Com tendência recente dos preços, BC reduz projeção para inflação em 2003

Contudo, projeção de inflação para 2004 tem leve alta; crescimento do PIB em 2003 também deverá ser menor

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SÃO PAULO – Procurando avaliar o desempenho da economia brasileira no primeiro trimestre deste ano e projetar possíveis cenários para o nível de atividade e preços ao longo dos próximos meses, o Banco Central divulgou, nesta segunda-feira seu Relatório de Inflação do mês de junho.

Menores projeções de crescimento econômico

Neste sentido, o Banco Central revisou para baixo suas projeções de crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) do Brasil para 2003, de modo que este passou de 2,2%, conforme relatório apresentado em março, para um valor entre 1,5% e 1,8%, de acordo com este último relatório. A redução das projeções de crescimento decorreu, basicamente, do fraco desempenho da atividade econômica nos primeiros meses do ano.

Conforme a análise da autoridade monetária, contribuiu para o tímido desempenho da atividade econômica no início da 2003 a retração da demanda interna, em função, principalmente, do forte avanço inflacionário registrado no período. Além disso, o relatório do Banco Central aponta como fator condicionante a fraca performance da atividade econômica o menor ritmo das exportações industriais.

Estoque de crédito declinou, com fraca demanda interna

A fraca demanda interna verificada nos primeiros meses do ano pressionou também uma queda na demanda por crédito por parte dos agentes econômicos, de modo que o estoque das operações de crédito apresentou recuo no primeiro trimestre de 2003. Outro fator que contribuiu para tal queda foi a apreciação do real frente ao dólar no período, o que acabou determinando um menor valor para as carteiras de crédito referenciadas em moeda estrangeira.

Dessa maneira, as operações de crédito de empresas restringiram-se a tomadas de empréstimos para resolver problemas de fluxo de caixa, adiando, assim, decisões de investimentos de prazo mais longo. Da mesma forma, os consumidores priorizaram operações de crédito rotativo, voltadas para complementação da renda. Há que considerar que a retração do estoque de crédito no primeiro trimestre também resultou de um maior conservadorismo das instituições financeiras, que ampliaram a seletividade e as taxas de juros para empréstimos.

Melhor desempenho fiscal e do balanço de pagamentos

Os primeiros meses de 2003 também foram marcados por uma considerável melhora no desempenho fiscal do país, de modo que no acumulado entre janeiro e abril, o superávit primário já atingia R$ 32,7 bilhões. Dessa forma, com o bom resultado primário das três esferas do governo e a queda do dólar frente ao real, a dívida líquida do setor público registrou uma retração de R$ 41,3 bilhões no período, passando para algo em torno dos 52,2% do PIB.

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Com relação às condições de financiamento do balanço de pagamentos, houve uma expressiva melhora durante os primeiros meses de 2003, quando na comparação com o último trimestre de 2002. Pode-se apontar como fator preponderante para o bom desempenho do balanço de pagamentos a retomada das captações externas por instituições brasileiras, com melhora nas taxas de rolagem de empréstimos diretos e de papéis de médio e longo prazo.

Melhores projeções para inflação em 2003

Como reflexo dos sinais consistentes de recuo inflacionário, o Banco Central reduziu suas projeções para a inflação medida pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor – Amplo) no ano de 2003. Dessa maneira, a autoridade monetária projeta uma inflação da ordem de 10,2% para este ano, considerando-se um cenário no qual a taxa de câmbio seja de R$ 2,85 (cotação do dia anterior à reunião de junho do Copom) e perspectiva de uma taxa Selic de 26,0% ao ano.

Na projeção anterior, o BC apontava uma inflação de 10,8% no ano. As expectativas de inflação para 2004, entretanto, apresentaram um ligeiro aumento, passando de 4,1% no ano conforme apresentado no último relatório para 4,2% no relatório de junho. Considerando-se as expectativas do mercado sobre juros e câmbio, as projeções para inflação em 2003 elevam-se para 10,8% e as para 2004 atingem 6,0% no ano.

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Relatório de Inflação do Banco Central

O Relatório de Inflação é publicado trimestralmente pelo Banco Central, com o objetivo de avaliar o desempenho do regime de metas de inflação do governo federal. Além desta avaliação, o relatório traça perspectivas acerca do comportamento dos preços para os próximos períodos, explicitando, também, os fundamentos que nortearam o Copom – Comitê de Política Monetária – na condução da política monetária.

São seis os tópicos contemplados pelo relatório do BC: o nível de atividade econômica; os preços; as políticas fiscal, monetária e creditícia, a economia internacional; o setor externo e as perspectivas para inflação. Este documento é bem analisado pelo mercado à medida que fornece indícios sobre o comportamento da autoridade monetária nos próximos meses.