Com volatilidade dominando cenário internacional, ouro é melhor investimento do mês

Considerando retornos reais, ouro é único entre principais métricas com ganhos em junho; Ibovespa é pior investimento

Publicidade

SÃO PAULO – Com o cenário internacional ainda dominado pela volatilidade, em meio a temores acerca dos efeitos da crise europeia nas principais economias do mundo, o ouro ficou com o posto de melhor investimento de junho. A commodity, vista como uma opção segura de investimento, novamente se beneficiou da maior aversão ao risco e fechou o mês com ganhos nominais de 2,78%.

Considerando os ganhos reais – ou seja, descontando o IGP-M (Índice Geral de Preços – Mercados), que marcou alta de 0,85% no mês – o ouro foi a única opção entre as principais métricas de investimento a conseguir ficar no campo positivo, com variação de 1,91%.

Em meio a tanta volatilidade, as alternativas de renda fixa apareceram entre as melhores opções do mês, deixando para trás a renda variável e o dólar. A aplicação em CDBs pré-fixados de 30 dias garantiu retorno nominal médio de 0,83% em junho, pouco acima do benchmark CDI (+0,79%). A caderneta de poupança, por sua vez, apresentou retorno nominal de 0,56% em junho.

Já o dólar acompanhado pela variação da Ptax – melhor investimento de maio – encerrou o mês com rentabilidade nominal negativa em 0,84%. Vale mencionar que o dólar comercial encerrou o período com queda de 0,93%. No ano, contudo, a divisa norte-americana acumula alta de 3,61%. Foi a primeira alta semestral desde a segunda metade de 2008, quando, em meio ao agravamento da crise financeira global, a divisa norte-americana valorizou-se 46,34%. De lá pra cá, a moeda declinou 16% e 11,3% no primeiro e segundo semestres de 2009, respectivamente.

Por outro lado, o Ibovespa angariou novamente o posto de pior investimento do mês, repetindo o resultado de maio e abril. Apesar disso, as perdas foram muito menores – enquanto em maio o índice recuou 6,64%, este mês a queda foi de 3,35%. O recuo também foi mais ameno do que o visto nos principais índices norte-americanos.

Boas notícias, mas Europa segue em foco
Nos EUA, o Fomc (Federal Open Market Committee) optou mais uma vez pela manutenção do juro básico do país no intervalo entre 0% e 0,25% ao ano – sem surpresas. Repercutiu também o PIB norte-americano do primeiro trimestre, que mostrou avanço de 2,7%.

Continua depois da publicidade

O PIB brasileiro também foi notícia no mês. O produto brasileiro avançou 2,7% no primeiro trimestre de 2010 em relação aos três meses anteriores. Na comparação com o mesmo período de 2009, o indicador registrou crescimento de 9%. Depois disso, UBS, Barclays, Morgan Stanley, o ministério da Fazenda e o Banco Central elevaram as projeções para o PIB do País.

Ainda sobre o Brasil, o Copom elevou a taxa Selic em 75 pontos-base, levando a taxa básica de juro brasileira para 10,25% ao ano. A ata da autoridade monetária mostrou uma maior preocupação com a inflação.

Apesar das boas notícias, a Europa seguiu no foco dos investidores, trazendo forte volatilidade ao mercado. O Reino Unido anunciou medidas de combate à crise fiscal, com criação de novos impostos e redução das projeções de crescimento, enquanto a França planeja um corte de € 100 bilhões em seu déficit orçamentário até 2013. Além disso, a Moody’s cortou o rating Grego, além de colocar a nota espanhola em revisão para possível rebaixamento.

Continua depois da publicidade

Os investidores também se mantiveram atentos à China no período. O PBoC (Banco Popular da China) anunciou a retomada do processo de flexibilização monetária chinesa, já implantado entre 2005 e 2008. Já na última semana do mês, o país asiático mostrou que o seu Leading Indicators, que reúne alguns dos principais dados econômicos do país no mês de abril, cresceu 0,3%, em vez da expansão de 1,7% divulgada anteriormente.

Vale e Eletropaulo nas pontas do Ibovespa
Os papéis ordinários da Vale (VALE3) lideraram as perdas do Ibovespa no período, com recuo de 12,70% no mês. Além disso, as ações preferenciais da mineradora (VALE5) e os papéis da Bradespar (BRAP4) – um dos principais acionistas da Vale – também aparecem na ponta vendedora do índice.

Apesar do impulso ganhado pelos ativos ligados a commodities com a decisão da China de permitir a flexibiliação do yuan, que foi vista como bastante positiva para as mineradoras, e da elevação dos ratings da empresa pela Fitch, a última semana do mês foi de grande desvalorização para os papéis. O movimento acompanhou o recuo dos materiais básicos no período, em resposta a novos temores sobre Europa e China, cujo ritmo de recuperação abaixo do esperado poderia diminuir a demanda por commodities.

Continua depois da publicidade

Na ponta positiva do índice, por sua vez, aparecem os ativos da Eletropaulo (ELPL6), com alta de 16,75%. Além de ser conhecida como uma empresa tradicionalmente defensiva – ou seja, uma opção para fugir da volatilidade dos mercados – a companhia também foi beneficiada por uma forte alta no início do mês, impulsionada por um anúncio de mudanças societárias. 

A elétrica anunciou que deverá alcançar um efeito contábil positivo de R$ 167 milhões no lucro do segundo trimestre devido à incorporação da subsidiária Eletropaulo Telecomunicações por sua holding controladora, a Brasiliana. O negócio segue as determinações de uma lei que proíbe concessionárias de serviço público de distribuição de energia de deter participação societária em outros setores.

Variações das principais métricas de investimento em junho:

Continua depois da publicidade

Investimento Junho Real* Maio Real**
Ibovespa  -3,35% -4,16%   -6,64%   -7,74%
CDI*** +0,79%  -0,06%  + 0,75%   -0,43%
CDB **** +0,83%  -0,02%   +0,79%   -0,40%
Poupança +0,56%  -0,29%   +0,55%  -0,63% 
Ouro +2,78%  +1,91%   +3,15%   +1,94% 
Dólar Ptax -0,84%  -1,97%  +4,34   +3,11% 
IGP-M +0,85% – +1,19% –

* Deduzida a variação do IGP-M que ficou em 0,85% em junho de 2010
** Deduzida a variação do IGP-M que ficou em 1,19% em maio de 2010
*** Taxa Efetiva Andima
**** Taxa pré 30 dias