Com Vale e EUA, Ibovespa registra 4º queda seguida e renova mínima de 2013

Índice fecha a 58.372 pontos, menor patamar desde 6 de dezembro; Suzano lidera perdas, enquanto ALL fechou com maiores ganhos
(Shutterstock)
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*Atualizada às 17h57 (horário de Brasília).

SÃO PAULO – Mais uma vez pressionado por uma blue chip, o Ibovespa registrou mais um dia de fortes perdas, a quarta seguida – o que não ocorria desde novembro de 2012. O índice, que chegou a abrir em alta, não conseguiu sustentar os ganhos após a abertura das bolsas nos EUA e encerrou o dia em baixa de 0,98%, aos 58.372 pontos – menor patamar desde 6 de dezembro de 2012, quando alcançou os 57.656 pontos. O giro financeiro foi de R$ 8,06 bilhões.

O índice foi bastante pressionado pelo desempenho negativo da Vale (VALE3; VALE5), que detém participação de cerca de 11% no índice. Os papéis ordinários da mineradora recuaram 2,79%, cotados a R$ 39,03, seguidos pelos preferenciais, que caíam 2,70%, aos R$ 37,46. Juntas, essas duas ações respondem por 11,7% da composição do Ibovespa.

O desempenho negativo da Vale na bolsa reflete diversos fatores, entre eles as projeções ruins para o resultado da companhia, principalmente em função das baixas contábeis de US$ 4,2 bilhões. Outro motivo está associado aos rumores de que o governo pode aumentar a intervenção na empresa por meio de aumento no pagamento de royalties, aponta o analista Henri Evrard, da Infinity Asset. 

Suzano lidera perdas; ALL, os ganhos
O principal destaque negativo fica com as ações Suzano (SUZB5), que registram desvalorização de 5,42%, fechando cotadas a R$ 6,80. Na sequência, aparecem os papéis PNB da Eletrobras (ELET6), com baixa de 4,15%, a R$ 11,78 e da Fibria (FIBR3), que caíram 4,15% e 3,26%, respectivamente, aos R$ 11,78 e R$ 24,35. As ações do setor de papel e celulose registraram baixa em meio à notícia de que a China abriu uma investigação sobre possível prática de dumping no setor. 

As maiores baixas, dentre as ações que compõem o Índice Bovespa, foram:

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 Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 SUZB5 SUZANO PAPEL PNA INT 6,80 -5,42 -3,13 34,94M
 ELET6 ELETROBRAS PNB 11,78 -4,15 +12,40 15,39M
 FIBR3 FIBRIA ON 24,35 -3,26 +7,89 36,63M
 ELPL4 ELETROPAULO PN N2 13,59 -3,14 -19,11 22,31M
 ELET3 ELETROBRAS ON 6,78 -2,87 +7,11 6,10M

Por outro lado, o melhor desempenho fica com os papéis ALL América Latina (ALLL3), que fecharam cotados a R$ 9,05 e apresentaram forte alta de 4,14%, em meio à divulgação de dados positivos da prévia operacional e com os bons resultados da Cosan (CSAN3), empresa que possui participação na companhia de logística.

Os papéis CSAN3, por sua vez, subiram 3,17%, aos R$ 47,85, refletindo resultado do quarto trimestre acima do esperado. As ações da Natura (NATU3), que também divulgou seus dados na noite de quarta-feira, registrou ganhos de 2,72%, cotadas a R$ 53,30.

As maiores altas, dentre os papéis que compõem o Índice Bovespa, foram:

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 Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 ALLL3 ALL AMER LAT ON 9,05 +4,14 +8,90 273,30M
 CSAN3 COSAN ON 47,85 +3,17 +14,61 144,74M
 NATU3 NATURA ON 53,30 +2,72 -9,11 307,93M
 OGXP3 OGX PETROLEO ON 3,81 +2,70 -13,01 216,92M
 HGTX3 CIA HERING ON 39,16 +1,69 -6,74 40,87M

As ações mais negociadas, dentre as que compõem o índice Bovespa, foram:

 Código Ativo Cot R$ Var % Vol1 Neg 
 VALE5 VALE PNA 37,46 -2,70 702,53M 27.969 
 PETR4 PETROBRAS PN 17,50 -0,57 581,23M 34.798 
 BBDC4 BRADESCO PN EDJ 34,80 -1,14 312,06M 13.060 
 NATU3 NATURA ON 53,30 +2,72 307,93M 7.726 
 ALLL3 ALL AMER LAT ON 9,05 +4,14 273,30M 9.173 
 PETR3 PETROBRAS ON 16,07 -1,95 237,35M 15.615 
 OGXP3 OGX PETROLEO ON 3,81 +2,70 216,92M 23.047 
 ITUB4 ITAUUNIBANCO PN ED 33,23 -0,75 191,03M 14.820 
 CIEL3 CIELO ON 55,14 -2,41 167,25M 10.583 
 CSAN3 COSAN ON 47,85 +3,17 144,74M 8.776 

* – Lote de mil ações
1 – Em reais (K – Mil | M – Milhão | B – Bilhão)
 

EUA e Europa
Além disso, o índice é penalizado também por indicadores econômicos piores do que o esperado nos Estados Unidos. Na semana passada, foram feitos 366 mil pedidos de seguro-desemprego no país, mais que os 360 mil esperados. Já a produtividade da mão de obra caiu 2% no quarto trimestre do ano passado, acima do recuo previsto de 1,2%, enquanto o custo de mão de obra aumentou 4,5% mais qua a alta de 3,2% esperada.

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O mercado ainda reflete o fim da reunião do BCE (Banco Central Europeu), que manteve os juros inalterados e destacou que avaliará o andamento da economia. Mario Draghi, presidente da instituição, destacou que avaliará os “perigos” de um euro forte e destacou acreditar que a Europa deverá se recuperar com mais ênfase no final do ano. Enquanto isso, o BoE (Bank of England) manteve a taxa básica de juros e o programa de compra de ativos no Reino Unido.

Inflação: recorde incomoda Tombini
No cenário interno, o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) anunciou que janeiro teve a maior alta inflacionária para um mês desde abril de 2005. Mesmo assim, a alta de 0,86% no IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) já era esperada pelo mercado. Em meio a esse cenário, Tombini afirmou que não está confortável frente à inflação, mas ressaltou que ela está sob controle. 

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Lara Rizério
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Editora de mercados do InfoMoney, cobre temas que vão desde o mercado de ações ao ambiente econômico nacional e internacional, além de ficar bem de olho nos desdobramentos políticos e em seus efeitos para os investidores.