3 OI ON 3,91 -2,49 -50,75 2,49M
 OIBR4 OI PN 3,71 -2,37 -47,76 14,82M

As maiores altas, dentre os papéis que compõem o Índice Bovespa, foram:

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 Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 GFSA3 GAFISA ON 3,53 +3,82 -25,05 65,73M
 PDGR3 PDG REALT ON 1,68 +3,07 -49,24 21,49M
 ENBR3 ENERGIAS BR ON 12,19 +2,87 -2,40 27,26M
 BTOW3 B2W DIGITAL ON 15,50 +2,65 -8,82 6,51M
 HGTX3 CIA HERING ON 32,15 +2,52 -21,03 38,75M

As ações mais negociadas, dentre as que compõem o índice Bovespa, foram:

 Código Ativo Cot R$ Var % Vol1 Vol 30d1 Neg 
 VALE5 VALE PNA 32,85 -0,85 271,27M 509,82M 18.568 
 PETR4 PETROBRAS PN 17,30 +0,29 251,19M 626,40M 22.296 
 ITUB4 ITAUUNIBANCO PN ED 31,53 -0,54 173,39M 322,96M 13.867 
 BBDC4 BRADESCO PN EJ 28,79 -0,45 144,76M 236,59M 12.167 
 BBAS3 BRASIL ON 24,60 -1,44 103,85M 249,20M 10.448 
 ABEV3 AMBEV S/A ON 16,80 -1,12 100,85M 166,84M 16.974 
 VALE3 VALE ON 35,42 -1,34 88,99M 154,77M 7.973 
 ITSA4 ITAUSA PN ED 8,95 -0,44 87,42M 112,93M 13.107 
 PETR3 PETROBRAS ON 16,12 +0,31 79,09M 215,46M 11.148 
 GGBR4 GERDAU PN 18,33 -0,11 74,09M 107,42M 9.146 

* – Lote de mil ações
1 – Em reais (K – Mil | M – Milhão | B – Bilhão) 

Europa
Na Europa, destaque para a produção industrial britânica, que registrou alta de 0,4% em outubro na comparação com setembro e avançou 3,2% na comparação anual. Além disso, o Reino Unido registrou um déficit comercial de bens de R$ 9,7 bilhões de libras em outubro, ante previsão de R$ 9,3 bilhões.

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A Itália também divulgou os seus números para o setor industrial, com uma alta de 0,5% na comparação mensal, acima do esperado, de 0,3%. Os números do PIB (Produto Interno Bruto) do país foram revisados para cima, encerrando uma série de oito trimestres em queda ao registrar estabilidade na passagem do segundo para o terceiro trimestre. Além disso, o Ecofin, formado por ministros de finanças da União Europeia, se reúne nesta terça-feira.

Em destaque também, está o discurso do presidente do BCE (Banco Central Europeu), Mario Draghi, pediu aos governos nacionais que apresentem reformas econômicas e finalizem a união bancária, dizendo que a autoridade monetária ganhou tempo para agir ao oferecer estabilidade de preços nos últimos 15 anos.


Responsável pela cobertura de política do InfoMoney, coordena o levantamento Barômetro do Poder, apresenta o programa Conexão Brasília e o podcast Frequência Política.