Com tensões políticas e questão do compulsório, dólar fecha em forte alta

Incômodos políticos e pressões de queda no compulsório levam dólar a fechar cotado a R$ 2,939, maior alta em quase dois meses

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SÃO PAULO – O mercado cambial registrou uma forte alta da moeda norte-americana nesta terça-feira, de forma que a cotação do dólar registrada nesta sessão é a maior desde a apurada no dia 3 de junho de 2003, quando a divisa fechou a R$ 2,944. A forte variação registrada nesta sessão se deve às fortes tensões políticas num contexto de muitas incertezas e à possibilidade de redução do compulsório dos bancos.

Incertezas políticas levam a hedges cambiais

O campo político se apresenta bastante tumultuado e incerto. A tramitação das reformas da Previdência e Tributária já provocou muitos ruídos e ainda não promete o final esperado. O governo não consegue obter avanços mais consistentes no campo das reformas, e encontra-se em um cenário de tensões sociais com as greves do setor público contra a reforma da Previdência e as invasões de terras.

Tantas incertezas têm preocupado investidores, que como forma de se protegerem dos problemas que envolvem o cenário brasileiro, ampliaram as operações de hedge cambial, ou seja, compraram dólares futuros. Esse movimento foi preponderante no impulso que teve o dólar nesta terça-feira.

Fluxo de recursos e compulsórios bancários

A falta de expectativas de maiores fluxos favoráveis via captações privadas ou saldo de comércio externo agravou a situação, e impulsionou mais a cotação do dólar diante de menor liquidez no mercado. Mesmo assim, o ingresso de recursos de captações anteriores foi fator limitante de maior alta da divisa nesta sessão.

Além disso, o mercado já avalia a possibilidade de redução do recolhimento compulsório pelos bancos. Essa provável decisão do Banco Central reflete o controle inflacionário conquistado, e tem por objetivo de liberar recursos para, junto aos cortes gradativos na taxa Selic, reaquecer a economia. Dessa forma, há uma perspectiva de maior impulso na cotação do dólar que parte dos recursos em reais liberados.

Dólar registra maior alta em quase dois meses, de 1,41%

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Neste sentido, o dólar comercial fechou cotado a R$ 2,9350 na compra e R$ 2,9390
na venda, forte alta de 1,41% em relação ao fechamento anterior. No mercado paralelo, a moeda norte-americana encerrou o dia negociada a R$
2,9720, representando um ágio de 1,26%
em relação ao dólar comercial.
Com esta alta, o
dólar acumula valorização de 3,30% em julho, frente
a baixa de 4,08% registrada no mês passado.

No ano a desvalorização acumulada da moeda norte-americana
já chega a 17,19%.

Dólar futuro na BM&F
também fechou em alta

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Na BM&F, o contrato futuro com vencimento em agosto
encerrou o dia cotado a R$ 2.945,
forte alta de 1,34% em relação ao fechamento
de R$ 2.906
da última segunda-feira. O contrato com vencimento em setembro, por sua vez, fechou em forte alta de 1,32%,
atingindo R$ 2.994 frente
a R$ 2.955 do fechamento de segunda-feira.

Curva de FRA de cupom cambial

O FRA de cupom cambial para setembro de 2003, fechou a 1,25%, frente aos 1,60% do fechamento de segunda-feira. Já o contrato de maior liquidez, referente a janeiro de 2004, encerrou a 2,90% em comparação aos 3,03% apurados na sessão anterior.